O Futuro

PROJECTO DE FORMAÇÃO DA AAC/OAF - LINHAS DE ORIENTAÇÃO
Os objectivos da formação devem estar sempre contextualizados com a realidade da instituição que a acolhe. A AAC/OAF não foge a essa regra.
Nesta perspectiva a AAC/OAF procura intervir ao nível de duas dimensões:
a) no desenvolvimento pessoal, social e académico dos seus atletas;
b) na preparação de futebolistas capazes de enriquecer o plantel sénior.
A tentativa de criação de um departamento de futebol juvenil que assente numa estrutura humana e logística com condições para perseguir os desideratos anteriores, tem sido uma preocupação de sempre da AAC/OAF. No entanto, era fundamental criar um conjunto de linhas norteadoras que assegurassem uma lógica de progressão e continuidade entre as diferentes etapas de desenvolvimento e diversos escalões de formação do jovem futebolista.
Assim, parece ter cabimento fazer referência às seguintes dimensões:
Recursos humanos
Atletas:
Temos aproximadamente 380 jovens futebolistas nos quadros do futebol juvenil. Este número apresenta uma tendência decrescente consoante se sobe no escalão etário. Esta tendência revela uma preocupação acentuada em aumentar a massa de praticantes nos escalões iniciais da prática desportiva. A preocupação inerente a esta lógica reside no facto de crermos que o potencial desportivo não estará definido antes da fase final das principais transformações pubertárias (dimensionalidade e funcionalidade) o que “obriga” a procurar manter todos os elementos inseridos no canal de formação até aos 13/14 anos de idade.
Treinadores:
21 técnicos filiados aos escalões de formação sendo 16 deles profissionais de Educação Física. Para além destes existem actualmente 6 alunos da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra a realizar “estágios de intervenção no treino” nos diversos escalões.
A colocação dos técnicos nos diferentes escalões de formação obedece a uma preocupação: a definição do perfil de treinador.
Como em qualquer situação pessoal ou profissional há maneiras de ser e de estar, experiências de vida e conteúdos científicos, que aparentam ser mais condizentes com determinadas especificidades de algumas faixas etárias. Assim, procura-se encontrar nos treinadores em contacto com os escalões mais novos, características como a capacidade pedagógica, a um nível multidisciplinar (entenda-se também multimodalidade), gosto para lidar com faixas etárias mais novas e um alheamento do sucesso no imediato. Com a introdução dos atletas numa fase de especialização procura-se que os seus técnicos tenham um pleno domínio da lógica interna do jogo de futebol, a experiência do jogo, trabalho em equipas seniores (noção do “output” do processo de formação) e uma boa capacidade para a gestão da tríade grupo/opções técnicas/resultados.
Conteúdos
Um atleta que faça a sua introdução nos escalões de formação da AAC/OAF na base da pirâmide (escolinhas Briosa/Escolas) terá como principal preocupação
dos técnicos, actividades vocacionadas para a expressão físico-motora na perseguição de um desenvolvimento multidisciplinar.
Quando da chegada de um atleta ao escalão de Iniciados (centro de gravidade dos escalões de formação) torna-se fundamental fazer uma avaliação mais aprofundada do seu estado de crescimento assim como do nível em que se encontram os seus mecanismos biológicos responsáveis por esse mesmo crescimento. Esta preocupação é uma inevitabilidade dada a grande variabilidade que existe entre os jovens, quer ao nível do seu tamanho corporal, quer ao nível da sua aptidão física. Deste modo torna-se imprescindível adequar o nível de capacidade de cada um ao estímulo proporcionado pela sessão de treino e até pelo próprio jogo.
Considerando o escalão de juvenis como o início da etapa de especialização procura-se, de uma forma progressiva entre este escalão e o de juniores, aproximar o treino e o jogo do contexto do futebol sénior, sendo certo de que a exigência deste pressuposto no escalão de juniores é uma realidade.
Este acréscimo de responsabilidade do escalão de juniores no estado de prontidão do jovem futebolista, para uma realidade de Superliga, é uma consequência da inexistência actual de uma equipa de transição para a alta competição.
Importância do resultado desportivo
O objectivo central de um jogo de futebol é a vitória, e a perseguição desse objectivo é uma constante em todos os jogos em que intervenham equipas do futebol juvenil da AAC/OAF.
No entanto, numa hierarquização de prioridades, o resultado desportivo não aparece na mesma posição em todos os escalões de formação.
Assim, nos escalões etariamente abaixo da etapa de especialização, o resultado não se constitui como uma prioridade, sendo colocado a ênfase em matérias que gravitem em redor dos processos de assimilação e reorganização mental, onde a vivência de situações técnico-tácticas se assume como o mecanismo central de aprendizagem. Um exemplo desta perspectiva é dado pela preocupação de, no escalão de Escolas e de Infantis, se ter procedido a uma distribuição o mais equilibrada possível do conjunto de atletas pelas três equipas de cada escalão. Desta forma procura-se tornar equitativo o número de episódios de ataque e de defesa a que os jovens estão sujeitos, isto em detrimento, nesta fase do percurso de formação, da conquista de títulos no imediato.
Com a entrada na etapa de especialização o valor da vitória começa a assumir uma maior importância, sendo o escalão de Juniores o expoente máximo desta exigência. Aqui a maior “pressão” sobre o resultado adquire também uma valência selectiva, uma vez que o processo de selecção/exclusão durante o percurso de formação já tem vindo a contemplar as variáveis técnicas e tácticas, sendo agora fundamental colocar os atletas perante situações mais desafiantes sob o ponto de vista volitivo/comportamental.
Acções paralelas ao treino propriamente dito
O departamento técnico do futebol juvenil da AAC/OAF tem vindo a organizar acções de formação internas com vista ao desenvolvimento social e desportivo
dos seus atletas.
O âmbito das referidas acções assenta em temáticas como a “Higiene do treino e prevenção de lesões”; “Constituição de hábitos alimentares compatíveis com
o desporto e a escola”; “Introdução às leis do jogo de futebol”; “As Memórias da Briosa” e “Comportamentos sociais de risco para com um estilo de
vida saudável”. Os destinatários das acções são, naturalmente, os jovens futebolistas mas também, em alguns casos, os seus familiares.
Estas actividades tiveram o seu inicio ao longo da época desportiva transacta, fazendo parte de um desenvolvimento integral com o qual se pretende impregnar o futuro atleta profissional da AAC/OAF e aqueles que, nunca o chegando a ser, se tornarão indivíduos inseridos numa sociedade onde a nossa instituição procura participar de uma forma positiva.
(Texto da responsabilidade do Departamento de Futebol Juvenil da AAC/OAF)




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