Empate dos Juvenis em Derby Coimbrão
Calcorreando caminhos de cabras, vinhas e plantações de árvores de fruto, sitiados entre casebres e eucaliptos, lá encontrámos o campo do Paço, lá para os lados da Pampilhosa do Botão. Depois de mais de uma hora de labuta, de um cento de perguntas a quem por lá perto vive – e que acho que a dois passos, não conhece o campo do Paço – lá encontrámos um velhote de traços vincados, acabadinho de sair da «tasca da Cobra», que montou no seu carro e nos escoltou até ao campo de jogos. O diabo do velho tinha «fogo no rabo» e fomos ziguezagueando a toda a velocidade entre curvas e contra-curvas, fazendo jus ao nome da tasca, até ao recinto desportivo. Ao chegar assombrou-me à memória o homem do monóculo e uma passagem do «A Cidade e as Serras»:
«Sacudi violentamente Jacinto:
- Acorda, homem, que estás na tua terra!
Ele desembrulhou os pés do meu paletó, cofiou o bigode, e veio sem pressa, à vidraça que eu abrira, conhecer a sua terra.
- Então é Portugal, hem?...Cheira bem.
- Está claro que cheira bem, animal!"»
O meu delicado nariz não pôde deixar de pensar que se na última frase, em vez de uma vírgula estivesse um «a», Jacinto seria certamente, natural do Paço…
Estacionado o carro pudemos finalmente confirmar que estávamos em presença de um jogo do União. Uma bola «despejada» com violência do campo, bate com estrondo à nossa frente, ricocheteia nas águas furtadas de uma vivenda contígua, e «explode» no tejadilho de um carro, fazendo accionar o seu alarme. Meia dúzia de palmas, e toca a entrar no estádio, que o jogo já havia começado.
A Académica mostrou-se sempre coesa na sua defensiva (especial destaque para os laterais – direito e esquerdo – e para o centro da defesa, onde se destacou o número 5 da Briosa. Um central alto com cultura táctica acima da média e forte capacidade de liderança (liderança positiva invulgar num jovem de tão tenra idade). Sem dúvida o destaque do jogo. Para mais estava a si incumbida a marcação do mais perigoso atacante Unionista, um daqueles que no meu tempo se chamavam de «calmeirões», com técnica refinada. Escreveu a historia do jogo académico com traços de serenidade.
O meio campo e ataque não estiveram, francamente, nada bem. Melhores dias, com certeza virão, mas na manhã de Sábado nada correu como planeado. Muita complicação no centro do terreno, fintas a mais, clarividência de menos. Por vezes mostra-se mais num jogo simples e directo, que em meia dúzia de fintas embrulhadas que acabam com a bola nos pés do adversário.
O ataque, mal servido, foi quase que, inexistente. Uma ou outra cabeçada, um ou outro apontamento, uma ou outra correria e pouco mais. De notar a excelente réplica dada pela miudagem da arregaça. Raçudos a defender e com um avançado fixo na frente, de grande qualidade (altura e corpo…), imprimiram sempre uma toada agradável ao jogo, sendo até a espaços dominadores.
Rui Silva, o treinador da Briosa, tentou sempre rumar contra a maré, tentando imprimir outro tipo de jogo que não aquele disputado. Esforços inglórios, o nulo manteve-se até ao final. Justiça feita!
ACADÉMICA:
1 Bruno Faria
2 Rafa (Cap.)
3 Hernâni > 63´
4 Eduardo Joanico
5 Makukula
6 João Pedro
7 Galvão
8 Fábio Pereira > 50´
9 Miranda > 50´
10 João Pedro Rodrigues
11 David Matado
Suplentes:
12 Francisco
13 Samuel < 63´
14 Barreto
15 Figueiredo < 50´
16 Peixinho
17 André Silva
18 Vinhas < 50´
Treinador: Rui Silva
UNIÃO DE COIMBRA:
Miguel
J. Miguel
Kata (Cap.)
João Amaral
Moita
Alexandro > 79´
Alex
Marcelo > 62´
Vasco > 53´
Luís
Reinaldo
Suplentes:
Diogo
Branco < 62´
Joel
Figo
Hugo André < 79´
Pinheiro < 53´
Treinador. Hermínio Moita
Equipa de Arbitragem:
Árbitro: Licínio Santos (Leiria)
Auxiliares: Patrick Pinto e Álvaro Nunes
Ao intervalo: 0-0
Análise individual:
Bruno Faria – Pouco trabalho teve ao longo do encontro. Sempre que foi chamado a acções de responsabilidade correspondeu com empenho, determinação e segurança.
Rafa (cap) – Certo na marcação ajudou sempre os centrais na marcação às rápidas investidas do contra-ataque unionista. No plano atacante poderia ter feito algo mais. As acções de tabela com os companheiros teimavam em não sair e a sua acção, foi por isso, limitada.
Hernâni - Muito combativo, mostrou que raça e abnegação não faltam. Subiu a propósito, mas por vezes a sua entrega ao jogo, demasiadamente físico, diminuem a sua capacidade de leitura táctica.
Eduardo Joanico – O companheiro de Makukula no eixo de defesa mostrou postura e capacidade de entrega. Bom posicionamento no eixo da defensiva.
Makukula – O melhor em campo. Um esteio defensivo que secou as investidas do União. Excelente na marcação e subidas no terreno sempre com inteligência. Parece um líder, daqueles mais crescidos…
João Pedro - Varreu a bom varrer o meio de campo enquanto a força física assim o permitiu. Mostrou igualmente que detém capacidade técnica. Necessita de alguma correcção no posicionamento em campo, mas no global uma actuação positiva.
Galvão – Algumas investidas no ataque, uma corrida aqui, outra ali, mas na generalidade uma exibição pouco conseguida. Tem capacidade para mais e melhor.
Fábio Pereira – Tem na sua visão de jogo e posicionamento táctico as suas melhores armas. No jogo contra o União perdeu-se em fintas e numa necessidade quase inexplicável de complicar o jogo. Mal no capítulo do passe.
Miranda – Lutou sozinho enquanto as forças assim o permitiam. Cedeu o seu lugar após lesão. A recordar a combatividade e entrega.
João Pedro Rodrigues – Ajudou sempre que solicitado o meio campo mais defensivo, mas não esqueçamos que as suas funções são atacantes…
David Matado – Passou ao lado do jogo. Investidas pelos flancos sempre bem anuladas pelos defensores contrários.
Figueiredo e Vinhas – Entraram e deram alguma consistência ao jogo da equipa. Bem nas acções de recuperação.
Samuel – Lutador q.b.



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