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  - Sábado, Julho 23, 2005

Penafiel 0 – 0 Académica





Treino que compensou

A Briosa fez um excelente treino no complexo desportivo do Luso, frente ao Penafiel esta tarde. A equipa mostrou-se personalizada enquanto houve saúde física, trocou sempre bem a bola com triangulações e jogadas de entendimento de nível de dificuldade elevado. O Penafiel esteve sempre manietado pelo bom jogo (e capacidade de entreajuda) do meio campo e defesa dos Capas Negras.

A Académica apresentou no onze inicial Dani na baliza, um quarteto defensivo composto por Nuno Luís à direita, Zé Castro e Hugo Alcântara no eixo da defesa, e Vítor Vinha à esquerda. Um meio campo flutuante composto por Paulo Adriano (descaindo para a esquerda), Brum e Nuno Piloto (bem no meio do terreno) com Dionattan e Fernando nas alas. Marcel foi o ponta-de-lança, ele que esteve sempre demasiadamente distante dos outros sectores da equipa, lutando sozinho contra os centrais penafidelenses.

Assim o 4-3-3 que Nelo Vingada pretende implementar como modelo de jogo da equipa não teve razão de ser, nem sequer a mínima hipótese de se implementar. Transformou-se rapidamente, pelas vicissitudes do jogo e pela capacidade (e características) dos jogadores num 4-5-1 dinâmico, com tremenda mobilidade. Das posições mais recuadas de meio-campo surgiram sempre as jogadas de maior perigo para as redes do Penafiel. Logo aos 2 minutos uma excelente investida de Vítor Vinha pela esquerda a passe de Fernando (magistral!), poderia ter dado golo, mas Marcel não correspondeu ao cruzamento do jovem número 18. Aos 8 minutos, e como que a comprovar tal fundamentação táctica,mais uma vez Fernando vindo da direita, numa espectacular jogada individual derivando para o eixo do terreno, senta 3 adversários, mas o remate embate violentamente num defensor rubro-negro.

A falta de clarividência imposta pelo cansaço físico, foi sempre compensada ao longo de toda a primeira parte, pelo impressionante espírito de companheirismo que esta equipa revela. Brum, Paulo Adriano e Nuno Luís, foram sempre «Ases» tirados da manga que chegaram e sobraram para as investidas adversárias.


Segunda parte à «Professor Pardal»


O génio inventivo no homem impõe-se em situações de necessidade ou por condicionantes evolutivas. Na Académica da segunda-parte inventou-se muito – mais por necessidade - e o futebol dos estudantes ressentiu-se disso. Mas sem os jogadores perderem nunca o sentido posicional e a vontade de lutar pelo jogo. Antes do inicio do segundo tempo Rafael Gaúcho substituiu o incansável Brum e Sarmento entrou para o lugar de Nuno Piloto. A estrutura da equipa manteve-se, ganhado contudo em criatividade e velocidade. Contudo minutos mais tarde foi a «rebaldaria» total com a entrada de Luciano, Joeano, Delmer, Gelson e Eduardo para as saídas de Marcel, Dionattan, Fernando, Zé Castro e Dani. O jogo deixou de o ser. Nuno Luís jogava a central, Sarmento a defesa direito, Luciano a médio defensivo e Delmer era um vagabundo de meio campo. Joeano e Gelson apareciam na frente. As ilações que poderiam ser tiradas, deixaram de fazer sentido. O jogo transformou-se num aprontou físico ou pouco mais que isso. Os rasgos individuais de Joeano e Rafael Gaúcho eram os únicos vértices lógicos de tão complicado esquema táctico. Logo aos 7 minutos o médio brasileiro poderia ter marcado em excelente rasgo individual. Aos 22 minutos do segundo tempo o número 2 da Briosa quase facturava, mas por inépcia ou gigantismo do guarda-redes contrário as oportunidades saíram goradas.

Para complicar mais tão difíceis contas, entraram ainda Rui Miguel para o lugar de Paulo Adriano e os dois juniores Fábio e Ricardo Tavares, para o lugar de Vítor Vinha e Nuno Luís respectivamente.


Óbvia necessidade de verdadeiros reforços


A Académica é a única equipa da Superliga que detém para o eixo da defesa apenas 3 opções (sendo que o caso Marítimo, não é obviamente contabilizado). Em situações de incapacidade, ou por castigo ou lesão de alguma das opções primárias de Nelo Vingada (Danilo, Zé Castro e Hugo Alcântara) quem ocupará a referida posição?

Se Vítor Vinha foi hoje uma agradável surpresa, pela capacidade atacante, pela garra e empenho, que demonstrou em cada lance , não poderá constituir só por si uma opção válida para o lado esquerdo da defensiva académica. Se o jovem 18 brilhou, deve-o também a Paulo Adriano, sempre inteligente no posicionamento defensivo, tapando muitos buracos no corredor esquerdo.

Os destaques:

Vítor Vinha – Já uma certeza do futebol academista. Não sabe jogar mal, e ponto final. Seja na esquerda, na direita, no centro do terreno ou até no banco de suplentes o médio adaptado espalha classe. Dois bons cruzamentos e um par de investidas. Forte a defender.

Brum – Contagia a equipa com a raça e vontade. Não perdeu um lance a meio-campo e distribuiu jogo sempre que tal foi possível.

Fernando - Uma gazua «tipo gazela» com dois pés que valem ouro. Se aprender a jogar com o colectivo, será certamente uma mais valia.

Joeano – Infeliz na hora de furar as redes, empreendedor na manobra atacante da equipa. Foi sempre uma referência para a equipa depois de entrar do meio-campo para a frente.

Os reforços:

Hugo Alcântara – Duro quanto baste (ou seja muito…), dividiu a marcação individual a Roberto, com Zé Castro. «Charuto» sem cerimónias na altura de destruir, poderia ter comprometido logo aos 18 minutos, quando aliviou mal, dando hipótese a um remate frontal de um jogador penafidelense. Há que dar mérito pela entrega e por ter jogado praticamente sozinho no eixo da defesa nos últimos 20 minutos.

Gelson – Lutador, aguerrido, mexido, mas pouco mais. Parece que por vezes se quis esconder do jogo, brincando ao «gato e rato» com a bola.

Rui Miguel –Duas boas investidas pela direita do ataque, uma possibilidade para marcar aos 38 minutos, mas quis oferecer o golo… Em vez de um remate certeiro, um passe mal medido. Boa técnica individual, raça e velocidade. Um avançado que gosta de jogar com a bola rasteira, bem coladinha ao chão.

Fábio –O júnior jogou com o 23 e merece lugar de destaque.. Os mais desatentos poderiam pensar que Rui Jorge estava já contratado e a jogar. E daí talvez não, porque Fábio mostrava grande velocidade e apetite pela bola! Excelente estreia!


Académica:

- Dani , 12
- Hugo Alcântara, 5
- Marcel, 10
- Dionattan, 11
- Zé Castro, 13
- Vitor Vinha, 18
- Paulo Adriano, 19
- Fernando, 20
- Nuno Luís, 27
- Nuno Piloto, 28
- Roberto Brum, 88



Penafiel:

- Vinicius
- Celso
- Nuno Diogo
- Odair
- Welligton
- Roserto
- Boronad
- José Rui
- Kelly
- N´Doye
- Bruno Amaro


Nelo Vingada:

Nelo Vingada garante que neste jogo treino foi dado “mais uma passo em frente, em que circulámos mais e melhor a bola, sendo que a tendência mais atacante foi da Académica, embora o Penafiel também tenha tido uma boa oportunidade num canto.”
O treinador desvalorizou o resultado e sublinhou que o importante é que “ a equipa, jogo a jogo, semana e semana, está a evoluir.
Desde quinta-feira (treino com o Barreirense) penso que existiu uma evolução, circulámos melhor a bola, um pouquinho mais ligeiros. Vamos continuar a trabalhar, para melhorar, sentindo que estamos no caminho certo.”

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