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  - Domingo, Abril 02, 2006

Faltou a "Estrela" da Sorte

A Académica perdeu hoje, no Estádio José Gomes, por 3-2 ante do Estrela da Amadora.

EXPLICAÇÕES PRECISAM-SE!

Depois de ganhar alguma coragem resolvo finalmente ver o resumo, entre olhos semicerrados, do jogo na Reboleira, esperando que miraculosamente algo de diferente surja no ecrã, pelo menos algo de diferente do que vi, algo que mudasse aquela vintena de minutos finais. Mas não, como de habitual. Tivemos a estrela na mão, mas quase que incompreensivelmente deixámos que esta se transformasse num meteoro que arrasou completamente as esperanças de sair de Lisboa entre, amigos inevitavelmente, mas igualmente entre cânticos de vitória.

A primeira parte não poderia ser melhor. Em termos tácticos, em termos físicos e no aproveitamento do erro adversário. A Académica facilmente chegou à vantagem, dominou todas as vertentes do jogo, mostrando-se claramente superior e materializando esse ascendente. Colocando N’Doye e Nuno Piloto mais recuados no apoio ao dois laterais, Pedro Silva e Vítor Vinha, estes dois praticamente colados à linha final (dando apenas 10 metros de jogo aos dois alas adversários), o Professor Nelo Vingada pareceu ter acertado na «mouche» estratégica. Joeano e Filipe Teixeira, o primeiro de cabeça na sobra e em antecipação, o segundo depois de uma genial jogada individual, confirmaram isso mesmo remetendo o resultado em 0-2, nada fazendo antever na saída para o descanso, que o segundo tempo ser tão devastadoramente inglório.


3 golos em vinte minutos


Sofrer 3 golos numa vintena de minutos custa, definitivamente, a engolir. Gelson, Luciano e Ezequias falharam, ora por demérito ou manifesta falta de sapiência futebolística, ora por falta de sorte o golo da tranquilidade. O adversário balanceou a equipa em desespero para a frente, a Briosa em desespero arrumou-se para trás. A muralha defensiva rasgou-se, pelo número e quantidade de investidas. Quatro homens não chegaram para seis (!) atacantes. Os adeptos das Capas Negras, no miserável topo norte desesperavam pela quantidade de espaço de terreno por onde se poderia jogar ( meio-campo atacante) e que nunca foi preenchido por Nelo Vingada.

A saída de Joeano é compreensível pela atitude e postura do treinador. Gelson fica em campo porque defende melhor, Joeano saiu porque ataca melhor. Este é o paradoxo a que chegamos nesta fase da época, perante um adversário que mostrou sempre (mesmo quando se colocou em vantagem) ser manifestamente inferior à Académica. Teve apenas de fazer o óbvio, no banco para ganhar. Continuamente encher o meio de terreno atacante de referências. Nelo Vingada, em seu abono, nunca teve um «Danilo» para colocar em campo...


Análise individual dos jogadores


Dani – Sofre mais três golos sem culpa em qualquer deles. Era uma avalanche que o impossibilitava fisicamente de suster. Sempre atento e seguro nas restantes intervenções.

Pedro Silva – Excelente na primeira parte, impulsionado pela falange de apoio da Briosa. Perdeu apoio – do público e dos companheiros – no segundo tempo, caindo com a equipa, a sua prestação individual. Perde mais uma vez de cabeça, na intervenção ao segundo poste, que originou o primeiro golo adversário. Culminou com a expulsão e um acto irreflectido, de pronto sanado pela intervenção do Presidente.

Zé Castro – Jogou claramente condicionado, não demonstrando o fulgor de dobra de outras partidas. Demasiadamente preocupado em não forçar (compreensivelmente) não aplicou velocidade, num jogo onde ela era crucial. Perante tanto adversário, revelou-se desprotegido. Já fez muito (e fará), mas muito melhor!

Hugo Alcântara
– Uma boa exibição na primeira parte, sem lance de reparo. No segundo tempo, quando teve de aplicar a velocidade (manifestamente não é a sua melhor característica) sentiu dificuldades perante adversários de palmo e meio, com outras características. Custou ter de ver um anão a cabecear ao nível do seu cotovelo, num «centro baixo». O que poderia o gigante fazer?

Vítor Vinha – Sentido posicional irrepreensível e uma cultura táctica digna de registo. No segundo tempo, quando no lado direito estavam 3 ( Pedro Silva, Nuno Piloto e Luciano) ele tinha apenas um companheiro de flanco. Depois encostou aos centrais e desapareceu, completamente do jogo.

Roberto Brum – Como a equipa caiu no segundo tempo e desta vez não teve capacidade para se erguer e carregar às costas os negros, quando estes mais precisavam. Deveria ter sido, na minha modesta opinião, quem se deveria ter encostado aos centrais (se a opção era defender) e nunca Vítor Vinha. O golo do liliputiano, nunca teria acontecido.

Filipe Teixeira – Um golo memorável e uma exibição de luxo. É um crime obriga-lo a defender daquela maneira, no segundo tempo. Mais à frente teria feito miséria, em tanto espaço de terreno livre.

Nuno Piloto – Se antes queria fazer tudo sozinho, agora esconde-se do jogo, tem medo de ir para cima, ter medo de arriscar. Uma exibição que não convenceu no primeiro tempo, uma exibição deplorável no segundo, fruto também, da atrapalhação posicional a que Nelo Vingada submeteu o flanco direito. Se tens qualidade (e tens) joga à bola, sem medo homem! Passa quando tiveres que passar, remata quando vires a baliza!

N’Doye – Da esquerda para o centro foi sempre um elemento de perigo. Uma belíssima exibição que o libertará para o próximo jogo em Coimbra. Sobe de forma e se tivesse podido continuar em campo, mais pelo centro, teria imensas oportunidades de ter aplicado o forte remate que possui.

Gelson – Fica em campo porque defende melhor, ganha mais bolas de cabeça na reposição, faz duas posições em fases distintas de jogo, mas começa a perceber-se que não é a calma que abunda quando está isolado. No lance em que em posição frontal perde o golo, percebe-se claramente que pensa «Porra, isolei-me! É desta é que estou fodido!». Se tivesse marcado o golo seria o Homem do Jogo. Assim, também o foi…

Joeano – Mais um golo em antecipação e outro ainda que poderia ter marcado num fora de jogo muito discutível. Saiu porque afinal, ataca melhor do que defende. Princípios de jogo.

Suplentes utilizados:

Luciano – Perdeu um golo claro e teve três ou quatro apontamentos de interesse junto à linha. Mas com tanta gente a atabalhoar-se no flanco direito…

Ezequias – Poderia ter marcado um golão mas a bola foi à trave. Na fase final teve (todo!) o flanco esquerdo entregue a si.

Serjão – Sem tempo para nada.


* Por Embriolado

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