Académica 1 - 0 Penafiel
Na defesa das vitórias
Na consistência defensiva parece estar o segredo de ser afortunado neste difícil campeonato. Mais do que as exibições, os pontos são demasiadamente preciosos para que possam ser desperdiçados por questões que são hoje consideradas, de pormenor. O futebol espectáculo foi morto à nascença, pelas características de equidade das equipas e igualmente pela condicionante da descida de quatro equipas ao escalão secundário do futebol português. Assim, a Briosa somou um precioso triunfo que a coloca na primeira das tabelas das tv´s da Liga e ultrapassou a estigmatizante barreira dos 30 pontos.
Nelo Vingada montou um habitual esquema de 4-4-2 (que tantas vezes na época passada foi utilizado para jogar fora de casa) com cautelas defensivas. Apesar de tudo, a maior força do adversário está ainda no ataque e o brioso treinador não desejou nunca ver-se em situação de desvantagem, preferindo gerir a «dose» de ataque. Assim se percebe a consolidação da aposta em Vítor Vinha – nem de perto nem de longe, com o fulgor atacante de Ezequias – e a colagem de Roberto Brum ao sector mais defensivo, deixando as despesas de construção a cargo de Dionattan e Filipe Teixeira. Gelson e Joeano foram a personificação da figura do desperdício, ora por falta de sorte (bola ao poste do número 2 dos estudantes ainda no primeiro tempo), ora por alguma falta de pontaria na hora de encostar a bola.
Pontapé de génio
Ainda o público tecia os comentários da praxe sobre o primeiro tempo e já Filipe Teixeira arrancava o grito das bancadas. Depois de um belo roubo de bola, pleno de oportunidade desfere um pontapé «daqueles» que faz levantar um estádio. O primeiro golo estava feito, no final das contas, sempre o mais difícil, e o Professor poderia continuar a gerir as doses atacantes, por todo o segundo tempo. Depois do golo, apenas se observou a defesa dos três pontos a todo o custo, com a equipa retraída. Nem a entrada de Luciano e Serjão, abalaram as fundações dos princípios do jogo a que assistíamos. O resultado poderia ter sido dilatado, mas a argúcia do fiscal de linha da bancada B e alguma inépcia dos homens da frente, selaram as contas do placard.
Análise individual dos Jogadores:
Dani – Dois jogos a titular, dois jogos sem sofrer qualquer golo. Excelente nas saídas dos postes e na segurança que patenteou no lance final da partida. Será que as contas se inverterão e Pedro Roma entrará no jogo da Taça de Portugal?
Pedro Silva – No lado direito da defesa encontrou o seu lugar e por lá pretende ficar até ao terminus do campeonato. Seguro a defender e a fechar por dentro, constitui uma mais valia, na medida em marca bem livres directos e cantos. Não fora a excelente exibição do guardião contrário e certamente teria festejado o golo.
Zé Castro – Seguro e eficaz, desta feita uma exibição praticamente sem mácula. Leva a equipa a jogar o futebol directo pela eficácia do passe longo, ultrapassando por essa via o combate de meio de terreno.
Danilo – É daqueles que ninguém dá por ele, mas que corta dos lances de apuro. Muito menos faltoso do que no início do campeonato constitui-se como uma verdadeira opção, capaz de relegar Hugo Alcântara para o banco de suplentes.
Vítor Vinha – Novamente pendular, embora sem apoiar com a cadencia necessária a ala esquerda do ataque. Desta feita nem a velocidade dos atacantes contrários foi forma de lhe estragar a exibição. Um pedido… Há que deixar o rapaz marcar mais livres. O virtuosismo do seu pé esquerdo é uma alternativa de peso à força de execução de Pedro Silva.
Roberto Brum – Esteve preocupado em não deixar jogar e por isso, não jogou. Não jogou no apoio ao ataque, note-se, porque este brasileiro sabe bem os caminhos que ele e o jogo trilham. Tenta fazer da sua exibição a necessidade do jogo.
Dionattan – Cada fim-de-semana um pouco melhor. Desta feita, até com algumas recuperações e entrada ao choque, nada que faça montra da sua forma de jogar. No controle e progressão com bola é exímio. Faltou-lhe apenas o ultimo passe.
Filipe Teixeira – Mais um golo de meia distância, numa jogada que se pode considerar só sua. Roubou a bola a um médio contrário e rematou quase sem preparação para um grande golo. Na retina e como imagem de marca, ficam imediatamente o passe para a desmarcação de Joeano. O avançado isolado, rematou com estrondo à barra da baliza.
Gelson – Lutador na frente de ataque perdeu a oportunidade de brilhar quando falhou a intervenção de cabeça, aquela que seria uma assistência para golo de Joeano. O passe saiu um pouco longe demais, o avançado saltou tarde demais.
Joeano – Poderia mais uma vez ter marcado, mas o infortúnio da bola ao poste impediu tal intento. Esteve sempre mexido mas o golo hoje, não era do avançado dos estudantes.
Luciano – Entrou com fulgor e vontade de desequilibrar pela extrema direita. Não fora a infeliz tarde do fiscal de linha e estaríamos certamente, a comentar a belíssima entrada do «ponta» da Briosa.
Serjão – É muito bom na recepção, tabela em lances bombeados e na maneira como faz mexer a equipa nas movimentações ofensivas. Falta ser feliz a finalizar.
Paulo Adriano – Entrou para segurar o meio campo. Ainda tempo para servir Luciano em salva de prata. Foi parte da solução, nunca do problema.
Desde já pedimos desculpa pela baixa do servidor e esperemos que tudo se resolva o mais rápido possível.



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