Os números da crítica

Palavras contra números, estatística versus opinião. Letras e algarismos são muitas vezes realidades inconciliáveis, umas opinativas, outras demonstrativas, todas elas tendem a tentar enquadrar uma forma de pensamento numa determinada realidade. A frieza dos números ou a força opinativa do argumento são as formas mais recorrentes de debater ideias. Mais fácil de lançar, a opinião, carece apenas do rabisco de uma forma de pensamento. Por outro lado, a demonstração matemática promove a pesquisa e a tentativa de balizar as questões mais pertinentes. Uma e outra lançam argumentos sobre quais das duas é a mais acurada. Qual fornece melhores e maiores pontos de vista, sobre uma realidade. Mediante a nossa aproximação sentimental a cada uma das realidades, preferimos uma ou outra forma de construir uma base demonstrativa.
Sobre a Académica, já muito se opinou, se discute e continuará – saudavelmente – a discutir. É certo, que por um ou outro motivo, mais baseado na formulação argumentativa do discurso, mais ou menos elaborado. Por isso, como já fizemos em post anterior (sobre o aproveitamento dos escalões de formação, onde se verificava que os Negros eram o terceiro plantel com melhor aproveitamento das camadas jovens na construção do plantel sénior) tentamos novamente lançar dois dados novos, sobre a actualidade desportiva da Briosa.
Um e outro realidades interessantes, sobre as quais convém, pelo menos fazer referência. Uma é hoje, curiosamente, escrita pelo atento Luís Pena Viegas no Jornal o «O Jogo». A Briosa é o segundo melhor ataque da Liga fora de casa, com 22 golos marcados. Nem o já quase consagrado campeão Futebol Clube do Porto, marcou tantas vezes fora. O primeiro classificado, desta mini-tabela o Sporting, está a apenas dois golos de diferença. Com 5 vitórias fora, que facilmente poderiam ser 7 ou 8, os Capas Negras são das mais produtivas e temidas equipas a jogar fora de casa. Méritos indiscutíveis da estratégia do Professor Nelo Vingada, que apenas por 3 vezes permitiu que a sua equipa não facturasse a jogarem fora de portas. Ao contrário em casa, por 5 vezes não marcou. Esta é uma equipa de contra-ataque que espera o erro do adversário e que não costuma perdoar na frente, quando ele surge. Contudo, depois da saída de Marcel, esta tendência tem-se alterado e a equipa marca mais golos, está mais solta, mais liberta. 13 golos na totalidade do campeonato até à saída do goleador brasileiro, uma espectacular marca de 21 golos após a sua saída e ainda com 3 jornadas por decorrer até ao final do campeonato, onde certamente ampliaremos esta marca da felicidade. Condicionantes estratégicas, diferente posicionamento da equipa e dos jogadores, multiplicidade de referências na frente… tudo factores de importância para esta curiosa marca.
Anotaram a solução do sucesso?

Marcar quatro golos de goleada, em casa de um concorrente circunstancial como é o Rio Ave na luta pela manutenção é obra! De maior ressalva ainda a forma como foi atingida, os méritos que aos jogadores têm de ser atribuídos. Gelson, Rui Miguel e Pedro Silva, todos eles pontualmente maltratados (por direcção e facções de adeptos) foram os aríetes da vitória do conjunto. Que muitas mais vezes sejam, é o que todos desejamos. Dois dos apontados «brasileiros sem qualidade» e um «proscrito por opção técnica» fizeram vibrar as gargantas académicas espalhadas pelo mundo.
Curiosamente os mais criticados, foram os que gritaram «Presente!» na hora do encosto final e um deles fez um golo «à la Maradora». A chave da vitória esteve sempre aqui, debaixo dos nossos «cartolados narizes». Um misto de jogadores da casa, com qualidade e o reforço dos outros sectores carenciados, com jogadores o melhor possível, dos mercados mais acessíveis ou mais propensos a penetrar no futebol português. No jogo de Vila do Conde a Briosa igualou mais um record que nos enche de orgulho, a todos os Académicos. Foi a par do Sporting ( no jogo ante o Penafiel, fora) que mais jogadores das suas escolas, com menos de 23 anos apresentou em campo, num estádio de futebol da Liga portuguesa deste ano. Vítor Vinha, Zé Castro, Rui Miguel, Sarmento e Ito – sendo que Eduardo estava sentado no banco de suplentes e que Nuno Piloto, se não estivesse castigado teria também dado o seu contributo à equipa – foram o espelho da orgulhosa formação académica, que se quer sempre melhor, mas que tem de ser aplaudida, neste preciso momento. Uma palavra de forte apreço ao treinador, que aposta forte nas jovens escolhas à sua disposição e para os «putos» que tão bem se portaram…melhor? Impossível!
Uma equipa que festejou os golos da alegria coimbrã no mesmo abraço, na mesma língua. Um misto de belíssimos jogadores, brasileiros (filiados em escolas de samba ou não) e portugueses unidos na «roda-do-golo». Afinal não é este o objectivo do futebol?
FORÇA BRIOSA!



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