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  - Sexta-feira, Dezembro 09, 2005

João Mesquita

Parabéns pelo trabalho, onde gostava de ver incluída uma estatísitica sobre os jogadores-estudantes da equipa, a meu ver, outra componente essencial de uma análise de fundo ao estado da Académica.
Ao que julgo saber, incluindo os já licenciados, são 6 : Pedro Roma, Eduardo, Zé Castro, Nuno Piloto, Paulo Adriano e Vítor Vinha. Número insuficiente, em meu entender, se considerarmos que este é um vector essencial à afirmação da identidade da Briosa. Tal como é insuficiente, na minha perspectiva, a quantidade de atletas da primeira equipa oriundos dos escalões de formação.

Ter mais estudantes, mais portugueses, mais jovens e mais jogadores oriundos dos escalões de formação do que a generalidade dos outros clubes é, sem dúvida, importante. Mas, além de, como a análise do João comprova, não ganharmos a todos na comparação entre os quatro itens da grelha, julgo que o essencial é tentar perceber se a estratégia que vem sendo aplicada de há vários anos a esta parte — e não apenas pela direcção em funções, embora tenha de reconhecer-se que algumas equipa directivas foram mais sensíveis à questão do que outras — coloca no centro uma política que, sem ignorar a realidade da alta competição, privilegie claramente aqueles vectores na construção da equipa.
Em minha opinião — que não é coicidente com a de quem pensa que o objectivo quase único é ganhar os jogos — não tem colocado. E isso é um erro, na medida em que desvaloriza o imenso potencial (e aqui não estou a pensar em razões iminentemente financeiras ou de marketing) que constitui a afirmação de uma diferença, historicamente consagrada, que faz da Briosa um clube com características absolutamente únicas.

O que a análise do João, mais os dados relativos ao número de jogdores-estudantes, também comprova, é que ainda há base para corrigir esse erro. Correcção que, a meu ver, implica:
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a) a existência de uma lógica de prospeção que privilegie a "descoberta" de bons — e sublinho o "bons", até para que não me acusem, a mim que também quero que a Académica ganhe sempre e sofro irracionalmente quando isso não acontece, de desvalorizar a importância dos resultados desportivos, que sei serem cada vez mais importantes no mundo de hoje — jogadores-estudantes, jovens e portugueses;
b) a concertação entre essa lógica e a política de constituição das equipas, procurando que estas, sempre à luz dos vectores definidos, sejam o mais estáveis possível e comportem um "núcleo-duro" que reproduza os valores que temos por essenciais;
c) a retoma do projecto de elaboração de um estatuto do atleta-estudante de alta competição, a aplicar nas instituições de ensino da cidade, segundo as linhas traçadas pelo Congresso da Académica, realizado em 1995.
d) a atribuição de prioridade absoluta à edificação da Academia "Briosa XXI", entendida, não apenas como um conjunto de campos de treino, mas como um complexo onde as áreas de treino se aliam às de estudo, lazer, e, até, residência dos atletas;
e) a resolução urgente da inexistência de um campo de jogos próprio para os escalões de formação;
f) a melhoria das restantes condições de trabalho e a adopção de uma política de formação desportiva e académica — no sentido lato da palavra —, coerente, estável e aplicada a todos os sectores da instituição, de alto a baixo;
g) o repensar do problema da (in)existência de uma equipa B e da filosofia dos "clubes satélites".
O assunto, claro, é inesgotável. Aqui fica um pequeno contributo para o indispensável debate.

Um abraço a todos.
João Mesquita

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