Naval 0-1 Académica
A Borboleta que retorna ao casulo
A Académica é uma equipa transmutada. É uma equipa que se molda à contingência do jogo, que constrói até onde acha que tem de construir e no final, se necessário for, destrói tudo, deixando os seus adeptos a rejubilarem com a magnificência do Caos. Ninguém pode, com certeza, afirmar que não ficou satisfeito com os três pontos alcançados ante a Naval 1º de Maio. A hora do apito final foi ,certamente, hora de aplauso. A história da exibição é, de facto, outra. Subjectiva como qualquer apreciação, mas sempre correcta, como qualquer apreciação subjectiva.
A Briosa mostrou algum brilho na primeira metade da partida. Como uma qualquer borboleta que aproveita os curtos raios de sol de Inverno esperançou os seus adeptos de , finalmente, compatibilizar um resultado positivo com uma plena exibição de ataque.
Nelo Vingada optou por um esquema de quatro defesas, com Danilo jogando claramente na direita da defesa coimbrã, com Zé Castro e Hugo Alcântara no eixo, e Ezequias volvendo à esquerda. Uma opção curiosa, que lançou Nuno Luís no centro do terreno (enquanto pisou terrenos mais avançados, o sub-capitão rubricou uma exibição positiva) que o emparelhava com Brum e Paulo Adriano do meio-campo, com Filipe Teixeira em missão de 4x4 Todo-o-Terreno, no apoio a Luciano e Marcel.
Curiosamente esta colocação de Danilo na direita da defesa, pode paradoxalmente ser analisada como uma substituição de ataque. De ataque no sentido da força impressionante que o brasileiro (acompanhado de Ezequias, Marcel, Hugo Alcântara e Zé Castro) trouxeram ao jogo de finalização de bolas paradas, provenientes de faltas e cantos. Mesmo o golo da Briosa, depois de jogada de insistência de Filipe Teixeira, foi prova disso mesmo.O 14 não cruzou para o inevitável Marcel, mas sim para o bem colocado central Hugo Alcântara, que aos 40 minutos desfez a igualdade. Nas suas costas igualmente isolados, Ezequias e Danilo…
Na segunda parte, a Borboleta retornou ao casulo. Porque assim o jogo o exigia, porque não haveria mais para dar, porque a Naval era demasiadamente rápida. A Briosa remeteu-se ao seu escudo defensivo, e não mais de lá sairia. Controlou o jogo e a ansiedade dos jogadores navalistas, apostando sempre no erro da contraparte. Perdeu contudo, rapidamente algum fulgor de meio de terreno, que só viria a recuperar com a entrada de Nuno Piloto, que tapou os caminhos da «frente da bola» e ainda ajudava Nuno Luís (já remetido à usual função de defesa direito) e Luciano na cobertura a Fajardo e Lito.
O Final da partida chegou, não que sem antes o calafrio da praxe saudasse os adeptos académicos. No final a nossa Associação levou de vencida mais um embate, e soma já 17 pontos estando em 9º lugar da tabela classificativa.
Análise individual:
Pedro Roma – Sempre seguro na saída aos cruzamentos, foi um dos esteios da segurança defensiva da turma de Coimbra. Impressionante a forma destemida como atacava o esférico.
Danilo – Adaptado às funções de lateral direito, até aos vinte minutos, em missões defensivas, cumpriu sempre a preceito. Deixou finalmente o mau-habito da pequena falta à entrada da área. Quando volveu ao eixo da defesa, cumpriu a rigor, tendo ainda tempo de ajudar Nuno Luís no corredor direito.
Hugo Alcântara – Uma grande exibição, um bom golo, pleno de aproveitamento, e completamente intransponível em bolas por alto. Que mais se pode pedir ao central goleador?
Zé Castro - Cumpriu a preceito até à lesão.
Ezequias – Sem o fulgor de outras partidas, tardou no arranque e no apoio eficaz à deficitária ala esquerda do ataque da Briosa. A defender cumpriu sempre e deu o corpo ao manifesto num lance perigoso da Naval na primeira parte.
Nuno Luís – Jogou uma parte do jogo descaído no flanco direito do meio campo e de facto cumpriu a preceito. Quando Manuel Cajuda, na segunda parte, decidiu testar o 23 da Briosa, com as investidas de Fajardo e Lito, claramente baqueou. Mas esteve melhor…
Paulo Adriano – Embora lento a soltar a bola, só amiúde a perdeu e esteve perto de marcar por duas ocasiões. Em cada uma das partes. Uma exibição bem mais positiva que outras de um passado recente do capitão da Briosa.
Roberto Brum – O verdadeiro dono da bola. Onde ela está, o brasileiro diz presente. Sempre disposto para a guerra, pleno de combatividade, nem quando o «paralelepípedo» Glauber lhe apareceu pela frente, deixou de entrar com tudo.
Filipe Teixeira – Exibição mais uma vez, muito positiva do dínamo de meio de terreno. Esteve em todo o lado, fez uma assistência primorosa para golo e foi o elemento de transporte de jogo de ataque.
Luciano – Passou ao lado do jogo e no final , as pernas, pura e simplesmente desapareceram.
Marcel – Lutador agarrou a bola quando pôde mas o remate nunca saiu. Quando não marca, desaparece.
Gelson – Batalhador, mas inconsistente e algo inconsequente. Necessita de parar e pensar que posição e estratégia de jogo pretende assumir.
Pedro Silva – Entrou «pesado», mas francamente bem. O lado esquerdo da defesa de Coimbra, não foi nunca de passeio para o ataque navalista, quando o brasileiro esteve em campo.
Nuno Piloto – Disponível para a guerra dos últimos minutos. Ajudou a descansar o nervoso meio-campo dos últimos minutos.
*Por Embriolado
Conferência de Imprensa
Nelo Vingada:
.
O treinador dos estudantes começou por dizer que com "Um campo extremamente dificil houve muita luta, muita disputa". "Fomos a equipa mais feliz, mas também já jogamos bem e perdemos", tem sido esta a frase de Nelo Vingada ao longo de alguns jogos, mas a verdade é que como o próprio treinador disse "Hoje os resultados é a unica coisa importante".
Quando questionado sobre o esquema táctico utilizado hoje disse: "O Danilo estava jogar quase a lateral direito e o Nuno Luis como centrocampista, e não com 3 centrais", justificando ainda "Hoje apostamos em não sofrer, fruto do estado do terreno".
Dizendo também que "Hoje foi um passo importante",mas referiu com o mesmo pragmatismo que o caracteriza: "Os objectivos dos atletas podem querer ser campeões como o presidente diz que pode ser a Taça Uefa, mas os meus objectivos fazem-se jogo a jogo". "É dificil passar de não descer sempre à tangente para se dizer que se quer ir à Europa". "Chegar tranquilo ao fim do campeonato é sempre bom"



| << Voltar ao Inicio