Apagou-se o campeão!
O Bastião
Não fora o decepcionante resultado ante o Moreirense em casa na pretérita edição da Superliga, e a estatística dos resultados em casa da Briosa, seria certamente um caso sério no futebol português. Esse resultado serve de alerta, um apego a zonas terrenas, de uma época que pode vir a ser, com os pés bem assentes na terra, de sonho.
O primeiro embate da Liga ante o campeão nacional, nada de bom augurava. «Dois ou três secos», foi o que se ouviu durante a semana…A equipa comandada por Nelo Vingada, não se atemorizou, demonstrou personalidade forte, bem explana tacticamente , com garra, vontade e querer bem acima da média.
Dez minutos de incertezas
A Académica entrou mal na partida. Deu o comando do jogo aos encarnados e parecia não querer recompor-se. Nelo Vingada alterou o esquema, recuou Paulo Adriano no terreno e deu liberdade ao vagabundo Fernando. A equipa alicerçou os seus princípios de jogo na solidez de meio terreno, e era de lá que gizava perigosos contra ataques, que amarelaram o sector recuado das águias. Filipe Teixeira, Paulo Adriano e Ezequias eram , na altura, os mais perigosos, aqueles que conferiam velocidade e esclarecimento às acções ofensivas dos Capas Negras.
Repartido
O jogo tornou-se então, repartido. Ocasiões de golo para as duas equipas, com os guarda-redes a corresponderem sempre com eficácia. Pedro Roma fez aos 45 minutos uma intervenção de grande nível, aos pés de Karyaka, num lance onde o fiscal de linha deixou (mal) jogar. O russo estava em clara posição de fora de jogo.
Segunda Parte na mesma toada… Ezequias faz Faísca!
A Académica demonstrou sempre ter mais equipa, mais colectivo, mais espírito de entreajuda do que os seus adversários. Os nomes podem não ser sonantes, mas o suor está todo lá. E chavão do futebol, «as camisolas não ganham jogos». De realçar a exibição de Ezequias. A sua foto estava num panfleto promocional do jogo… Mas o jogador sabe auto-promover-se! Que exibição!
O empate subsistiu até ao final, sendo que o jogo foi sempre pincelado de belas ocasiões de golo, e emotividade. O empate acaba por se ajustar, no final das contas.
EQUIPA DA ACADÉMICA
PEDRO ROMA – Sempre que chamado a intervir respondeu com acerto. Não fez defesas do outro mundo, mas as que fez foi sempre com grande acerto. Não sofrer golos é sempre nota positiva.
NUNO LUÍS – Parece querer confirmar as exibições da passada edição da Superliga. Simão percorreu os seus terrenos defensivos, e nem por isso se fez notar no jogo. Peca por em situações de contra ataque (defensivo) se esconder no miolo, dando a marcação do extremo ao central ou ao médio, fazendo as costas deste.
ZÈ CASTRO - Os passes longos não saíram a preceito na noite de Coimbra. Também é verdade que ninguém se importou… Com tal qualidade de posicionamento, técnica e solidez na saída de situações defensivas para ataque, tudo lhe é perdoado.
HUGO ALCÂNTARA – Alguém terá de o avisar que estava a jogar contra o campeão nacional. Uma fonte inesgotável de despeito, força e imperialismo. Compensa as limitações do seu companheiro de defesa no choque. Um caso sério, esta dupla!
EZEQUIAS - O melhor em campo. Adapta-se a central, gosta de missões defensivas e ataca daquela maneira? Um perigo à solta, um manual inesgotável de fintas e malabarismos, um acerto quase que impossível, na hora de flectir para dentro e rematar. Na noite de Coimbra, Ezequias fez Faísca!
BRUM – Não sabe jogar mal. Cresceu no jogo quando a equipa decaía e acabou em pleno. Destrói e sai a jogar com a mesma qualidade. A confirmação de que uma parede se levantou no meio campo académico.
PAULO ADRIANO – Não começou bem pela falta de rotina no lugar que começou por ocupar. Recuou no terreno, e a sua produção subiu na mesma proporção da exibição da equipa. Fatigado na hora da substituição.
FILIPE TEIXEIRA – Vai ser um dos casos sérios do futebol dos capas negras. Entrega, técnica, disponibilidade e versatilidade, fizeram dele um dos melhores em campo. Jogou condicionado e acabou por sair por precaução. Imagine-se a 100%...
DIONATTAN – Forrest Gump é o seu filme. Quem não se lembra das correrias do americano, quando jogava o «futebol deles», e da necessidade de ter um cartaz «Stop» para saber quando parar? Dionattan corre, corre com a bola, não faz o passe, embrenha-se com os adversários e invariavelmente perde a bola. Fica sempre a sensação de que poderia fazer mais.
FERNANDO – O vagabundo do ataque. Bons pés, olhos na baliza, mas falta de disciplina táctica defensiva. Poderá , ainda, melhorar muito o seu jogo.
MARCEL – Bom, mau, óptimo, péssimo. Nunca um jogador dividiu tanto as hostes académicas. Lutou mas esteve de alguma forma desapoiado nessa luta. Quando os reforços (Gelson e Joeano) chegaram, não tinha já, fôlego. Missão ingrata.
NUNO PILOTO – Deu solidez ao meio de terreno, mas poderia e deveria, ter feito, mais e melhor.
GELSON – Um atacante que entrou para dar solidez ao meio campo. Ainda ajudou no ataque e lutou a preceito. Estreia positiva, pela entrega.
JOEANO – Entrou pleno de garra e afinco. Teve tempo para ganhar um livre perigoso e elaborar uma ou outra jogada de perigo. Ajudou a fechar o flanco direito defensivo em missão de sacrifício.
NELO VINGADA
NELO VINGADA não era um treinador totalmente satisfeito no final do encontro. O resultado pode não ter sido tão mau quanto isso, mas a exibição da sua equipa, a espaços, mereceu alguns reparos. «Não fiquei muito satisfeito do ponto de vista exibicional, sobretudo no primeiro quarto de hora, onde demonstrámos muita ansiedade e intranquilidade. Depois disso conseguimos diminuir o ascendente que o Benfica vinha demonstrando e conseguimos mesmo equilibrar o jogo. O nosso contra-ataque só não resultou na primeira parte porque o Benfica recorreu muitas vezes à falta. Neste capítulo na segunda parte estivemos melhor», admite o treinador para quem o resultado registado «premeia o empenho e entrega ao jogo».
Académica 0
Treinador: Nelo Vingada
4- Pedro Roma
4- Ezequias
5- Hugo Alcântara
10- Marcel
11- Dionattan
13- Zé Castro
14- Filipe Teixeira (67m)
19- P. Adriano (cap.) (78)
20- Fernando (81m)
27- Nuno Luís
88- Roberto Brum
SUPLENTES
12- Dani
2- Joeano (81m)
3- Danilo
9- Gelson (67m)
18- Vítor Vinha
22- Sarmento
28- Nuno Piloto (78)
Benfica 0
Treinador: Ronald Koeman
1- Moreira
3- Anderson
4- Luisão
6- Petit
11- Geovanni (81m)
16- Beto (55m)
17- Karyaka (55m)
20- Simão (cap.)
21- Nuno Gomes
27- João Pereira
33- Ricardo Rocha
suplentes
12- Quim
7- Carlitos
9- Mantorras (81m)
13- Alcides
14- M. Fernandes (55m)
15- Nuno Assis (55m)
18- Dos Santos
Estádio Cidade de Coimbra.
Assistência: 25.084 espectadores.Árbitro: Bruno Paixão (Setúbal).
Auxiliares: Sérgio Lacroix e Pedro Ramos.
Acção disciplinar: cartão amarelo para Luisão (10m), Karyaka (28m), Beto (33m), Nuno Luís (45m), Geovanni (48m), Petit (65m), João Pereira (70m e 89m), Paulo Adriano (75m), Dionattan (79m) e Gelson (83m); cartão vermelho para João Pereira (89m).



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