Roberto Brum em entrevista

A determinação, a vontade de encarar desafios que à vista desarmada podem parecer impossíveis de realizar, a lealdade e o companheirismo são atributos de qualquer guerreiro ancestral. Guerreiros que escrevem o seu nome nas páginas da História com tinta cor de honra decalcada sobre o papel da admiração de todos aqueles que têm o privilégio de o ver lutar. Roberto Brum é um desses guerreiros. Em pouco menos de um par de semanas, conquistou um lugar especial no coração de todos os academistas e dos seus companheiros de equipa. Definindo-o com jogador, poderemos apontar-lhe inúmeras características. Veloz, combativo, dono de um remate potente, boa leitura de jogo... Mas a sua principal virtude é para nós a sua Determinação, e a vontade de vencer inabalável, que não guarda apenas para si, mas que transmite a todo o grupo que com ele trabalha.
Simplesmente Briosa:
A AAC luta bravamente pela manutenção. O jogo contra a UD Leiria foi mais uma batalha ganha, com o apoio fantástico de um público academista vibrante. Qual é a importância real desse apoio?
Roberto Brum:
Importante, com certeza. Para exemplificar o quanto é importante, quando entramos no estádio e vemos o apoio da torcida, como no jogo contra o Leiria, que superámos em público, costumamos dizer que já estamos a ganhar 1 a 0.
SB:
O grupo de jogadores da Briosa parece mais unido do que nunca, e exemplo disso, é «a roda» que formam antes e depois de cada jogo. Até mesmo o estádio parece respeitar, em silêncio, esse momento. Existe algum líder na dita «roda», ou funciona o grupo como um todo? Quais são as palavras de ordem?
RB:
É uma atitude natural do grupo, que começou no jogo contra o Nacional e que
também tem o dedo do Nelo Vingada, que sempre busca a unidade do grupo. As
palavras variam. Por exemplo: «estamos no caminho certo», «vamos manter a
humildade», «ainda não conseguimos nada», «vamos agradecer ao torcedor!»
SB:
Sabe-se que a total disponibilidade e entrega de todos os jogadores e elementos da direcção é fundamental para constituir uma verdadeira equipa. O jovem Zé Castro teve, em Leiria, uma tarde infeliz, e foi de alguma forma, penalizado por isso. Acha que é também papel do grupo ajudar (e ensinar) o jovem jogador a superar estes momentos? Considera Zé Castro um valor seguro da Briosa do futuro?
RB:
O que aconteceu com o Zé Castro pode acontecer com qualquer jogador que
esteja dentro do campo. O papel do grupo é sempre de somar e não de subtrair,
por isso demos-lhe um incentivo e uma força no final do jogo, até porque o Zé é
um jovem e ainda está a aprender. Acho que o Zé tem possibilidades para ficar na
História da Académica, mas o futebol é muito imprevisível, ninguém sabe o
futuro.

SB:
No seu percurso futebolístico representou apenas 3 clubes: Fluminense, Coritiba e Académica de Coimbra. Tendo em conta que foi um jogador dispendioso (uma das mais caras contratações do clube), é sua vontade retribuir ao clube e adeptos essa aposta? Agrada-lhe a ideia de continuar de negro por muitos anos?
RB:
Com certeza. Quando fizemos a opção de um contrato longo foi para cumpri-lo
com muitas vitórias, conquistas e alegrias!
SB:
Coimbra é uma cidade de tradições. Dentro em breve começa na nossa cidade a festa dos estudantes, e à luta pela manutenção da Briosa, juntar-se-á a luta pela sobrevivência à Queima das Fitas. Preparado para viver a sua primeira Queima? Sente que este é de alguma forma um clube diferente a esse nível? Acha que há espaço para o jogador-estudante (caso de Nuno Piloto) numa Superliga tão disputada?
RB:
A cada dia, me encanto e agradeço a Deus por me ter trazido para Coimbra,
uma cidade muito acolhedora e com várias opções para se ter uma vida alegre. Vou
torcer para que tudo corra bem na luta pela sobrevivência, mas prefiro ficar de
fora, até porque não bebo álcool. Tive a experiência de fazer dois anos de
Educação Física no Brasil, mas ainda era júnior e quando subi a profissional não
consegui conciliar, mas acho que, com força de vontade, é possível. Pretendo, também,
terminar o curso.
SB:
Roberto Brum é já um nome de referência para muitos adeptos. Pelas comparações e analogias que tantas vezes faz nas entrevistas, pela serenidade e ensinamentos que transmite em campo, há quem já o apelide de «Catedrático» (título maior que se pode dar a um Professor Universitário. Pela sua vontade e raça, há quem o chame de «A Parede». Em Coritiba era conhecido pelo «Senador». Qual destas «alcunhas» acha que lhe assenta melhor?
Percebe-se que a «sua» Phenix está quase restabelecida. Iniciar-se-á o seu voo na próxima jornada?
RB:
O Catedrático achei criativo, porém com «a Parede» tive maior identificação,
até porque impõe respeito aos nossos adversários. A águia está pronta para alçar o primeiro voo, saindo da linha-de-água!
Agradece, desde já, o Simplesmente Briosa, em nome de todos os seus colaboradores e leitores pela entrevista que Roberto Brum nos concedeu. Pela sua disponibilidade e vontade de agradar, pela desinteressada manifestação de apoio que deu ao Blog. Este é, poderemos afirmar sem pejo, já um dos verdadeiros académicos!
(esta entrevistas foi-nos concedida imediatamente após o jogo com a UDL)



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