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  - Domingo, Outubro 23, 2005

De volta ao amargo das derrotas...

Quebrou-se o ciclo de vitórias da Académica. Esta tarde, no Cidade de Coimbra, os "estudantes" perderam com o eterno rival U. Leiria por 1-3.

















Uma lição dos alunos ao professor. Usaram rituais de magia, poções de sapos e asas de morcego, uma pitada de potássio, num caldeirão fervente. O raio da poção resultou e parece que a Académica foi anestesiada. Ou pelo contrário o Leiria veio «vitaminado».

A Briosa prendeu em si mesma, os seus diversos sectores. Amarrou a defesa ao meio-campo encostou Roberto Brum aos centrais, e Nuno Piloto e Paulo Adriano, completamente deslocados no terreno. À esquerda o 19 é mesmo um «0», e Nuno Piloto, não esteve nem a 28% das suas capacidades. Talvez pela pequena maleita que desde há algumas semanas o afecta. Começou contudo, enquanto o jogo estava fresco, bem a Académica. Marcel esteve perto do golo logo a abrir, aos 3 minutos, e marcou quando o relógio atingiu os dois dígitos. A partir daí o jogo caiu e os Capas Negras afundaram-se no fosso, que eles mesmos cavaram. Filipe Teixeira, Marcel e Lira foram os únicos que de quando em vez tentavam, por uma ou outra razão, espevitar o público. O golo do Leiria chegou, numa falha defensiva que precedeu a marcação de um canto. Como um azar nunca vem só, a Briosa haveria de sofrer mais dois golos.

Nelo Vingada trocou Paulo Adriano por Filipe Teixeira, o capitão passou para o centro do terreno, e a Académica parecia querer espevitar nos primeiros minutos da segunda parte. Mas cedo se percebeu que o flanco direito não funcionava. Nuno Luís não estava para correrias e Luciano não tinha o fulgor de outras semanas. O bólide académico que se apresentou em Lisboa, assemelhou-se a uma lata velha. Nada mais apropriado em época de festança da Latada.

Acabou aí o jogo. Era claro que os bruxos iam ganhar o jogo montados nas vassouras das alas de ataque. Apenas um apontamento. Marcel estava isolado ante o guardião leiriense, e o fiscal-de-linha, com tanto de careca como de vesgo, anulou um lance plenamente legal ao ataque académico. Era o 2-1 e uma história diferente a ser contada nas agradáveis discussões de café pós-jogo!

Mas tal não aconteceu e não houve reacção possível. Nelo Vingada arriscou a clássica substituição do futebolês, tirando um defesa-esquerdo para meter no jogo, um atacante e mais uma vez, a clássica substituição deu asneira. Se o jogo dos do conspurcado rio que lhes dá o nome, se fazia pelas alas, era óbvio que tal substituição só traria à equipa uma boa dose de nitrofuranos e detritos animais…

Até ao final do jogo, mais umas quantas oportunidades, uma equipa partida e mais um golo. É melhor ficarmos por aqui.

Hoje não adiantava rezar a Jesus. Afinal o homem estava a «magicar», no banco do Leiria…

Análise Individual:

Pedro Roma – Mal batido no primeiro golo, mas defendendo mais 3 ou 4 oportunidades claras, em que jogadores do Leiria estavam isolados. Nunca neste campeonato havia sofrido tanto golo…

Nuno Luís – Só me apetecia comprar-lhe uma lambreta no intevalo. Porra, que hoje o defesa-direito, que tão boas exibições tem assinado, nunca carburou. Lento,muito lento…

Hugo Alcântara – Exibição positiva. Limpou diversos lances de perigo, soube comandar com garra a defesa, mas foi impotente para travar a coluna de ataque leiriense. Falhou uma vez, quando já toda a equipa tinha falhado.

Zé Castro – Curiosamente, a ele podemos aplicar, tudo o que foi dito acerca do companheiro de defesa.

Lira – Poderia ter feito algo mais, mas o que fez, deu para cumprir em termos defensivos.

Roberto Brum – Mal, muito colado aos centrais, deixou o meio campo ligado à máquina, num hospital sem electricidade. O jogo necessitava de uma massagem cardíaca urgente que o 88 não soube, ou não pôde dar.

Paulo Adriano – A prova provada da incongruência matemática. Enquanto esteve encostado à esquerda, o 19 valeu sempre 0. Depois ao meio, forçou um pouco mais. Mas sem nunca deslumbrar.

Nuno Piloto – Embora condicionado fez um jogo de esforço. Poderia ter sido importante no estancar dos lances ofensivos, na esquerda da defesa, na parte final do jogo, mas não aguentou…

Filipe Teixeira – É um regalo vê-lo dominar a bola, lançar ataques e fintar. Infelizmente ontem, a equipa não quis nada com ele. No lance da segunda-parte, no do «túnel» pedia-se uma boa dose de egoísmo que o voluntarioso jogador, não tem como demonstrar.

Luciano – Alguém avise o rapaz, que ontem houve jogo em Coimbra, por favor. É capaz de muito mais e melhor.

Marcel – Um golo, duas oportunidades falhadas, um golo gamadíssimo e mais do habitual. Uma data de assobios e uma mão cheia de aplausos.

Fernando – Falhou um golo, isolado, e recreou-se vinte e tal minutos com malabarismos de circo. Os palhaços, fomos nós, que assistamos ao espectáculo. É um jogador que quando se auto-capacitar do que pode fazer, pode trazer grandes alegrias. Enquanto não o fizer, vai-se divertindo a colocar «narizes vermelhos em forma de batata» nas nossas pasmas carantonhas.

Joeano – Sangue, suor e lágrimas. Deixa a pele em campo, duas vezes por semana, durante 10 minutos. É tempo de, mais uma vez exigir. Em casa, Marcel e Joeano na frente, porra!

Zada – Bons apontamentos. A rever. Entre o caos do jogo distribuiu – e bem – umas quantas sarrafadas. Pena que nenhuma tenha atingido «o linha».

*por Embriolado