O Jogo foi de quem o viu!
O jogo, foi hoje, de quem o viu. Uma tarde memorável, que merecia mais público a apoiar a equipa. Contudo, os que lá estiveram, não deixaram créditos por mãos alheias, gargantas fanáticas que cem pareciam 20 mil. O lance do 2-2 foi a loucura total. Um só grito, pastas de trabalho pelo ar, bengalas, bonés… Muitos mais mereciam uma tarde louca destas.
O jogo começou com a Académica a jogar no seu 4x3x3 demasiadamente habitual, apenas com mudanças formais nos nomes dos jogadores ( Dani, Ezequias, Pedro Silva e Fernando, entraram para os lugares de Pedro Roma, Nuno Luís e Filipe Teixeira). Nomes esses, nomeadamente Ezequias e Pedro Silva, seriam importantes na trama do desenlace final. Actores principais, atrever-me-ia a dizer.
Pedro Silva como defesa-direito, a dupla habitual de centrais, Ezequias pela esquerda, meio-campo reforçado com Roberto Brum, Nuno Piloto e Paulo Adriano e o tridente de ataque, quase sempre sem propulsão, constituído por Fernando, Luciano e Marcel.
A Briosa pegou no jogo e comandou claramente as operações no primeiro tempo. Mesmo jogando mal, os comandados de Nelo Vingada eram donos e senhores da bola. Os defeitos foram os de sempre, nos jogos em casa. Um meio-campo demasiadamente colado ao sector defensivo e uma inoperância total no apoio ao ataque, com Marcel muito sozinho e um Luciano que tentando acompanhar o 10 de ataque, deixava de jogar pelo flanco direito e consequentemente perdia a possibilidade de criar desequilíbrios.
O Marcador avança em lance quase que casual
O Gil chegou à vantagem, nem sabe bem como. Um golo de pura sorte, alguns ressaltos e uma lentidão atroz de Dani a sair da baliza. A vantagem chegou no início da segunda parte,deixando a Briosa em difuculdades para voltar ao jogo e virar o resultado. A Académic sabia que tinha de render muito mais para levar de vencida o teimoso galo, que em breve seria afectado por um surto de gripe que o iria deixar caído, redondo no chão.
Anti-jogo vergonhoso
A segunda metade do desafio, foi quase toda ela marcada pelo vergonhoso anti-jogo da turma de Barcelos. A Académica não tinha como reagir ao ridículo estratagema de jogo de Ulisses Morais e os nervos comandaram quase sempre as pernas. Apenas com a entrada de Joeano aos 57 minutos para o lugar de Paulo Adriano impeliu a equipa para a frente, deu outra motivação (e mais espaços jogáveis) a Marcel e realmente a Académica controlou. Foi contudo, impedida de produzir futebol pelo anti-jogo miserável dos gilistas. À medida que a Briosa crescia, a estratégia cobarde do Gil Vicente tornava-se mais desconcertante. Nelo Vingada, nos minutos finais manda avançar Hugo Alcântara que viria a ter papel fundamental no desenlace da partida. No entremeio os estudantes, desequilibrados para a frente, sofriam o segundo golo. Era um golo para animar a coisa. Estava na hora do passe de mágica.
Joeano e Hugo Alcântara garantem uma passagem dramática
Foram sete minutos de emoção pura. Raiva. E mérito de nunca desistir. Ao fim ao cabo também uma lição de vida. Brum, Pedro Silva, Hugo Alcântara, Ezequias, Joeano e Luciano, personificaram um espírito de índole verdadeiramente académico. Se é difícil definir o que é ser Académica, aqueles sete minutos valem por muitas palavras de um qualquer dicionário junto da secretária. Foi emoção no seu estado mais puro.
Os golos, os gritos, o sentido de justiça que se revelou. Uma única euforia. Não mais houve táctica, nem isso para aqui interessa. Ganhamos por 3-2!
Estádio Cidade de Coimbra.
Assistência: 689 espectadores.
Árbitro: Olegário Benquerença(Leiria)
Assistentes: Luís Marcelino e Valter Oliveira.
Ao intervalo: 0-0.
Final dos 90 minutos: 2-2.
Marcadores: Leandro Netto (47m e 90m+1), Joeano (90m+6), Hugo Alcântara (90+7m e 93m).
Acção disciplinar: Cartão amarelo para Pedro (23m), Bruno Tiago (40m), Roberto Brum (76m), Rodolfo Lima (85m) e Gouveia (122m).



| << Voltar ao Inicio