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  - Domingo, Fevereiro 26, 2006

Glutões, à «garfada» na Fase Final


«Garfo» é alcunha que dá para estas coisas dos títulos às mil maravilhas, mas mais ainda para nome de jogador de futebol. O número 10 da Briosa foi um dos destaques da Académica hoje. Acabou o jogo entre suor, sangue (vitima de uma agressão na segunda parte) e…Glória. Foi uma bonita festa dos estudantes no «vale da Pedrulha» por entre eucaliptos e Alfas pendulares.

A Académica foi sempre superior aos jovens jogadores do Rio Ave que mostraram pouca consistência de equipa. Estava clara a forma de ganhar o jogo, mesmo na primeira parte, quando o 0-0 era o resultado do encontro. O perigo aparecia sempre que se imprimiu força de contra-ataque pelo flanco direito do ataque. Poucas vezes a consistência defensiva do 4-3-1-2 dos de Vila do Conde resultou e apenas o não aproveitamento dessa condição e dos sucessivos falhanços, quer ao nível do passe, quer no aspecto da finalização (remates de Galvão e Vinhas disso foram exemplo) tolheram a marcha do marcador, fazendo com que a vitória fosse «apenas» pela diferença de dois golos.

A menor eficácia é contudo desculpável pela importância do jogo. Pelo carácter emotivo, pela falsa tranquilidade com que o encontro (naturalmente) foi encarado pelos Negros. Com uma considerável falange de apoio – de destacar a presença de algumas dezenas de barulhentos «Manchas Negras» - que interagiu, e de que maneira, com os jovens Académicos, apenas a vitória era o resultado possível. Em momento algum esteve posta em causa a passagem dos Briosos à fase final do campeonato e o Rio Ave foi apenas perigoso, depois de estar a perder por 0-2 com um remata à barra, uma intervenção de luxo do guardião negro e um alívio na linha de golo de João Pedro. João Pedro que considero, com todo o risco que corra ao tecer tal afirmação, um futuro jogador de futebol na verdadeira acepção da palavra. Hoje adaptado a central e jogando ao lado de Makukula (marcador de um golo na sequencia de um canto, logo no reinicio da partida), no lugar do internacional Elias, foi um dos melhores em campo.

O futuro defensivo da Briosa esteve hoje em campo

É sempre uma afirmação «perigosa», mas adoro ver aqueles miúdos jogar futebol. Falo do sector defensivo, porque é ele pelo qual a equipa de Juvenis da Briosa é projectada. Ela existe como existe, porque «Os famosos Cinco» saltam das páginas dos livros de aventura, para brincar à bola. Sei os nomes de cor e não pestanejo ao escreve-los. Hernâni, Elias, Makukula, Rafa e João Pedro. Um quinteto de luxo. Um pela entrega ao jogo, outro pela serenidade que imprime, um pelo espírito de liderança, outro pela braçadeira de capitão e posicionamento em campo, e o ultimo pela inteligência cerebral do posicionamento. Todos eles apoiados na classe de um guarda-redes já feito Homem. Estas são as colunas, os pilares do edifício. Todos eles devem continuar, nos escalões de formação da Académica. Eles merecem fazer parte, um dia, daquele sonho que todos já aconchegámos no travesseiro.

O telhado

Não quero dizer pelo que acima refiro, que apenas estes sejam mais valias. Longe disso. Galvão é um tecnicista com poucos e já foi chamado aos trabalhos da selecção sub-17, Vinhas é um velocista das alas e parece que Dadi quer cavar o seu lugar na equipa.«Garfo» foi hoje um pulmão de centro de terreno, demonstrando capacidade de luta e inteligência de construção de jogo. Afirmo sem dúvida que esta equipa é feita de trás para a frente, construída de baixo, a partir do solo, com os méritos do Prof Rui Silva. Mas nenhum edifício subsiste de modo consolidado sem o telhado. A Académica é hoje uma Equipa pela versatilidade do seu conjunto. Embora nela brilhem estrelas em ascensão.

O Jogo

Com todas estas considerações subjectivas, está feito o filme do jogo. De um belíssimo jogo de colectivo que na segunda parte se materializou em golos. Ganhou a equipa mais madura, mais crescida técnico e tacticamente e porque não dize-lo, a melhor equipa!

Mas nada está ganho. Este foi o princípio do começo, não do fim. Porque a Fase Final está, apenas e agora, a começar.

Esta equipa deve contar com o apoio de todos.

A todo os jogadores os nossos parabéns. A toda a equipa técnica o reconhecimento pelo excelente trabalho.