MEMÓRIA PRESENTE : FINAL DE 69
Vivemos, sem dúvida, numa nova era. Uma sociedade que se alimenta das clivagens, da necessidade do materialismo. O «Superavite de abundância, deriva logicamente do superavite de necessidades», como alguém disse. O Sonho é amachucado e atirado ao lixo. Como uma vulgar bola de papel usado. Olhar para o passado, é para muitos reviver um sonho distante que é um quadro disforme, pela falta de referências históricas. Cabe-nos a nós, fazer renascer o passado.
O Jogo que acompanhou a mudança da História de Portugal
Era o final de tarde de um dia quente, de Julho de 69. A temperatura indiciava os «dias quentes», na conjuntura política, que a partir daí se viveriam. Transpirava-se já, o suor da luta da Revolução.
A luta contra o regime era personificada por 11 jogadores de negro e a sua falange de apoio. O Negro era luto pelo estrangulamento da voz, pelo manietar da materialização das ideias, mas também negro da força, cor daqueles que com coragem faziam finca-pé ao regime.
O Jogo começa. São 19h. 19...número mágico. É nessa hora, em algum dos seus minutos que VASCO GERVÁSIO marca um livre, numa falta perto da área Benfiquista. MANUEL ANTÓNIO, estudante de medicina e camisa 9 da Briosa, pára de peito, e à meia volta remata com tal convicção, que só esta valeria para fazer o Golo. O Estádio cede ao grito estudantil. Um grito que abalou até as estruturas do Império. Anos depois MANUEL ANTÓNIO referiu que com aquele golo, «foi como se meses de tensão se tivessem aliviado naquele momento».
Caminhava para o fim, o jogo que Carlos Pinhão jornalista de «A BOLA» apelidou de «O maior comício político antes do 25 de Abril. Palavras de ordem ecoavam no estádio. Milhares de Torres da Universidade, símbolo do conhecimento livre, agitavam-se no ar.
10 Minutos faltavam para o final. VITOR CAMPOS prepara-se para fazer um lançamento de linha lateral, mas a festa inundava-o. OTTO GLORIA treinador encarno, encolhe os ombros. «Deixe lá...para vocês é mais uma taça. Para nós...vai ver o que vai ser!», atirou aquele que foi uma das maiores personificações do espírito Coimbrão. O treinador encolhe os ombros e lança um sorriso resignado.
«Entre os momentos mais felizes e mais tristes da minha carreira desportiva, passaram apenas cerca de cinco minutos»
Assim disse Viegas, guarda-redes da AAC e hoje Engenheiro, e naquela altura jogador-estudante de Matemática. A escassos minutos do final, livre de SIMÕES (esse mesmo...) e EUSÉBIO na recarga, factura. 1-1 e jogo para prolongamento. «Estive entre o céu e o Inferno»,referiu FRANCISCO ANDRADE treinador da AAC, na altura, apenas com 29 anos.
o Jogo corre para prolongamento. Já na segunda-parte deste, o Benfica consegue o golo da vitória. Mas a semente havia já sido lançada em terra pródiga...
O que teria acontecido naquela tarde se os Capas Negras têm ganho? VITOR CAMPOS responde, nada conformado: «Era imprevisível. Não sei o que seria. Se calhar foi melhor ter terminado assim...»VASCO GERVÁSIO, o nosso capitão é firme: «DEVIAMOS TER GANHO!»
O Jogo que acompanhou a mudança da História de Portugal
Era o final de tarde de um dia quente, de Julho de 69. A temperatura indiciava os «dias quentes», na conjuntura política, que a partir daí se viveriam. Transpirava-se já, o suor da luta da Revolução.
A luta contra o regime era personificada por 11 jogadores de negro e a sua falange de apoio. O Negro era luto pelo estrangulamento da voz, pelo manietar da materialização das ideias, mas também negro da força, cor daqueles que com coragem faziam finca-pé ao regime.
O Jogo começa. São 19h. 19...número mágico. É nessa hora, em algum dos seus minutos que VASCO GERVÁSIO marca um livre, numa falta perto da área Benfiquista. MANUEL ANTÓNIO, estudante de medicina e camisa 9 da Briosa, pára de peito, e à meia volta remata com tal convicção, que só esta valeria para fazer o Golo. O Estádio cede ao grito estudantil. Um grito que abalou até as estruturas do Império. Anos depois MANUEL ANTÓNIO referiu que com aquele golo, «foi como se meses de tensão se tivessem aliviado naquele momento».
Caminhava para o fim, o jogo que Carlos Pinhão jornalista de «A BOLA» apelidou de «O maior comício político antes do 25 de Abril. Palavras de ordem ecoavam no estádio. Milhares de Torres da Universidade, símbolo do conhecimento livre, agitavam-se no ar.
10 Minutos faltavam para o final. VITOR CAMPOS prepara-se para fazer um lançamento de linha lateral, mas a festa inundava-o. OTTO GLORIA treinador encarno, encolhe os ombros. «Deixe lá...para vocês é mais uma taça. Para nós...vai ver o que vai ser!», atirou aquele que foi uma das maiores personificações do espírito Coimbrão. O treinador encolhe os ombros e lança um sorriso resignado.
«Entre os momentos mais felizes e mais tristes da minha carreira desportiva, passaram apenas cerca de cinco minutos»
Assim disse Viegas, guarda-redes da AAC e hoje Engenheiro, e naquela altura jogador-estudante de Matemática. A escassos minutos do final, livre de SIMÕES (esse mesmo...) e EUSÉBIO na recarga, factura. 1-1 e jogo para prolongamento. «Estive entre o céu e o Inferno»,referiu FRANCISCO ANDRADE treinador da AAC, na altura, apenas com 29 anos.
o Jogo corre para prolongamento. Já na segunda-parte deste, o Benfica consegue o golo da vitória. Mas a semente havia já sido lançada em terra pródiga...
O que teria acontecido naquela tarde se os Capas Negras têm ganho? VITOR CAMPOS responde, nada conformado: «Era imprevisível. Não sei o que seria. Se calhar foi melhor ter terminado assim...»VASCO GERVÁSIO, o nosso capitão é firme: «DEVIAMOS TER GANHO!»




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