Analíse do Relatório e Contas Simplesmente Briosa.

A nossa análise subjectiva
Alguém um dia escreveu que a análise de um Relatório e Contas não é mais do que olhar para uma fotografia. Não podemos ter a pretensão de olhar para o filme todo, mas apenas captar um fragmento, um instante, uma centelha de tempo arrancada da realidade temporal da vida de uma empresa ou de uma qualquer forma de sociedade. É como olhar para um fragmento de película de filme sem ter a pretensão de querer ver a trama do início ao fim.
E como é natural, é mais ou menos arbitrária, dentro de certos parâmetros, as perspectivas que analisamos a fotografia. A coisa é mais ou menos assim. Imagine-se uma fotografia de um casamento. Numa herdade rural. Em primeiro plano os noivos. Aperaltados, noiva aprumada e noivo sorridente. Acaso dos acasos, pastavam por detrás, nas colinas da dita herdade, uma manada de bovinos. Como muito pasto comem,
muito pasto…bom…enfim, já se sabe. Uma enorme mancha de estrume invade o canto superior da fotografia. Ao mostrar a foto do casamento, muitos dirão «Que bem que estão os noivos!». Outros haverá, que menos dados às lides do contrato de casamento, dirão «Chi! Que grande estrumaria para ali vai ao fundo!». A análise depende sempre do olhar de quem a alcança, o que não quer dizer, que uma ou outra análise visual esteja errada. O que estaria certamente errado, era apenas vislumbrar a bosta, ou apenas agraciar o casal de noivos.
Os números não são realidades estáticas, muito menos analisadas no âmbito do financeiro, pela óptica das remunerações de factores produtivos (despesas) e com o rendimento de bens recebidos e com os bens de serviço vendidos (receitas). O que cada um de nós enquanto gestor faz com esses números é a verdadeira essência da perspectiva económica da realidade empresarial. A maneira como se gasta e compra, como adequam despesas a receitas, como se potenciam fluxos reais de entrada e fluxos imediatos, diferidos ou autónomos, (fluxos financeiros de contrapartida) é que interessa realmente analisar. A análise de tesouraria não pode ser nunca desafectada, rasgada, face a análise económica e igualmente da vertente financeira. Parece pois que a ciclópica análise de um dos factores, de apenas uma das premissas sem olhar para o «conjunto da fotografia» pode deixar de lado os verdadeiros critérios de gestão e pasme-se, até os verdadeiros resultados do exercício!
Quem em seu perfeito juízo de valor pode afirmar que a Briosa não fez durante a época passada um forte ciclo de investimento (ou como alguns lhe pretendem acintosamente chamar,passivo), reciclando activos, transformando moeda em activos físicos, cujo resultado não possa ser visto numa análise de curtas vistas de um simples período económico? Esse rendimento terá de ser, forçosamente discutido ao longo dos anos, em ciclos económicos emparelhados. A recuperação do investimento terá de ser feita, não tenhamos disso dúvidas, através de vendas posteriores (obviamente após se ter incluído no custo da produção o valor das reintegrações).
Alguém pode dizer outra equipa mais valiosa, não em termos desportivos (esses de subjectiva análise), mas na forma real de valor dos passes de jogadores, do que a do presente momento?
Alguém pode afirmar que os Campos do Bolão existiam (e as suas realidades físicas corpóreas, à vista de todos)e estavam por lá há 10, 12 anos? Há 2 anos? Não. Como ainda ninguém nos convence que os tijolos e cimento empilhados nascem de geração espontânea, ou pululam como cogumelos e fungos, sem ajuda do capital, poderemos perceber melhor, estas contas do consolidado. E lá nos demos ao trabalho de ir ver ao relatório e contas. Por lá estavam, sim senhor, um aumento de mais de 1.468.244,76 euros em activos de Imobilizações Corpóreas referentes a «Edifícios e outras construções». Em 30 de Junho de 2004, 1.661.342,54 euros. Um ano exacto volvido 3,129,587.30 euros referentes a tais existências. Igualmente cresceram activos na forma de «Equipamento básico», «Equipamentos de Transporte», «Ferramentas e utensílios» e «Outras imobilizações corpóreas». A tudo isto, corresponde uma fatia no bolo dos activos de aproximadamente (e por defeito às centenas) de 497 mil euros. Repito, num ano de exercício.
Também em dívidas de curto prazo, das quais somos credores e das quais existem garantias especialmente reforçadas do recebimento e que correspondem ao valor nominal das dívidas de terceiros o valor é de 1.216.023,53 euros. Também aqui a Briosa efectivamente cresceu. 1.0826.614 Euros, para ser mais preciso.
No domínio da equipa de futebol, também as coisas se alteraram e muito. A equipa encontra-se valorizada no domínio do Balanço e Demonstração de resultados, de forma séria e até (mas esta análise no plano subjectivo, passível de discussão) subvalorizada no momento em que estas linhas são escritas. 2,615,777.euros. Tal foi feito pela adequação às normas legais imperativas e diplomas de referência sobre tal matéria. Assim os passes de direitos desportivos sobre os jogadores (bem como os prémios de assinatura de contratos acrescidos dos respectivos encargos patronais e montantes pagos a intermediários pela celebração dos respectivos contratos), encontram-se registados aos preços de aquisição. Igualmente as amortizações foram registadas e calculadas segundo método de quotas constantes, às taxas correspondentes à duração dos contratos celebrados com os respectivos jogadores.
Não tem fundamento o argumento da sobrevalorização de activos – jogadores – em final de contrato. Não existe nenhuma mais-valia de monta impregnada na detenção dos direitos desportivos de jogadores como Zé Castro ou Nuno Piloto. Financeiramente falando. O valor destes jovens valores no activo consolidado é diminuto, quase sem expressão pelo exercício de contabilidade que foi, e bem, idealizado.
Na óptica das despesas podemos aferir o facto claro de as remunerações com o pessoal terem aumentado de forma significativa. A Académica Organismo Autónomo de Futebol tem obrigações contratuais laborais com mais de 67 funcionários remunerados. Em mera operação estatística de divisão simples, ronda per capita, o valor de anual de pagamento na forma de salários, 59 mil euros (ano). Cada funcionário, estatisticamente aufere cerca de 4.200 euros mensais. Um valor alto, que se explica pelo forte investimento na equipa de futebol, mas que necessita de um forte backgroud de fluxo real de entrada. Quer em operações de exploração, quer em operações financeiras múltiplas.
Foi notório o recurso ao crédito bancário ( 1.450.000,00 euros) que tem a desvantagem de uma taxa de juro regra geral elevada, mas que pode ser repetidamente negociada. Para mais estes empréstimos foram transformados em investimento que se bem geridos, poderão constituir mais-valias directas de forma extraordinária a cadência «ordinária». Também existe uma parcela de real valor de adiantamentos a clientes (100.000 euros) que prevêem já outros investimentos, que detém já formas elaboradas de pagamento que começaram a ser efectivamente pagas.
De notar, que se demonstra, no exercício desta gestão, que as dividas face ao Estado para além de terem decrescido no período de um ano civil, são de irrisória monta. De notar ainda, que não estão contabilizadas nas dividas ao Estado, as dívidas provenientes de uma notificação das Finanças para o pagamento em sede de IRC dos exercícios de 1991 a 1996, num montante de 724.374,83 Euros aos quais acrescem juros de mora. Este montante não foi contabilizado por impugnação do contribuinte.
No campo dos proveitos directos provenientes da venda de mercadorias e produtos, nada de especial se passou. Bem pelo contrário. Terá de passar por aí, grande parte das mudanças estruturais do próximo mandato. Capitalizando os proveitos de forma contínua e duradoura, poderemos criar hábitos de compra, de vontade de aquisição da marca «Académica». Revolucionar as estruturas publicitárias (mesmo durante os jogos) e promover uma colagem do símbolo às exigências das camadas etárias mais novas. Tornar apetecível ser Briosa aos mais jovens.
Esta pequena resenha daquilo que é hoje, uma foto tipo passe-vite da Briosa, permite aferir uma forte vertente de investimento em tempo de crise. É esse investimento, não tenho qualquer tipo de dúvida nisso, que vai definir o futuro próximo da Briosa. Há que dar mérito a quem reuniu estas fontes de proveito. Quem mobilizou o investimento e o crédito a baixo-juro. Mas mesmo assim, não tenho qualquer tipo de dúvida, as pessoas serão cobradas, se os proveitos resultantes do investimento não sanearem a Académica. Se forem mal reinvestidos. Se não gerarem os retornos esperados.
Este é o momento crucial da vida Académica. Nunca estivemos tão bem e ao mesmo tempo, tão perto da tentação da queda. Este é o momento de apostar na formação. Os terrenos do Bolão nada valem, acusam. Ninguém compra ou toma de arrendamento comercial um espaço físico daquela monta, ditam. Nada valem, portanto. Pergunto, qual a forma de capitalização mais directa do futebol. Não serão as mais-valias geradas pelos jogadores? Mais-valias essas, financeiras e desportivas, que se tornam novamente em financeiras. A aposta no jogador jovem é a chave para o pagamento dos campos do Bolão. E a sua mais óbvia forma de rentabilização. Quem ama de facto o futebol (na sua vertente do aproveitamento de jovens jogadores) não pode nunca acusar o investimento feito no complexo desportivo. Acusem antes, ou não, a falta de aproveitamento dos produtos que dele advirão. Este é o momento de apostar em vender bem e comprar melhor. No momento certo. No timming correcto. Sem pressões de adeptos, jogadores ou empresários intermediários. Será o lucro das futuras receitas extraordinárias provenientes da venda de passes de jogadores que ditarão as leis imediatas do futuro do clube. Este é o momento de aproveitar a fonte constante do dinheiro proveniente do contrato com a TBZ. É o momento de procurar novos mercados e explorar novas formas de retirar lucros de novos proveitos adormecidos. É hora de aproveitar o símbolo e a Marca. Gerar receitas através dela. É hora de estabelecer ligações à Universidade.
O caminho aguarda os nossos passos. Que sejam firmes e confiantes.
Simplesmente Briosa.



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