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  - Sexta-feira, Janeiro 27, 2006

18.00,certas. É hora «d'a Cabra» tocar

A primeira «Hora da Cabra»


Utilizo este espaço que é gentilmente concedido aos adeptos, no mais consolidado espaço de discussão da Académica, para falar de generalidades. Pode parecer estranho mas assim é. Para falar genericamente de Coimbra enquanto cidade e da Académica como clube. Não me esqueço das palavras de José Miguel Júdice, que há uns anos (e que ainda há bem poucas semanas repetiu na RTP) afirmava «Ninguém diga mal de Coimbra a alguém de Coimbra, mas ninguém pensa tão mal dela quanto ele». Estas palavras ficaram marcadas a ferro na minha consciência. Como é que uma das cidades que ostentava um dos maiores «egos» do país, se transforma subitamente, em pouco menos de 15 / 20 anos, numa cidade derrotada pelo resto do país e «suicidada» pelos conimbricenses? Será que esse trágico desenraizamento secou (espera-se que temporariamente) o clube?

Acredito que Coimbra não se soube posicionar no pós-25 de Abril (ou melhor, se me é permitida a expressão, «pôs-se a jeito»). Não conseguiu aproveitar de forma positiva os ventos da revolução dos cravos. Apesar de, curiosamente, ter sido nos seus becos e bolorentas águas-furtadas de duas janelas que germinou a semente da génese que embalou as canções dos ideais revolucionários, das mentes brilhantes que o puseram em pratica…nada disso foi aproveitado nos restantes dias do final dos anos 70 e , claramente, em toda a década de 80.

Virámo-nos para dentro, agarrámo-nos a histórias de magnificência e de um passado glorioso. Agarrámo-nos à nossa capa e batina, não soubemos, fazer o nosso «rasganço». De atitude. Não soubemos moldar o futuro. Acabámos como um caco, aglutinado pelas forças emergentes. Isto na Universidade. A gigantesca velha senhora, que foi ultrapassada, pelo simples facto de preferir viver fechada no absurdo das ciência humanas passadas.

O mesmo aconteceu ao clube. O mesmo aconteceu à minha Académica. Quisemos que os «doutores» nos regessem os movimentos. A eles faltou-lhes o «suor dos cantoneiros». O cheiro do trabalho, a necessidade de ultrapassarmos as «crises» através do mérito das mãos gretadas. Dizia um poeta brasileiro que «não adianta olhar o céu, com muita fé e pouca luta». Muita fé num passado que, por imperativos cronológicos não pode voltar, tapando os olhos para um futuro que é de todos.

Dá-me vontade de dizer que a Académica não soube integrar os seus «futricas» no clube. Eles foram, quer se queira ou não, a força emergente dos anos 80. A classe média que saiu da juventude que «comia uma vez por dia» ou que integrava a vontade dos que há menos de 30 anos viam os seus pais saírem fugidos para destinos além-fronteiras. Foram eles que nos faltaram nessa época de transição, foram eles que abalaram os alicerces da nossa Associação.

Hoje, a Universidade começou a acordar. Hoje, a cidade volta-se para as novas estruturas fabris e para o sector secundário. Hoje o clube está a tentar ser mais cidade e menos corporativo. Ser cidade, é também ser Universidade, disso não tenho qualquer dúvida. Mas ser Cidade, é muito mais que isso. A Universidade não pode esgotar o clube ou Coimbra, sob pena de fazer «terra queimada» de tudo o que tenta sobreviver à sua volta. Não pode ser o eucalipto que seca tudo o que queira florescer à sua volta; mata a novidade.

Foi isso que não se percebeu durante anos. Mas como a Universidade se revitaliza, depois de anos de estagnação, Coimbra começa a crescer, também a Académica se começa a voltar para quem a queira receber. Todos têm o direito de ser da Académica!

Igual a todos os clubes seria uma Briosa unipessoal, exclusivamente voltada para um vértice de si. Essa é que é a Académica diferente! É o triangulo que abraça os 3 vertices. Coimbra, Universidade e Futricas.

Texto da autoria de Nuno C. Tavares

Este é um espaço em que cada adepto, livremente dá a opinião e a lança à garraiada que regra geral, são os comentários neste espaço. Usem-no livremente!