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  - Sábado, Janeiro 29, 2005

Académica 0-2 Guimarães

Finalização é pecado original


"A tolerância acabou... Idas ao casino; Saídas nocturnas; Festas privadas. Só admitimos um resultado: a vitória"



Mais uma vez não se festejaram golos no Cidade de Coimbra. Mais uma vez a equipa não marcou, por inépcia e algum azar. Mais uma vez a equipa errou pouco. Mais uma vês também, quando errou, sofreu golos.

A Académica entrou bem no encontro. Dominadora e a ditar regras no meio-campo. Hugo Leal foi o maestro de uma orquestra que carburou bem até à modificação da sua estrutura base, no início da segunda parte. Nelo Vingada mostrou outra atitude pela forma como dispôs as peças no relvado. Os jogadores pareciam ter compreendido a mensagem e trocavam excepcionalmente bem a bola, com todos os jogadores a fazerem circular a dita. Rafael Gaúcho, que se afirma pelo jogo refinado e lutador, Hugo Leal e Tixier cumpriam à risca as ordens do Professor e o jogo pareceu sempre inclinado para a baliza de Palatsi. Dois livres exemplarmente bem marcados pelo brasileiro número 8 da Briosa poderião ter dado a vantagem, logo no abrir do encontro. Luciano falhou escandalosamente na cara do guarda-redes vimaranense...Quando só necessitava de ter adiantado um pouco a bola para a sua direita e serenamente marcar, preferiu um remate poderoso que esbarrou no corpo de Palatsi. Coisas de se jogar sobre brasas...


Guimarães reage, mas a Briosa comandava


O Guimarães poderia ter igualmente marcado ainda na primeira parte. Valeu Pedro Roma, a tirar a bola com uma sapatada, quase que de dentro da baliza. A Briosa não se deixou abater Kenedy de cabeça, atrapalhado pelo companheiro Dário (completamente desinspirado) atirou ao lado. O jogo chegou ao intervalo e a Mancha Negra incentivava os jogadores para a vitória. Ao intervalo a confiança num resultado positivo, era nas bancadas generalizada.


A Mancha Negra incentivava... Mas entrou o «Nódoa Negra»!


Se a substituição de Dário por Marcel se justificava plenamente pela ineficácia do 85 academista a saída de Vasco Faísca para a entrada de Ricardo Fernandes, o «Nódoa Negra» revelou-se cataclismática para a organização do jogo dos Capas negras. Hugo Leal, Rafael Gaúcho, Tixier e o «Nódoa Negra» acumulavam pernas a meio campo sem que o jogo se pudesse naturalmente explanar. A substituição de Faísca a ser feita, deveria ter posto Joeano mais cedo nas lides do encontro. Aí certamente, os 3 pontos penderiam para a turma coimbrã. Marcel abriu sempre muitos espaços, revelou algum toque de bola e Joeano, era o homem certo para jogar ao seu lado, para rasgar e abrir buracos na área do Vitória de Guimarães..Entrou tarde no jogo o número 9...

Aproveitando este desequilíbrio o Guimarães aproveitou, numa jogada precedida de uma falta marcada ao contrário, em prejuízo da malta de Coimbra, chegaram os pupílos de Manuel Machado à vantagem, num lance onde José António e Kenedy , não podem ficar isentos de culpas. Falta garra, ambição e vontade absoluta de ganhar todos os lances! Qualidade e nomes sonantes, temos a mais!


Perder por não acreditar


O segundo golo por intermédio de Targino foi consequência natural do desnorte ofensivo em que a AAC-OAF se lançou. Mais uma vez com centrais a subirem para a posição de ponta-de-lança, mais uma vez golos sofridos ao cair do pano.

Desalento e mais uma chegada a casa em pleno desanimo. O meu pai, fervoroso adepto, impossibilitado de se deslocar ao Estádio por condicionantes físicas, tratou logo de me fazer sentir melhor: «Ainda me lembro de ganharmos 7-0 a estes de Guimarães». Continuou: «Sabes de onde eram os nossos jogadores? Fomos buscar os manos Campos ao Torreense, o Toni ao Águeda, e o «Brasfemes» ao Brasfemes. Ah! E tínhamos um, que sempre foi o meu preferido! O Néne... que corrida, que força!». Saudosamente lembrou: «Nesse ano estávamos a perder em casa 3-0 com o FCP e fomos ganhar 5-3. E espetámos 3-0 ao Sporting. Discutíamos sempre os primeiros lugares da classificação».

Jogadores do Torreense, do Brasfemes, do Águeda e do Anadia. Se algo lhes faltava, compensavam com entrega, força e velocidade. Se não eram os mais técnicos, tinham de ser os mais aguerridos. Se não eram os mais virtuosos, eram certamente os que mais acreditavam.

Todos eles tinham, certamente nódoas negras nas pernas. Não na atitude, como hoje algumas «pseudo-vedetas» parecem ter.


DESTAQUES POSITIVOS

(1) Hugo Leal- Vai assumir-se certamente como o patrão do meio-campo da Briosa. Assim os seus companheiros correspondam.
(2) Rafael Gaúcho- Muito virtuosismo e algum azar... Excelente cobrador de livres; Infelizmente para a Briosa, nenhum beijou as malhas.
(3) Lição dada pelo público- Depois da falha monumental de Zé Castro no lance do segundo golo, o jogador pediu desculpas... E o público aplaudiu! É sem dúvida um maior dos pontos altos desta equipa.


DESTAQUES NEGATIVOS


(1) Ricardo Fernandes- Lembro-me deste tipo a marcar golos em fantásticos remates de fora da área. A marca golos de levantar estádios, de livre. A cruzar exemplarmente e a marcar cantos directos. Lembro-me... mas já foi há tanto tempo.... Agora tudo é uma enorme «Nódoa Negra».
(2) Anti-jogo vimaranense- Alguém com piada dizia no estádio, em mais uma (!) das cenas de Palatsi: «Dêem-lhe um tito para, acabar com o sofrimento do homem!». Patético.
(3) Arbitro- Soube sempre, e bem admoestar os jogadores da Briosa, mas os Vimaranenses tinham carta branca para fazer do palco do jogo uma bonita peça de teatro...