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  - Sexta-feira, Abril 21, 2006

O album das memórias.


Por vezes, sentado nas modernas cadeirinhas de plástico abrigadas da intempérie, vêm-me à memória tempos passados e kilómetros percorridos atrás desta fé que veste de preto.

Vou por aqui deixar alguns desses episódios pitorescos que ilustram bem a forma irreverente como nós académicos vivemos o futebol e que não encontra paralelo em nenhuma outra instituição.

Já nos finais dos anos 80, se calhar uma época nem tão distante assim na mente de muitos, éramos muitas vezes obrigados a excursões a lugarejos onde a bola se jogava à “flor do saibro” e as costas das camisolas dos fiscais de linha acabavam invariavelmente adornadas pela "culta" massa associativa local.

Uma dessas deslocações, na altura para a Taça de Portugal, foi à Mealhada (ouro sobre azul, enfardamos um leitão e a seguir comemo-los de sobremesa). Mas as coisas não correram bem como o planeado. Num daqueles jogos típicos de “segundona” acabámos empatados a 1 golo após prolongamento, mas a parte mais engraçada do jogo até apareceu no intervalo.

Após a recolha dos jogadores às cabines, um pequeno “gaiato” agarrou numa bola esquecida e com ela começou a percorrer o campo direito a uma baliza, sem se aperceber que um adiposo agente da autoridade, lhe procurava fazer uma marcação cerrada, por forma a expulsar tão perigoso intruso do terreno de jogo. Uma vez agarrado o pobre rapazinho, foi levá-lo ao seu pai, por sinal um irreverente académico que não compreendia tamanho excesso de zelo:

- Oh Senhor Guarda, deixe lá o miúdo divertir-se um bocado …

- Tenho ordens para não deixar entrar ninguém, o que é que “bouxê” quer que eu faça ???

- Oh amigo, precisamente! Eu quero é que o amigo não faça nada …

A tarde valeu por este episódio, e pelo leitãozinho que, como de costume, estava óptimo !!!

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