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  - Terça-feira, Março 07, 2006

Excertos


José Eduardo Simões deu uma entrevista ao jornal «As Beiras» da qual é impossível escapar. Retiramos algumas questões do seu contexto essencial ( e por isso dever-se-á ler toda a entrevista no referido jornal) e tecemos alguns comentários críticos, meramente vinculativos da opinião de quem os escrevinhou. O Presidente deu nota da sua força e clarividência. Palavras que se transformadas em actos, são consubstancia do meu apoio incondicional, em tudo aquilo que foi explicitado. Afinal é o Presidente da Associação Académica de Coimbra.

Excertos:

Qual é a atitude que irá tomar quando forem conhecidas as conclusões da investigação?

Verei na altura. Muita coisa vai correr pelo meio, com toda a certeza. Confio na PJ e quero que a investigação vá até ao fundo. Não houve nenhuma ilegalidade nos Jardins do Mondego ou noutra qualquer, na obra do dr. Tavares de Almeida tem de ser encontrada outra “vítima”... Estou perfeitamente à vontade, podem ver tudo. Todos os meus actos administrativos e urbanísticos.

Como é que reagiu a sua família?

Estou muito bem ancorado por uma família de excepção. Agradeço o apoio, que foi, e é, fantástico. Não é fácil ter mulher e duas filhas e tentar explicar o que se passa ou não o poder fazer, porque quando a PJ saiu não disse se eu era testemunha, arguido ou suspeito. Os agentes foram profissionais, levaram o que quiseram e estou tranquilo. Mas não é fácil explicar este tipo de situações a uma filha que recebe um telefonema de um colega que lhe diz que o pai dela foi preso. Não é fácil, nem o desejo a ninguém. Se me permite, elas sabem o pai que têm. Estão tranquilas. Por outro lado, aproveitei este tempo mau para separar as águas. Os ratos são os primeiros a abandonar os navios em caso de potencial tempestade... o joio já está longe. Os amigos e as pessoas que me acompanharam permanecem. Não esqueço a força que tenho recebido, apesar de todos os boatos, da esmagadora maioria dos sócios da Académica, por todo o lado onde me encontram. Estou–lhes muito agradecido.

Vai passar ao ataque?

Não vou passar ao ataque, nem à defesa, nem ao contra–ataque. Farei o que for necessário para que a verdade seja conhecida. Solicitei ao meu advogado, o dr. Rodrigo Santiago, e porque já passaram quatro semanas sem saber mais nada, que requeresse ao Ministério Público que me constituísse como arguido neste processo. Ou seja: quero saber o que se passa e, ao solicitar ao Ministério Público que me constituísse como arguido, faço-o para me poder defender, se é que alguma coisa tem contra mim. Esta campanha vergonhosa de calúnias tem de parar. A investigação tem de ser feita até ao fim.


Apenas ontem, já largas horas da noite, conheci o teor das declarações do nosso Presidente José Eduardo Simões. Sensibilizam-me particularmente, por dois motivos: Gosto das leis e da maneira como elas se entrecruzam com o «meio» a que são expostas; tentar perceber as motivações, razões legais, as formas de permeabilidade ou impermeabilidade dos preceitos normativos às realidades da vida, alegra-me sobremaneira. Por outro lado sou um bicho «sociologicamente limitado». Confesso que é com alguma mágoa que percebo da necessidade de alguém se constituir arguido, para se libertar de uma condenação do meio social da norma, e não pela norma em si. Uma condenação à priori, socialmente decretada que apenas pode ser atenuada ( e não digo anulada, note-se!) por uma decisão de um tribunal de lei.

Primeiro ponto: Se José Eduardo Simões se constituir por acto de vontade, arguido, merece mais do que a minha solidariedade. Merece o meu respeito e consideração. Uma posição digníssima, que apenas um Presidente da Académica poderia tomar. Suspensão? Renuncia? Nunca, nestes termos. Linear e claro. Quantos de nós perante um arquivamento (e uma decisão factual de não culpabilidade), nos sujeitaríamos à barra de um tribunal penal? Enfraquecer-se deliberadamente, sujeitando-se às premissas de um julgamento e a todas as suas inerências, tentando única e exclusivamente, libertar-se do estigma, das cicatrizes que o marcam, é de Homem. É de Presidente.

Segundo ponto, não menos importante. Sou contra a denúncia anónima. Porque o tenho de ser, pela lógica das coisas, pelo senso comum. Num Estado de Direito onde o segredo de justiça não funciona, onde a fase de inquérito, investigatória, é pública e discutida no meio onde a condenação vai funcionar, só posso tomar em consciência esta posição.

Corremos o risco de julgar a vítima, em primeira linha, por denúncia do criminoso, por paradoxal que tal raciocínio pareça ser. O denunciante anónimo, perante a impossibilidade do Segredo de Justiça, sabe que em primeira ratio, o investigado vai ser julgado pela comunidade onde está inserido. Jogando com esta arma, inverte o processo natural do processo (passe o pleonasmo), obrigando a «vítima da denuncia» a ser o condenada sumariamente por televisões, jornais, rádios, blogues, em primeira linha e como consequência, por todo o meio social onde esta se insira.

As motivações jurídicas e a protecção do conceito de «denúncia anónima» da notícia de crime farão sentido, nestes termos? Jogamos com dados viciados. O resultado já saiu. Para virar a mesa, arrepio-me, que alguém se tenha de constituir arguido, para se ver livre de uma acusação ao jeito medieval, sumaria e sem conhecimento de causa; condenação essa afinal, assinada por todos nós, enquanto seres sociais.

Mas existem algumas diferenças em relação ao valor que a PJ encontrou no seu carro. Pode falar disto?

Não sei se posso ou se não posso... A comunicação social escreveu e disse muita coisa. Sou presidente da Académica e sei das necessidades financeiras da Académica e, com o meu vice–presidente para o pelouro administrativo e financeiro, dr. Luís Godinho, tenho o dever de cumprir as obrigações, nomeadamente o pagamento dos salários aos funcionários. No dia 7 de Fevereiro, quando foi efectuada a busca em minha casa, na autarquia e na Académica, tínhamos ganho ao Setúbal e ao Paços de Ferreira e íamos jogar com o Aves. A Académica procura pagar os salários até ao dia 10 do mês seguinte ao que respeita, no caso dos nossos jogadores. Íamos pagar salários do mês de Janeiro. Sabíamos que não tínhamos ainda dinheiro suficiente no banco. É que, na sequência do negócio do Marcel com o Benfica, existem pagamentos diferidos, com possibilidade da Académica proceder ao desconto das letras. Essas letras foram depositadas no BCP no dia 21 de Janeiro. Do banco disseram–nos que a resposta seria muito rápida, mas os dias passaram e, de facto, parte do dinheiro só foi disponibilizada no dia 15 de Fevereiro. No final de Janeiro, início de Fevereiro, verificámos que não era possível cumprir com aquilo que estava prometido. Então, quer eu, quer o dr. Luís Guilherme fomos obrigados a procurar verbas para fazer um empréstimo pessoal à Académica, e era esse dinheiro que estava comigo, na terça–feira dia 7, para ser depositado na conta da Académica e permitir os pagamentos. É uma coisa perfeitamente normal, já que o dinheiro em causa não tem proveniência ilegal ou fraudulenta. É importante referir que a instituição não usa cartões de débito ou crédito para efectuar qualquer tipo de movimentos bancários. Aquilo que paga é em cheque ou numerário. Era dinheiro nosso, meu e do dr. Luís Guilherme, que recebeu um cheque da Académica como garantia. Desde que estamos na Académica existe uma coisa que é sagrada: honrar os compromissos. Obviamente que seríamos reembolsados logo que o desconto das letras fosse concretizado.Assim, neste momento não tenho o dinheiro, que é meu. Não cumpri o compromisso e a Académica não pagou no dia acordado, o que gerou intranquilidade na equipa, como é natural.


Que o Presidente José Eduardo Simões não é um douto ser social, um comunicador por excelência já todos o sabemos. Não é condição para ser Presidente da Académica, nem tem de necessariamente de o ser. Pode ganhar ou perder com isso, pela forma como a sua mensagem (ou ausência dela) possa ser, mais ou menos bem interpretada para os destinatários a que se dirige. Uma má vocalização da mensagem ou a ausência desta, fazem com que o ruído tome conta de todo o discurso. Para além de poder levar a múltiplas interpretações, mais ou menos legítimas. Neste caso o Presidente foi explícito. Claro. Inequívoco. Não há qualquer sombra de dúvida sobre os intentos, o paradeiro e as origens do dinheiro. Não o deveria ter feito, podem referir, segundo as regras do segredo de justiça e pressupostos da boa condução da fase de investigação.

Mas qual Segredo de Justiça, pergunto eu…

José Eduardo Simões foi claríssimo na explicação. Talvez como não o tenha sido nunca, até este ponto. De cada vez que se falar no dinheiro, basta remeter para esta resposta. Triste é perceber, que de alguma forma a Instituição pode ter sido prejudicada, sobre a sombra de um escrito anónimo.




Considera–se um alvo a abater?

Não perco tempo com os actos de gente menor e que não tem capacidade para criticar nos locais próprios. Há órgãos da comunicação social que se entretêm com a minha pessoa de uma forma negativa. Recordo várias notas: que não chegaria a Dezembro como dirigente, que logo que saísse da Câmara me demitiria de presidente da Académica, que a Académica não teria futuro se não continuasse como director municipal, enfim, li muita coisa, muito disparate. Porém, estamos em Março e continuamos a trabalhar bem. Conseguimos fazer o melhor negócio da história da Académica - o empréstimo com garantia de venda do Marcel ao Benfica - e vamos reduzir o passivo, colocando-o em valores que nos confortam e permitem afirmar o seguinte: a Académica de hoje não tem nada a ver com a Académica de há três anos, a Académica das dívidas, dos cheques devolvidos por pagar, sem credibilidade e em que ninguém confiava. Hoje, a Académica tem um conjunto de atletas de grande valor. Neste momento, recuso propostas para venda de jogadores. A Académica precisa de tranquilidade, de valorizar os seus activos e cumprir os seus objectivos a tempo e horas. Ou seja: não é vender ao desbarato ou pela pressão das notícias da comunicação social, é vender na altura própria. Qualquer negócio tem de ser muito benéfico para a Académica, permitindo ao mesmo tempo o reforço da equipa.


Sobre a equipa, tempo há para fazer e tecer comentários. Neste momento apenas a registar o forte apoio de todos os académicos à malta negra. Aos 11 que nos simbolizam. Há tempo e possibilidade de post’s para discutir mais amplamente essa questão, na certeza que assentarão na confiança transmitida pelas palavras presidenciais.

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