O que seria de nós sem rivalidades?
Vitória Guimarães VS Académica - Sempre um duelo diferente
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Por mais anos que recuemos no tempo, não chegaremos com certeza a nenhum espaço temporal em que as rivalidades não existissem e que não fossem por vezes cometidos excessos na defesa de cada um. Se nos povos pré-históricos se lutava por animais que serviriam de alimento, e nos dias de hoje se luta intensamente por um outro "alimento", também no futebol a luta pela sobrevivência, e mais do que isso, por uma superioridade, que por vezes leva a que sejam cometidos excessos. E qual a melhor altura para dissertar acerca do assunto, senão depois de um sempre emotivo Guimarães-Académica?.
É hoje um assunto em voga na sociedade este das claques, ao ponto de já se questionar o beneficio ou malefício que estas trazem ao futebol, os cânticos que embalam as equipas, ou simplesmente a dedicação e amor ao clube demonstrados por estas minuto a minuto, jogo a jogo, temporada a temporada, sempre atrás da sua religião. Não será novidade para ninguém, que existem milhares e milhares espalhados por este mundo fora - e quantos já perderam a vida em viagens atrás do seu clube - que põem acima de tudo e todos, mesmo os que lhe são mais próximos, e que são capazes de tirar de si próprios para - como se de um filho se tratasse - entregarem-se de corpo e alma a seus emblemas. Não será então por aqui que aparece o lado negro das claques, mas antes na questão da mentalidade, algo que nos dias de hoje não é exclusivo das claques mas antes da sociedade dos nosso tempos, a cada dia que passa com uma crescente falta de valores e princípios, e que se reflecte nos momentos de maior euforia, ou naqueles de fracasso e tristeza...
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Os "ultras" por tudo o que foi dito atrás, manifestam talvez o lado mais visível de tudo o que a sociedade de hoje vive, com violência, a mesma violência que todas as noites acontece em vários locais bem distantes do 'palcos da bola' mas que a televisão e os jornais já não relatam, talvez por tão useiras e vezeiras que são. .
Com o que se escreve aqui neste momento, não se quer no entanto tentar transparecer que somos indiferentes a todas e quaisquer atitudes que possam ser tomadas, porque é opinião geral que algumas claques fariam a mesma falta ao futebol que uma viola faz num enterro, mas como em tudo na vida, ao fazer-se uma análise geral, há sempre extremos que não são possíveis de atingir nessa análise por mais alargada que esta seja.
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No último Domingo, na cidade berço de Portugal, defrontaram-se adeptos diferentes, de clubes diferentes e com uma mentalidade enormemente diferente. Se a nossa "Mancha Negra" ainda hoje - como sempre - entra em todos os jogos para ganhar, pela sua atitude única e exclusivamente a favor do espectáculo, quase sempre alheada de guerras e demais distúrbios, do outro lado estavam as várias claques organizadas do Vitória de Guimarães, que não ensaiam um único instante para uma provocação a um jogador ou adepto ou mesmo em guerrilhas internas que nada beneficiam o seu clube, para o qual repito, que não tenho duvidas de que seja muitas vezes o que na vida mais facilmente lhes traz emoções, quer de alegria ou de tristeza, de euforia ou profunda consternação.
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O resultado final foi um empate, e até nos deu um certo regozijo, entrar nos fóruns do Vitória e encontrar no meio de tanta frustração, banners como esta que vêem à vossa direita, numa frase que seguramente não tem o carimbo vitoriano na sua génese. Mas mais do que o resultado e do que estes desabafos tão usuais em qualquer adepto, foram as atitudes das claques vimaranenses, pelo menos ao que rezam as crónicas que nos chegam, porque desportivismo e ser adepto, não é fácil, e a dedicação à causa não justifica atitudes como as que foram tomadas contra as gentes da Briosa, e contra a própria integridade física dos Académicos que marcaram presença no Estádio D. Afonso Henriques.
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Agredir pela simples razão de agredir, ultrapassa todas e quaisquer barreiras, todos e quaisquer limites, mesmo aqueles que para as claques são amplamente alargados por tudo o que já foi dito em cima, e trata-se neste caso de situações de uma falta de civismo atroz, em que não tenho qualquer receio em afirmar que são verdadeiros burros, com talas viradas unicamente para a violência e para o seu clube, não olhando a meios nem a fins para atingir os seus objectivos, e adeptos como estes meus amigos, estragam tudo o que se pode dizer de bom acerca de um clube que leva 18.000 pessoas ao seu estádio e com a equipa em zona de despromoção. Não sou particularmente apreciador do Guimarães, mas digo-o, admiro imenso os seus adeptos que a todos os níveis nos dão todas as semanas verdadeiras lições, mas tenho um pavor às suas terríveis claques, tão más que até Pimenta Machado decidiu excomungar uma delas...



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