Partida de Carnaval

Briosa perde por 0-3 no mais imerecido resultado da época
Tínhamos os pontos, reclamavam as exibições. Temos as exibições clamam pelos pontos. Será esta uma impossibilidade, uma insanavelmente dicotomia esta época? Pontos e exibições convincentes num único jogo de futebol onde os negros entrem em campo, onde eficácia e futebol espectáculo entrem em campo, cumprindo um mesmo objectivo. A Briosa Vitória.
A Académica entrou na partida a perder por 0-1 num lance precedido de fora-de-jogo na esquerda do ataque dos de Lisboa. Não houve que levantar a cabeça. Apenas começar a jogar, porque o resultado já vinha feito das cabines. Perdíamos por um golo de diferença ainda o jogo não tinha começado e houve apenas que por os pés ao caminho, porque este se faz andando (ou correndo…).
Como havíamos anunciado em primeiríssima mão, Vítor Vinha foi o defesa-esquerdo titular da Académica. Apesar de ter estado directamente envolvido no primeiro golo do jogo, não deixou, como «Homem grande» que tal facto o fizesse tremer. Durante o restante jogo travou as investidas de quem lhe apareceu pela frente, tendo ainda tempo, com o exorcizar dos fantasmas da titularidade de subir a preceito e rematar por um par de vezes com perigo à baliza do guarda-redes adversário. O centro da defesa esteve a cargo de Danilo e Hugo Alcântara e o lado direito da defesa entregue a Sarmento. Depois a célebre cortina de meio-terreno com Roberto Brum, N’Doye, Filipe Teixeira e Dionattan e as despesas de ataque entregues a Joeano e à revelação do jogo, Serjão.
É fácil escrever que toda a primeira parte foi de domínio académico. A estrutura defensiva foi aguentando estoicamente as ofensivas daquele que poucos, este ano conseguiram marcar a preceito, figurando como destaque Danilo e Hugo Alcântara. A dinamização do jogo de meio-campo era apreciável e baralhou por completo as marcações dos oponentes. Dionattan aparecia solto e em progressão bastas vezes, Filipe Teixeira teve nos pés duas oportunidades de repor a justiça no resultado, sendo que o «serviço» ao duo dinâmico de ponta-de-lanças não era o mais conseguido. Serjão tem a oportunidade de carimbar uma excelente exibição com um golo, mas a boa colocação do defesa contrário impediu o soltar do grito. O Intervalo chegava, com os Capas Negras trajados a preceito.
2ª parte e o golo «mal-entendido»
Depois de um breve período de estudo no início do segundo tempo, Nelo Vingada decide mexer na equipa, tornando-a mais perigosa nas alas. Faz a clássica substituição do lateral pelo médio-ofensivo (ou avançado) aos 55 minutos e aos 57 sofre o golo. Liedson aproveita o mau entendimento táctico da substituição e o não posicionamento de um jogador na ala direita da defesa.
O golo não é um passe de Hugo Alcântara, como uma visão linear pode erroneamente querer indicar. Há um corte de um passe longo, efectivamente, que cai na zona de ninguém da Académica. Liedson apenas tem de aproveitar a ausência de oposição para avançar e encher o pé. Um grande golo, mas cuja convicção fica que apenas acontece porque os jogadores da Briosa não perceberam os intentos do técnico.
As explicações são fúteis quando se perde por 0-2. A Académica mexeu na equipa tornou-se mais plástica, mais atacante e acabou com 3 (!) jogadores de área. Roberto Brum e Dionattan faziam um papel misto de defesa / médio e a táctica, curiosamente, surpreendia pela positiva. Eram mais uma vez os estudantes, catedráticos no jogo. Até à expulsão de Pedro Roma e ao 0-3 para o Sporting.
A lei de jogo é clara: Será punido com falta e advertência quem não permitir a reposição da bola em jogo. Sanção essa que pode conduzir à exibição de uma cartolina amarela. É necessariamente aquilo que Liedson faz antes da eventual(…) agressão do guardião académico. Se a agressão é sancionada, o jogo já deveria ter sido antes interrompido, para assinalar a falta pelo impedir do rápido reposicionamento da bola em jogo.
Tudo o resto, a partir desse momento, foi um Domingo de Carnaval. Domingo em que para minha vergonha, muitos pseudo-adeptos da Briosa se mascararam de lagartos camaleões. Eu por via das dúvidas, fui de preto dos pés à cabeça…
Análise Individual dos Jogadores
Pedro Roma – O eventual acto de agressão e a consequente expulsão poderão ditar o afastamento da equipa por dois ou mais jogos. Não teve culpa nos golos sofridos, apesar do primeiro cruzamento ser feito na sua área de rigor. Dani será o próximo dono da baliza académica e não estará certamente mal entregue.
Vítor Vinha – Boa estreia com dois ou três apontamentos de qualidade e acerto na hora de rematar. Cheirou a golo, mas apenas o infortúnio não permitiu a materialização dos intentos do mais recente defesa-esquerdo académico. À medida que o jogo o foi libertando, também a sua produção subiu na proporcional medida nas subidas no terreno.
Danilo – Esteve certo e pouco faltoso. Apesar dos golos sofridos pouca culpa se poderá objectivar no centro defensivo da Briosa e no brasileiro em particular. Pouco vistoso em acções ofensivas.
Hugo Alcântara – Boa exibição perante um adversário veloz e de calibre. Injustamente acusado da culpa exclusiva no segundo golo, o defesa central da Briosa limpou a preceito e por duas vezes cortou limpinho no um contra um. Um alívio infeliz e o desposicionamento defensivo da restante equipa…deu em golo.
Sarmento – Cumpriu enquanto esteve em campo e entregou-se de corpo e alma às funções defensivas. Melhor ofensivamente vai-se ganhando a cada jogo que passa um defesa direito de qualidade. Saiu e o reposicionamento defensivo não foi suficientemente colmatado, originando o golo.
Roberto Brum – Grande exibição do médio defensivo e recentemente promovido a capitão. Limpou lances, cortou bolas e saiu a jogar. Quando recuou para a posição mista de defesa / médio centro continuou com a mesma eficácia defensiva e ainda tendo pulmão para apoiar as acções ofensivas.
N’Doye – Poderia ter marcado por uma vez, com a bola colada ao seu melhor pé, o esquerdo. O remate de pronto não saiu e o senegalês permitiu a defesa do reposicionado guarda-redes contrário. Ganhou alguma capacidade física, mas ainda lhe falta precisão de passe.
Dionattan – Colocado mais no centro ou na direita, mais ou menos recuado no terreno a capacidade ofensiva do médio e a sua subida de rendimento merecem aplausos. Nos últimos 3 jogos tem três assistências para golo e isso é factor para sublinhar. Merecia algo mais neste jogo.
Filipe Teixeira – Bem no controle de bola e nas acções de transição. A bola chega e cola-se aos seus pés. Sente-se aconchegada. Falta-lhe capacidade de remate, não se equilibra nesse tipo de acções. Ou a bola sai muito forte e por alto ou demasiadamente fraca, sem perigo, mas posicionada.
Joeano – Um jogo esforçado mas cuja bola não lhe chegou. Não tem que transportar, mas sim finalizar, portanto o seu posicionamento em campo é correcto. Bem servido foi sempre um jogador perigoso.
Serjão – Talvez o melhor jogo que fez ao serviço dos estudantes. Lutador, veio buscar jogo, serviu de «pivot». Merecia o golo pelo que lutou. Acabou o jogo extenuado.
Luciano – Tentou entrar no jogo mas sem nunca o conseguir. Quis mostrar algo que não é, e isso fez com que não fosse o homem certo no lugar certo.
Nuno Piloto – Cada vez que entra tenta resolver o jogo sozinho. O emperrado processo de renovação está a prejudicar de forma clara as suas exibições.
Gelson – Entrou em campo e a sua maravilhosa disponibilidade e entrega ao jogo contagiou de alguma forma a equipa. Cortaram-lhe o fôlego e puseram-no a jogar à baliza…
Os Golos
(0-1) - João Moutinho (2'); Uma jogada de ataque rápido e de posição duvidosa, a bola acaba centrada para a área onde Vitor Vinha perde em luta com João Moutinho (nas repetições televisivas parece ser o defesa academista "em carrinho" que acaba por colocá-la dentro da baliza).
(0-2) - Liedson (57'); Depois de dominar a bola e liberto de marcação, conseguiu desferir um remate bem colocado à baliza de Pedro Roma não dando hipótese de defesa ao guardião academista.
(0-3) - Nani (90'); Na cobrança de uma grande penalidade, depois de uma paradinha, enviou a bola para o lado contrário do guarda-redes improvisado Gelson.
A Arbitragem
O trio de arbitragem teve um trabalho que se pode designar por manhoso, para isso basta contar os lances de contra-ataque rápidos da Briosa que acabaram travados em falta e os cartões amarelos mostrados aos defesas leoninos (aqui a lei é clara), e qualquer pessoa minimamente esclarecida em futebol sabe que um defesa amarelado joga mais condicionado.
Demorou a mostrar o primeiro cartão amarelo e deveria ter mostrado cartão vermelho directo a Abel ainda na primeira parte por carga sem bola sobre Filipe Teixeira quando este seguia isolado para a baliza.
O momento
O momento que marca este jogo é provavelmente o minuto 87, quando Pedro Roma depois de ser importunado toca com a luva no rosto de Liedson.
Na época passada, também no jogo Académica x Sporting, ao então defesa academista Vasco Faísca foi-lhe mostrado por João Ferreira o segundo cartão amarelo e o respectivo vermelho por ter tocado no braço de Ricardo quando este ia colocar a bola em jogo.
Eis que passado um ano, Liedson que por duas vezes perturba a acção de Pedro Roma é passado impune enquanto o toque de Pedro Roma quando tentava ganhar espaço para poder soltar a bola, já é considerado agressão e assinalada uma grande penalidade.
Pontos Positivos
1 - Excelente exibição do meio campo academista, principalmente Roberto Brum e Filipe Teixeira.
2 - Vitor Vinha, apesar de estar envolvido no golo inaugural, acabou por mostrar frieza e qualidade mais que suficiente para a partir deste jogo ser opção mais que viável para Nelo Vingada.
3 - A capacidade de luta e entrega dos jogadores, se a luta e entrega em Leiria for identica, os três pontos são clamente possíveis.
Pontos Negativos
1 - A falta de concretização, o resultado pecar por injusto deve-se sobretudo a uma ineficácia atacante.
2 - Faltou o mais importante: o resultado, apesar de a exibição ter sido excelente, a Briosa continua "com os pés molhados da linha de água".
As declarações
Nelo Vingada: "O golo logo no segundo minuto foi um handicap. Parece-me que houve irregularidades na sua construção. O resultado não condiz nada com o que se passou em campo. A Académica fez um jogo interessante e o nosso guarda-redes não fez uma única defesa difícil."
*Por Tiago Freitas e João Amaral



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