Com toda a cagança, ganharam mais um jogo!
Jovens corajosos, aguerridos que não viram a cara à luta.
Uma vitória sofrida, mas por isso mesmo, mais festejada no final.
Esta foi uma das mais difíceis vitórias da Briosa, ante um adversário valoroso com boa capacidade táctica e coordenação defensiva, bons movimentos de circulação de bola e alguma objectividade nos caminhos que pretendia utilizar até à baliza de Luís Pinto. A Briosa teve de deixar toda a sua capacidade de entrega ao jogo em campo para conseguir levar de vencida os pupilos orientados pelo ex-jogador do Estrela da Amadora e Beira-Mar Jorge Neves.
A Académica entrou disposta a afirmar a sua condição de primeira classificada no campeonato e a querer fazer um jogo de bola no pé, com jogadas afirmativas que marcassem a diferença, mas cedo se percebeu que enquanto os «Jogadores da Ria» tivessem pernas o jogo não seria fácil. Tal acabou por se confirmar com o 4x3x3 que Tó Miranda idealizou para atacar o primeiro tempo a ser manietado pela sobriedade de movimentos das duas linhas de meio de campo dos de Aveiro. Tó Zé esteve sempre muito só na frente, a bola não lhe chegava, porque as alas não funcionavam e o meio-campo ofensivo não conseguia criar jogadas ofensivas.
Resende, avançado-extremo do Beira-Mar abriu o activo no marcador e as coisas ameaçavam ficar complicadas, com o espectro da primeira derrota a pairar sobre o símbolo académico. Os Capas Negras perderam toda uma primeira parte em missão de desgaste ao seu adversário e aos 43 minutos viram-se obrigados a virar toda uma táctica de jogo, perante um adversário (só com empates na prova) que sabe bem como manietar jogo ofensivo.
Ito, visivelmente – e compreensivelmente – cansado, depois de treinos puxados pelos seniores e de um jogo-treino (pelos seniores, na quarta-feira) pelo meio, não conseguiu dar a dinâmica de jogo necessária pelo flanco esquerdo, nem sequer os rasgos para o meio de terreno, que tão bem o caracterizam. Começou o jogo, mais recuado, como defesa-esquerdo, avançou no terreno perto da meia hora da primeira parte, trocando de posicionamento com o seu companheiro de ala, mas nunca rendeu o que dele sempre se espera. Foi substituído, logo nos primeiros minutos da segunda parte, impossibilitado fisicamente de dar o contributo efectivo ao modelo de jogo da equipa.
Na segunda parte o encontro começou com uma Académica afoita, mas que progressivamente foi perdendo algum gás, à medida que os consecutivos ataques, esbarravam no muro defensivo aveirense. Os elementos mais esclarecidos do jogo académico eram o capitão Ricardo Tavares ( um verdadeiro dínamo de meio de campo) e o seu parelha, mais avançado Rui Esteves.
Aos 84 minutos, já com alguma descrença apossada das hostes de Coimbra – o número 10 aveirense havia já sido expulso por acumulação de amarelos – depois de treinador da Académica, e bem, ter modificado o modelo táctico de um 4x3x3 dinâmico, para um 4x2x4 que partiu completamente o jogo, despedaçando todos os sectores do até então, bem organizado adversário, chega o penalty (sem qualquer margem para dúvida nesse lance) que Rui Esteves, com serenidade, converteu em golo.
A Académica percebeu que a vitória estaria a uma questão de minutos. Minutos esses, que teriam de chegar, necessariamente, antes do apito de final de jogo por parte de árbitro…
Nos grandes momentos as grandes equipas transformam-se, e a Académica transformou-se. Os grandes jogadores aparecem, e Tó-Zé marcou dois golos a fechar a partida (90 e 92 minutos) bem assistido pelos seus companheiros das alas.
A Académica venceu a partida, num jogo de nervos, com rasgos de bom futebol no seu final. Os rapazes, mereciam sem dúvida, o apoio de muito mais público.
Uma causa pela qual a Mancha Negra e os adeptos em nome individual, deveriam unir esforços.
Eles já puxaram em demasia por nós. É a nossa vez de torcer por eles!
Destaques positivos:
Rui Esteves e Ricardo Tavares – Se o primeiro distribuiu jogo, alinhou o desatino do jogo atacante na primeira metade da partida, o segundo correu kilometros, posicionou a equipa e mostrou porque é o capitão. Um verdadeiro líder.
Tó Zé – Um ponta de lança à maneira antiga, possante, que joga de costas para a baliza e aparece, tal qual fantasma para fazer golos na pequena área. Um caso sério.
Tó Miranda – A equipa sabe o que fazer em campo de demonstra uma maturidade fora do comum. Não são juniores que estão em campo. São já jogadores da bola, sabedores da missão que cada um desempenha. Ao modificar o esquema, colocando dois homens no meio e dois bem abertos nas alas, acabou com o Beira-Mar. Aplausos por isso.
Luís Pinto – O guarda-redes da Briosa, falhou neste jogo, dando um monumental frango que valeu o golo aveirense. Não nos esquecemos, contudo, que salvou já a equipa, em diversas ocasiões e que tem como ponto forte a serenidade na saída aos cruzamentos, algo difícil de encontrar na posição específica em que actua.. Uma destas acontece a todos. Força Rapaz! Grande atitude.



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