«Empata-fodas» visitaram Coimbra
O termo não é analogicamente agradável. Não é bonito, nem ao menos social. Nem sequer é termo, se o analisarmos mediante parâmetros estritos da língua materna. Mas é aquele que melhor define o estado de espírito dos nove mil academistas - e provavelmente, também dos 20 vilacondenses - que se deslocaram ontem ao Cidade de Coimbra. O Rio Ave não jogou, nem deixou jogar. A Briosa, sedenta de pontos não se soube desembaraçar da enervante teia defensiva vilacondense, que conseguiu assim que a baliza de Mora permanecesse virgem imaculada até ao final do encontro.
Tacticamente o Rio Ave, e Carlos Brito não estiveram mal. Com a clara noção da forma como queriam moldar o encontro, impuseram desde o primeiro minuto uma táctica de contenção pincelada por enervantes momentos de falta de «fair-play». A Académica, tal qual, rapazola afoito, caiu na esparrela. Em vez de seduzir a donzela, com um futebol mais rendilhado e envolvente ( que afinal, tem demonstrado que sabe fazer!), bombeava o seu jogo, sem a necessária clarividência de um galã. O mais que alcançou foi uma bola ao poste aos 13 minutos por Dário, após livre exemplarmente marcado por Ricardo Fernandes. O médio esteve sempre bastante activo no encontro, denotando claramente uma vontade de ajudar a equipa, com garra e ambição como há muito já não se via...Um punhado de cantos bem marcados, outros tantos livres, com peso e medida, e algumas jogadas de envolvência bem gizadas.
Táctica da Briosa demasiadamente elaborada…
A entrada de Danilo para o onze inicial na posição de defesa direito, a subida de Nuno Luís para terrenos mais avançados na meia direita, e recuado no meio-campo nas missões defensivas, confundiu não somente os jogadores do Rio Ave, mas igualmente
o onze da Briosa, que não parcas vezes se sentiu demasiadamente perdido em campo.As entradas de Lira e Sarmento vieram numa tentativa de repor a coerência táctica no jogo e de jogar mais, e melhor, pelas alas. Nelo Vingada inventou? Sim, mas com quatro ausências de vulto, pode-se dizer, que a isso foi obrigado.
A canção do optimista
Se é verdade que a Académica não ganhou o último jogo, é igualmente verdade que também não o perdeu. E pontua consecutivamente nas últimas cinco jornadas. O pessimista dirá que também não ganhou… Mas nesta fase do campeonato, quem se poderá dar ao luxo de ser pessimista?
Destaques Positivos
- Se alguma vez alguém teve duvidas sobre a titularidade de Pedro Roma elas ficaram definitivamente dissipadas. Teve pouco trabalho, é certo, mas fez duas grandes defesas que seguraram o empate.
- Bom jogo do jovem Sarmento.
O avançado entrou quando a Briosa estava mais à defesa e deu logo velocidade à equipa.
Infelizmente não serviu de muito.
- Hoje a Briosa fez o 5º jogo consecutivo sem perder.
Mas o que é certo é que a Briosa continua isolada no último lugar.
- Adeptos. Excelentes como sempre.
Destaques Negativos
- Anti-jogo - Quando "se vai há bola", normalmente é para ver futebol. É verdade que os golos são a coisa mais importante do futebol mas nem sempre, um 0-0 significa um mau jogo.
Infelizmente, não foi isso que aconteceu hoje no Municipal de Coimbra. Queimar tempo desde o 1º minuto pareceu o objectivo dos jogadores do Rio Ave ou não fosse esta a equipa com mais empates na Superliga.
Por vezes torna-se complicado jogar futebol assim. O público não gosta e depois ouvem-se claro, os assobios.
Mas a culpa é de quem não gosta do futebol.
Nota negativa para a turma gerida por Carlos Brito que entrou para o empate e saiu satisfeita com isso.



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