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  - Domingo, Setembro 25, 2005

Vitória difícil no Luso



O resultado embora dilatado, não reflecte a essência do jogo. A Briosa sentiu muitas dificuldades em levar de vencida a turma do Vizela, que deu luta, foi aguerrida e detém dois ou três jogadores de qualidade excepcional.

A Académica foi surpreendida com trocas de bola rápidas e objectivas que rasgavam todo o meio-campo e sector defensivo dos capas negras. O golo dos azuis e brancos surgiu numa dessas rápidas jogadas de ataque, em 4 toques de simplicidade. Um bonito golo quase que a abrir o encontro, aos nove minutos, por Israel.

O meio-campo académico não funcionava, demasiadamente desgarrado, partido em dois. Ataque e defesa não se interligavam enquanto equipa e os espaços no centro do terreno era demasiadamente notados para não serem aproveitados pela equipa do norte.

O jogo não parecia querer mudar, até ao golo do empate Académico. Tó Zé no seguimento de um canto exemplarmente marcado por Ito, correspondeu com eficácia e de cabeça fez o empate. O ponta-de-lança da Briosa rubricou uma exibição bastante positiva, sendo o dínamo de ataque e o finalizador revelado por essência, mesmo quando as coisas não corriam tão bem. O Vizela sentiu o golo, a Briosa reagrupou-se, modificando o seu jogo defensivo, muito pela acção dos homens de meio terreno que actuavam à frente da defensiva. Recuperaram muito mais bolas, correram muitos mais tendo como resultado o atrofio completo do jogo do adversário. Já na segunda parte em jogadas de pique de velocidade e entendimento os capas negras dilataram a vantagem. Pedro Ribeiro a passe de Tó-Zé encostou para o 2-1, e o mesmo Tó-Zé com chapéu de brilhante execução fechou o placard em 3-1 , perto do final da partida, aos 84 minutos.



Destaques positivos:


1- Tó-Zé: Embora nestas coisas da bola a idade engane, parece ser um jogador de ataque de futuro. Força, velocidade e técnica de finalização são atributos que não lhe podemos negar. Dois golos e uma assistência para outro, fazem dele o homem do jogo. Peca por forçar em demasia a falta quando recebe a bola de costas para o defesa. Aos 20 minutos já o árbitro não ia na cantiga, e os contra-ataques gerados por tal situação poderiam de facto ter sido fatais.

2- A vitória dilatada ante um dos líderes do campeonato. 4 vitórias consecutivas, 12 pontos, 16 golos marcados, 5 sofridos, são reveladores da qualidade de jogo que a equipa neste momento patenteia.

3- As substituições de ataque produzidas pelo treinador Tó Miranda resultaram na perfeição. Lançou duas gazuas, uma bem afiada à direita do ataque, que esventraram por completo o Vizela.

4- A presença de notáveis no jogo. Não apenas o Presidente da Académica e o treinador da equipa profissional, o Prof Nelo Vingada –que a meu ver deveriam ser sempre presenças habituais, directamente ou por intreposta pessoa – mas igualmente figuras como Paulo Adriano, Dimas, Arnaldo e obviamente o senhor Fernando. Esquecia-me, quase que, de mencionar o homem da banca da fruta por detrás da penitenciária que se lamuriava constantemente pelo estado do esférico… «Está toda torta, a bola…», bramia essa mítica personagem.


Destaques negativos:

1- O posicionamento de Ito no lado esquerdo da defensiva. O rapaz bem queria mostrar algo, mas com tal missão em campo era difícil. Sempre que pegava na bola criava perigo. Via-se que queria algo mais, subir a preceito. Foi positivamente desperdiçado.

2- A forma como a Briosa se deixou dominar nos primeiros minutos do encontro. Por momentos, todos pensámos que aquela iria ser uma tarde para recordar…por factores menos positivos.


«O Penetra»


Havia bilheteira no Luso. 3,5 euros por bilhete para um jogo de juniores, não se pode considerar acessível. Em tempo de reflexão sobre o preço dos bilhetes, o encontro do centro de estágio do Luso, poderia bem ser laboratório de experiência. Os afectos ao Vizela bem queriam entrar no recinto, mas com tal exorbitância preferiram ficar no parque de estacionamento em posição elevada e de boa vista face ao relvado. Um dos adeptos do Vizela, farto de ver o jogo aos quadradinhos, saltou o gradeamento e entrou para a bancada. Esqueceu-se que, eventualmente, um dia teria de sair do campo e que a bancada para onde tinha saltado estava fechada. Como a posição do parque de estacionamento face à bancada é elevada era missão quase impossível voltar pelo sítio de onde originariamente tinha surgido. Único local de fuga possível? O salto para o relvado, rumo à liberdade. O problema é que no relvado se encontravam cinco zelosos GNR que lhe barravam a passagem. O «bicho» estava furiosamente «enjaulado» e por lá ficou, pelo menos até ao Simplesmente Briosa rumar a Coimbra. Quase que 30 minutos depois do final do jogo…