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  - Quinta-feira, Abril 13, 2006

Nunca caminharás sozinha









Quando caminhares nessa tempestade
Ergue a cabeça direita, face a ela.

Cada um de nós, amarras, tábuas, velas.

Cada braço meu, uma amarra a ele esticada
e outro braço de alguém, uma amarra ao mar voltada
Se sou sozinho um fio de novelo imprestável,
Todos, uns nos outros, esse cordame inquebrável.

Cada garganta, um sopro de murmúrio, canta
e noutra garganta junta, esse vento se levanta
Se sou sozinho uma leve brisa imprestável,
Todos, uns nos outros, um alísio indomável.

Cada corpo ténue, prostrado, uma pouca tábua de calado
Com outro e outro corpo junto, range já o casco selado!
Se sou sozinho uma balsa de mar e vento imprestável,
Todos, uns nos outros, o porão da vontade inquestionável.


É na fúria dos ventos das tempestades que o sonho é moldado
É lá que encontras a génese do sonho que havias sonhado.

Porque…

Antes de afundares, cede o casco e cada uma das tábuas.
Antes de o mar te voltar, parte-se uma e todas as amarras.
Antes de o vento pegar, são mil pedaços de velas despedaçadas.

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