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  - Quarta-feira, Novembro 30, 2005

Esclarecimento sobre o Jornal da Académica




«Tendo, por minha iniciativa, posto à disposição do Dr. Fernando Pompeu este blog, para esclarecer as dúvidas existentes, em relação às acusações de que foi alvo, na Assembleia Geral da AAC/OAF, recebemos do mesmo o seguinte texto.

" Escrevo para os Pardalitos do Choupal, porque dos sítios na Internet que conheço acerca da nossa Briosa, me parece o mais livre e independente.»
«Pelo que tenho lido, critica-se a Direcção, os técnicos e os atletas quando é de criticar».

«a minha intervenção neste sítio destina-se fundamentalmente a esclarecer questões relativas ao «JORNAL ACADÉMICA» ( e à Sociedade Privada que o tornou possível - a Sociedade Académica de Publicações e Produções), da qual fui Director, com responsabilidades exclusivamente editoriais, desde a sua fundação em 1997 e até Dezembro de 2002, data na qual foi extinta a publicação por decisão da Comissão de Gestão da AAC/OAF, então presidida pelo saudoso Dr. João André Moreno.»

«Faço-o a propósito das referências ao meu nome, na última AG da Briosa, por parte de um colaborador da actual Direcção, o qual se terá referido a proventos que auferi pela Direcção do periódico citado, sem que pudesse ter tido a oportunidade de esclarecer a questão de viva voz»

« Esclareço que o jornal nasceu em 1997 por vontade própria de 4 associados da Briosa.»

«Nessa altura o jornal surgiu como projecto completamente amador, sendo os 4 nomes citados os responsáveis directos por todas as suas envolventes, designadamente a sustentabilidade financeira, assegurada dos próprios «bolsos» dos fundadores, desde 1997 e até 2000.»

«Nunca até esta última data os associados citados auferiam quaisquer proventos do lugar que ocupavam na gestão do jornal»

« limitando-se a Direcção da Académica de então a apoiar a ideia e a ceder a logística para que o jornal pudesse ser feito e saír para as bancas.»

«Em 2000, decidiu a Direcção da Académica - ante alguns prejuízos acumulados pela Sociedade gestora do jornal e a possibilidade de o jornal ter de deixar de sair para as bancas - assumir a maioria do capital da Sociedade tornando o projecto profissional»

«utilizando-o como oferta publicitária aos patrocinadores da instituição, mediante o compromisso de pagar ao jornal os espaços ocupados com essa publicidade, por forma a assegurar a sua continuidade.»

« todos os participantes passaram a ser remunerados, a saber o Director, o Jornalista principal, um Jornalista Estagiário (pago à peça) e dois Paginadores/Grafistas (igualmente pagos por edição).»

«Desde essa altura o jornal saiu sempre semanalmente, cresceu em termos de qualidade e começou a chegar a todas as partes do País e do Mundo, alcançando mesmo os países de expressão portuguesa e todas as filiais da Briosa, espalhadas pelo planeta, onde era lido com uma impressionante regularidade e apreciado entusiasmo.»

«Questão diversa da profissionalização do projecto é a de algumas responsabilidades financeiras que a Sociedade deixou por liquidar e nas quais não tive qualquer responsabilidade pessoal.»

«Tais dívidas foram na sua esmagadora maioria reflexo do facto de, por dificuldades financeiras existentes na altura e que são sobejamente conhecidas de todos, a Académica não ter podido cumprir com a sua parte nos pagamentos da publicidade que fazia inserir no jornal»

«Ao que sei, tais dívidas foram» - como aliás não podia deixar de ser -«assumidas pela Comissão de Gestão liderada pelo Dr.João Moreno»

«nessa reunião foi decidida a extinção do jornal, tendo a Académica contactado telefonicamente todos os sócios - incluído eu - para que cedessem gratuitamente as respectivas quotas, por forma a que se assegurasse a percentagem legal de capital necessária à decisão da extinção (85%) e que fossem posteriormente liquidadas as dívidas.»

«Todos os sócios anuíram então a tal solicitação, tendo então sido iniciado o processo tendente ao encerramento de contas, em vista da posterior liquidação da totalidade das dívidas e da dissolução da Sociedade.»

« não tendo os dirigentes que lhe sucederam dado andamento aos compromissos assumidos na reunião aludida.»

« Em suma, a minha participação no jornal da «Académica» foi - como aliás toda a minha passagem pela instituição, de que muito me orgulho - transparente e impoluta, por mais que insinuações maldosas queiram demonstar o contrário.»

«O meu obrigado ao sítio dos "Pardalitos do Choupal" que me permitiu prestar a todos os interessados, os presentes esclarecimentos.
Parabéns ao sítio.Viva a Briosa!"»


«Nota: Não tens nada que agradecer Fernado Pompeu.Este blog é de TODA a gente, e se alguém pedir para ripostar, ou o quiser fazer, poderá enviar o texto para o nosso e-mail, que será publicado.
Um abraço amigo, com os agradecimentos de toda a equipa por escolheres este blog para prestares os esclarecimentos devidos.»


* A leitura do excerto não deve dispensar o completo visionamento do post nos «Pardalitos do Choupal».

Por bem ou por mal o esclarecimento está prestado. De facto, há que saudar quem o faz. Independentemente de todos os exercícios posteriores de análise que sobre tal documento pessoal possam ser rabiscados. Há uma primeira contribuição, embora em ténue forma, para a descoberta da verdade material. Uma nota apenas, antes de passar à análise (necessariamente subjectiva) da missiva: Todos os esforços estão a ser desenvolvidos da nossa parte, para que seja possível realizar o confronto de opiniões de facto sobre tal matéria. Só assim se poderá, em abstracto, condensar uma opinião.

Sobre tal carta que o Dr. Fernando Pompeu escrevinhou no Blog «pardalitos do choupal», realizando assim o contraditório da Briosa, achamos que ao invés de firmar opiniões (embora até os ratos calados tenham direito à dita) rígidas, deveríamos colocar questões. Questões essas que serviriam de reflexão para quem nos lê ( e temos constatado com que o número de participantes e leitores tem aumentado – uma média de 400 a 450 visitantes diários no último mês), mas também como potenciadoras da abertura do debate e da discussão séria sobre tal matéria. O nosso contributo, embora modesto, é certamente esforçado.


Diz-nos o prezado associado, que se constituiu uma «Sociedade Privada» em 1997. Temos para nós, que este conceito de «Sociedade Privada» é demasiadamente «sui generis», no âmbito da sua qualificação objectiva e que infelizmente não permite que se retire qualquer tipo de conclusão sobre o tipo de sociedade em questão. Subjectivamente podemos promover uma qualificação «a contrario». Se é privada, é porque não é pública (conceito arrastado por formulação de antítese). Mas isso, poder-nos-á dizer qualquer pessoa com experiência mediana de vida societária.

Que tipo de sociedade foi constituída?

Sabemos igualmente que esta sociedade, constituída por acto de vontade de 4 sócios era uma sociedade «amadora». Sabemos igualmente que o jornal saias «para as bancas».

Era vendido? Se era, será que podemos falar de uma «venda amadora»?

Esta é uma dificuldade que se nos atravessou no caminho, na encruzilhada que foi a leitura do esclarecimento público e da qual não conseguimos, apenas por mera compreensão do texto – e intertexto – compreender.

Reparámos com agrado que a direcção da Académica, apenas, acedeu a «apoiar a ideia» e a «ceder a logística». Que tipo de logística? Luz e maquinaria? Papel? Instalações? Assegurava a distribuição?

Seja lá qual for a parcela do bolo que remanesça desta «cessão de logística», sabemos que era na integra custeada pelo 4 sócios. Pode ser muito, pode ser pouco, ou pode ser nada. Para além do mais pode colocar graves problemas no aspecto de qualificação desta «sociedade» que se passeava entre o limite da pessoa jurídica autónoma e da mera «secção» da nossa Associação Académica de Coimbra. Necessariamente porque conjunturalmente estes meios logísticos poderiam ser de tal monta que esvaziassem o conteúdo de autonomia comercial que este tipo de sociedade (pensamos) queria alcançar. Algo mais que se deveria, necessariamente esclarecer.


Até 2000 nenhum desses sócios recebeu qualquer tipo de remuneração. Este é ponto assente, que não consideramos sequer debater, porque foi concretamente explicitado.


Contudo, e apesar do «apoio da ideia» e da «logística cedida» pela AAC-OAF, esta «sociedade privada» acumulava dívidas que não poderiam mais ser suportadas pelos quatro sócios.

No mesmo ano de 2000 a Académica decide então tomar conta da sociedade em questão. Assumindo as dívidas contraídas no exercício de gestão anterior e passando o projecto a profissional. Teria certamente a direcção de então um forte projecto de viabilidade do dito jornal. Um projecto que apesar de «amador», de ter «ajudas logísticas» não conseguiu mais, comercialmente, do que acumular dívidas, teria de ter um projecto de viabilidade sem riscos. Assim um dos ex-sócios fundadores da dita sociedade e ex-membro da direcção da AAC-OAF que assumiu um cargo de responsabilidades editoriais.

Infelizmente e apesar de o jornal crescer «em termos de qualidade e começou a chegar a todas as partes do País e do Mundo, alcançando mesmo os países de expressão portuguesa e todas as filiais da Briosa, espalhadas pelo planeta, onde era lido com uma impressionante regularidade e apreciado entusiasmo.», a Académica deixou de poder cumprir a sua parte do pagamento de PUB. E por isso foi responsável pelo declínio do dito jornal.

Um exercício de lógica esquemática: A Académica «cedia a logística», «pagava aos funcionários», «cedia a marca e o formato», «assumiu as dívidas», e ainda assim foi a responsável pelo fecho de tão importante veículo de comunicação da nossa Briosa?

Parece até, que a posição da nossa querida Associação, foi de verdadeira dama da coorte. Assumir todas as dívidas quando nenhum propósito a ligava ao jornal. Pelo menos juridicamente. Reunir as QUOTAS de todos os sócios, que estes cederam gratuitamente (de que outra forma poderia ser), «a que todos anuíram», para proceder à extinção da sociedade.

Não vislumbramos outra qualquer Associação que se comportasse socialmente de forma mais adequada. Separando o trigo do joio na seara do tempo, lançou mão àqueles que serviram a instituição de forma altruísta.

É pois necessário que os ratos não roam as sementes do trigo e que esta ideia possa, agora com passos mais firmes, novamente avançar. Com outros fundamentos e interpretes. Sem a anuência e o «subsidio de pobreza» da casa-mãe. Que se prove que a ideia tinha pernas para andar e um mercado em crescendo a ser explorado.

É um voto e uma ideia, que deixamos ao critério daqueles que estejam em condições de a lançar. Porque seguramente é um projecto com asas. E não de penas de pardais que já não voam, coladas com cera das laboriosas abelhas.

Questões que lançamos com o intuito de promoção do alargamento do debate deste tema.