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  - Domingo, Janeiro 15, 2006

Benfica 3, Académica 0

















Roberto Brum

"Tive vontade de abandonar o jogo"


«Tenho 14 anos a jogar futebol e raramente um lance como aquele foi apitado para grande penalidade. Mas todo o mundo erra e o árbitro também pode errar.Logo a seguir, assistimos a uma jogada de vólei de Luisão e o árbitro não usou a mesma medida para as duas equipa».«Tive vontade de abandonar e ir para casa. A sensação que tinha é que, mesmo que estivéssemos a jogar durante cinco dias seguidos, não iríamos conseguir chegar à baliza do Benfica. Tive muita vontade de abandonar, mas depois pensei nos meus colegas e nos adeptos da Académica e, por respeito por todos eles, não o fiz»

Sabia que não concordava em muito com a ideologia professada por Mao, com forma atrofiante como a sua mão manipulava os destinos do território chinês, mas sempre sublinhei, perante quem me conhecia, que era um homem com dom especial para os ensinamentos em forma de provérbio. Sabia-os bons e muitos. Denotava um espírito inventivo que se coadjuvava brilhantemente com a necessidade das suas palavras serem de forma linear entendidas pelo povo iletrado. Depois do jogo de ontem da grande Briosa até essa pequena crença me abandonou. Dizia bastas vezes o ditador chinês « A História é cíclica e repete-se». Digo eu, hoje, inconformado pelas poucas horas de sono que a angustia não deixou que aparecessem: «Nunca mais David, volta a repetir a vitória sobre o Golias». Acabaram-se os tempos em que as fundas e cinco pedras derrotam os gigantes guerreiros filisteus. David hoje, para além de ter de derrubar o gigante de três metros com uma arma de coiro e um punhado de calhaus do deserto, teria certamente que se ver com os capangas dele – que surgiriam mal os joelhos do capitão de guerra tremessem – e certamente com armas do mais sofisticado que se possam imaginar.

Mesmo que o mestre de armas caísse na terra de bruços, com a cara fundeada na lama, hoje, nenhum filisteu se ficaria pela afronta de uma luta justa. Viriam logo três ou quatro em seu auxílio e espancariam até à morte o pobre do David. A história, hoje, sem qualquer tipo de dúvida, acabaria assim. Golias moribundo mas vivo e cantando vitória, capangas com mãos ensanguentadas e o pequeno isreilita torcido em três, no chão, sem saber de onde tinha vindo aquele míssil terra-terra que o atingiu na fronte e que o despedaçou por completo.

Golias o Benfica, David, a Grande Briosa, Joeano, Roberto Brum, Hugo Alcântara e todos os outros, as pedras da funda, os capangas do Golias, os três árbitros que pelo estádio da final do euro se passearam.

As histórias, para mim, acabaram.

Que a indignação, a raiva e a vontade de mostrar quem realmente somos se transforme em vontade de vencer no próximo jogo! Que todos os académicos estejam presentes no próximo encontro ante o Nacional para que a equipa sinta o estado de alma dos adeptos. Nós por nós, estaremos por lá.

FORÇA BRIOSA!!

*por Embriolado

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