Definir como HomePage   Contador de Visitas   RSS do Blog






  - Segunda-feira, Janeiro 30, 2006

Um bom fim, até sabe melhor!


O antídoto

Dizer que o Vitória de Setúbal prima pela capacidade de contra-ataque, luta e entrega ao jogo do colectivo é uma mera constatação que qualquer adepto do futebol consegue fazer. Arranjar formas de contrariar esse jogo é que parece particularmente difícil, tendo em linha de conta os resultados das já disputadas jornadas da Liga. O que Nelo Vingada propôs ontem, foi o buscar uma solução-antídoto. Deu, na primeira parte, as despesas do jogo aos sadinos, abdicando da posse de bola e jogando claramente nos primeiros 50 metros de terreno, que tentando jogar em ataque organizado, se desfizeram enquanto equipa. Apenas Varela e Carlitos apareciam no jogo, individualmente e sem consciência de colectivo, deixando o resto da equipa em «desnorte», sem objectividade, e pior que isso, sem forma de recuperar a estabilidade do seu fio de jogo. O treinador da Académica também deu assim, na primeira parte, a possibilidade da equipa da Briosa se acalmar no jogo. Deixando a pressão para trás – não parecia claramente uma equipa que jogava, supostamente, sobre a pressão da fuga à despromoção – e podendo, depois, na segunda metade do desafio exprimir outra vocação de ataque, que não lhe foi conhecida no primeiro tempo.

Primeira parte…Dose sonífera

Assim, no seu 4-3-1-2, os Capas Negras ganhavam consistência de meio terreno. Ezequias e Sarmento tapavam as alas, contra adversários difíceis, Danilo e Zé Castro no centro da defesa, o meio-campo de combate constituído por Roberto Brum ao meio, N’Doye à esquerda e Nuno Piloto à direita. Zada era pivot de meio-campo, que bastas vezes ajudou a defesa (excelente corte logo nos primeiros minutos da primeira parta em área de aperto) e Gelson e Joeano atacavam com a rapidez possível, o ultimo reduto dos de Setúbal.
O jogo foi, até ai, essencialmente mal jogado, por vontade da Briosa, é justo dizer. O Vitória não soube pegar no jogo, mostrando que é uma equipa talhada para jogar com ataques mais afoitos.

Segunda metade…Dose Letal

Na segunda parte do desafio a Briosa transfigurou-se, para melhor. Os jogadores já haviam sentido o pulso ao jogo (que era fraquinho), sabiam o que o Setúbal poderia jogar e de onde surgiriam as suas acções de potencial perigo. O 4-3-1-2 ainda jogou alguns minutos do primeiro tempo, mas rapidamente se transformou em 4-2-2 com dois alas e dois homens na frente. A Académica procurava chegar ao golo, dispondo de uma mão cheia de oportunidades para efectivar tal intento. Gelson, muito combativo e desta vez mais esclarecido, falhou uma oportunidade clara de golo – embora o passe de Sarmento tenha sido ligeiramente recuado – e parecia que o nulo teimaria em não abandonar o Bonfim. Até que depois de uma jogada de insistência de N’Doye, Joeano emenda o remate do Senegalês, em alegada posição de fora de jogo. Depois do golo, a Briosa fechou-se em copas, sem muitas arrelias, mas ainda assim Pedro Roma teve a oportunidade de coleccionar mais dois selos «cupons» viagem, para destinos alemães. Duas extraordinárias defesas a garantirem a vitória dos bravos estudantes.

Análise Individual

Pedro Roma – Sem muito trabalho no primeiro tempo, embora demonstrando sempre muita segurança, foi chamado a intervir quase no terminus da partida. Duas espectaculares intervenções – a primeira apenas possível a um guarda-redes de reflexos apuradíssimos – que garantiram a vitória. Mais dois cupons-viagem para a Alemanha…

Sarmento – Muito bem a fechar, para uma adaptação e desta feita, mais consistente a apoiar as acções de ataque da equipa. Poderia ter marcado, no início do segundo tempo, o que não seria de todo imerecido. Mostra-se uma opção válida.

Zé Castro – Deu excelente consistência ao eixo defensivo da Briosa. Sabe sair a jogar e desta feita, os passes longos, já saíram em telemetria. Jogando condicionado, o jovem central, actuou em óptimo nível.

Danilo – Apesar das faltas que comete ao arrepio das normas básicas da sanidade, demonstrou ao longo do jogo uma apetência clara para defender em missão de sacrifício. Actuação de bom nível.

Ezequias – Uma das surpresas do jogo. Ganhou pulmão para constantes arrancadas, subiu no terreno, como se a sua vida disso dependesse, ajudou na defesa, sendo que nunca foi apanhado com um adversário nas costas. Um pouco mais de serenidade na hora de cruzar (ou rematar) e poder-se-ia, sem desprimor considerar um dos homens do jogo. Consistente durante 90 minutos.

Roberto Brum – «Copy paste» das exibições e análises individuais dos últimos meses. Excelente partida, recuperando bolas tidas como perdidas, levando jogo para a frente, entregando em N’Doye bolas e mais bolas, constantemente jogáveis.

Nuno Piloto – Mais uma vez o jovem médio (de inegável valor) não conseguiu encontrar o seu espaço no terreno de jogo. Muito combativo, mas pouco esclarecido, procurou resolver sozinho, um problema que só a equipa tinha a solução para desvendar. A renovação, apenas lhe fará bem.

Zada – Esteve uns furos acima do que já lhe vimos fazer, com um ritmo competitivo bem acima do que demonstrou em jornadas ultimas. Um corte importante na primeira parte, em ajuda defensiva, e duas oportunidades de golo, onde aplicou, bem, o forte remate que dispõe. Exibição que se pede, de continuidade. Saiu esgotado aos 82 minutos.

N’Doye
– Não engana. Excelente exibição, com poucos dias de treino conjunto com os da Briosa, depois de larga paragem competitiva. Parecia que esta foi a sua equipa de sempre, plenamente enquadrado. Rápido com a bola, defende, ataca, recupera, lança e remata. No lance do golo, grande parte do mérito é seu.

Gelson – Combativo, mas desta vez, mais esclarecido. Esteve onde foi necessário, deu a cara à luta e encarou o jogo com objectividade e abnegação. As correrias já não são apenas para camuflar outras carências. Estão ao serviço do jogo de «primeira pressão». Ganhou um penalty claro que apenas o arbitro não viu.

Joeano – Marcou o golo e lutou até à exaustão entre a sempre difícil defensiva sadina. Mostrou que é uma grande opção para o ataque. Fez o que qualquer avançado gosta de fazer. Golos.

Luciano – Correu, ganhou bolas importantes, mas parece sempre menos esclarecido do que já um dia foi. Espera-se a bem da equipa, que o seu jogo suba de produção.

Serjão – Agradável surpresa de mobilidade e controlo de bola. Carece de ser observado jogando mais em cunha, dentro da área.

Hugo Alcântara – Uma das surpresas de Nelo Vingada. Remeteu o central ao banco de suplentes depois de uma excelente exibição ante o Nacional. Entrou para destruir nas alturas e nunca comprometeu.

| << Voltar ao Inicio