Sobre o conteúdo Assembleia Geral

Claramente o tema «Assembleia-Geral» merece um tratamento especial, em forma de post. Talvez um pouco mais alongado no número de linhas e pressupostos exemplificativos e explicativos da realidade interpretativa dos números, pela qual, desde já pedimos desculpa, mas queremos forçosamente que este assunto seja dado a conhecer as sócios da forma mais clara e explicativa que as nossas capacidades (certamente modestas) o permitirem.
Queremos que esta forma de escrito se transforme num sério propósito de discussão, muito para além das habituais criticas (a)valorativas, das razões de cada um, muito mais que da Razão em si. Discutiremos a análise dos números, da proposta de votação de orçamento que foi levada à mesa de discussão, das valiosas intervenções de alguns associados, de algumas outras menos conseguidas, mas tendo sempre em linha de conta que se veneramos a Associação Académica de Coimbra – Organismo Autónomo de Futebol, temos igualmente de ter um profundo respeito pelo «sangue» que faz correr a Vida da nossa Associação, tratando uma Assembleia Geral como a mais perfeita forma de expressão do pulsar académico e da vontade dos Associados. Contem connosco para uma análise tão desaproximada de convicções e lutas pessoais quanto possível, para quem efectivamente deseja saber o realmente esteve em discussão.
Ligeira Redução do Passivo
Apesar do grosso da transferência de Marcel para o Benfica não estar ainda contabilizada nos números finais da análise das contas facultadas aos sócios da época de 2005/2006 (2º Semestre de 2005) existe nestes meses uma redução do passivo, que deriva – igualmente – de uma significativa redução de custos e articulamento de sectores da Académica. Assim uma redução de custos na ordem dos 18% permitiu uma redução sempre salutar dos números finais do lado do «deve», estando agora o sinal mesmo à esquerda do número 1.732.652.33€. Assim, o resultado líquido do exercício pode ser considerado de negativo em precisamente 23 mil euros. Um resultado encorajador se observarmos, por exemplo, que no mesmo período do ano passado o mesmo resultado era de 823 mil euros de saldo negativo.
Para mais a grande fatia de proveitos inerentes da venda de parte valiosa do activo incorpóreo, recorde-se, não está ainda contabilizada – podendo ser apenas posta em causa, parcialmente, por acções de credores antigos do clube, o que afinal não confluindo para gerar riqueza imediata (sequer mediata que já não aproveitada) faz baixar obviamente os números do passivo, nomeadamente na rubrica de dívidas a terceiros.
Apreciação do Orçamento de 2006
Apesar da sua natureza não obrigatória, até da sua «apresentação desnecessária» (apesar de ter para mim, que a boa informação é sempre um bem -ou um mal…- proveitoso) este foi um dos pontos mais positivos da noite. Percebeu-se claramente que há uma estratégia definida quanto à direcção do caminho a tomar. Os problemas estão diagnosticados, esperando agora pela acção da cura acertada. Sabe-se claramente quais as receitas de fonte ordinária que permitem a gestão corrente da nossa Associação, sabe-se como e onde apostar em termos de realização de mais-valias, sabe-se quais são os males do que provém do exterior, do «ambiente» do futebol português onde vivemos. O Presidente José Eduardo Simões deixou isso bem claro quando se insurgiu «contra a canibalização do futebol português pelos 3 grandes, que sozinhos absorvem mais de um terço da receita do futebol em Portugal».
Assim, a Briosa vive e joga com as suas receitas correntes. Podemos passar a relatar as mais importantes porque são de domínio público.
Receitas ordinárias:
- Contrato com a TBZ («Operação Estádio» até 2009) que rende cerca de 2.200.000€ anuais e 2% da facturação que exceda cerca de 2.750.00€ ano, como foi o caso deste ano, cerca de 3.000.000€.
- Receitas da TV ( 1.400.000€ anuais pagos em duas prestações em dias aproximados de 30 de Junho e 31 de Dezembro)
- Receitas do Bingo ( 150.000€ - que se espera que aumentem aquando da exploração do novo Bingo pela BingoPlus no espaço físico do Estádio)
- Publicidade ( 225.000€ do patrocínio Oficial mais 475.000€ dos restantes itens publicitários)
O maior e mais grave problema desta lista de receitas (também ele percepcionado pela Direcção) será curiosamente uma das soluções para o aumento de receita ordinária de 2007. E aí mérito para a direcção. Passamos a explicar. Estamos neste momento no 3º escalão na negociação de direitos televisivos; Estes foram negociados na época de 2000/2001 com as limitações sobejamente conhecidas. Apenas 6 (!) clubes na Liga auferem menos em termos de contrapartidas da OliveDesportos que a Académica. Contudo e como não cedemos à antecipação de receitas (vide caso de Guimarães com receitas antecipadas até 2010) televisivas, poderemos começar desde já a negociar os direitos televisivos com outra força e expressão, até aqui impossíveis.
Um outro claro condicionante de gestão é a existência de apenas dois picos de receita por época, em Janeiro e Julho, que condicionam a abordagem de formas de rentabilização da Briosa nos restantes períodos negociais.
Assim e dentro de um quadro de Orçamento de rigor os números lançados para aprovação de Orçamento dentro de algum tempo rondarão os 4.750.000€.
As propostas sujeitas a Votação
Se o contrato da Repsol – Finibanco já estava em marcha materialmente faltando apenas a formalização da aprovação por deliberação societária há largos meses, não trazendo nada de novo à discussão (apenas um arrastamento de receita para o pagamento de um empréstimo à referida entidade bancária que finalizará dentro de 8 prestações de 50.000€), a discussão da Academia Briosa XXI ou Complexo Dr. Francisco José Soares foi, tristemente adiada. O BES rejeitou uma proposta de financiamento de cerca de 1.500.000€ para conclusão de toda a estrutura adjacente ao complexo (como sempre afirmamos ser necessário), negociação conduzida pelo administrador Ricardo Salgado, por motivos de outro tipo de aposta no mercado do futebol. Ficou a promessa de que outras tentativas, nomeadamente junto do BANIF e BPI vão ser postas em marcha.
Apesar de ter acontecido, este é um ponto que nunca deveria ter surgido, antes de sido negociado. Antes que todas as premissas do contrato estivessem efectivamente acordadas pelos contratantes nunca deveria ter sido sequer proposta a questão à discussão. Apenas pelo facto de estarmos a discutir sem base factual. O que torna qualquer tipo de argumentação basicamente impossível.
Por outro lado este triste acontecimento gerou um outro, de clara percepção do movimento académico (que aliás havia já por aqui sido demonstrado em «caixa de comentários»). Um número apreciável de sócios tomando em mãos uma ideia lançada a lume no Conselho Académico, formará uma «comissão ad-hoc» para de forma organizada conseguir recolher fundos de maneio, numa fase primária para edificação dos dois campos sintéticos (com custos na ordem dos 300.000€) e em outra, mais arrojada, para a edificação do Complexo. Assim reavivou-se o espírito académico de luta e prossecução de um ideal comum, de forma altruística superior à realização individual, antes congregadora de uma vontade comum.
Uma proposta à qual era impossível não levantar o braço em sinal de voto positivo, quanto mais pela positividade com que foi apresentada, pelos ideais que a deliberação reúne e representa. Assim aconteceu, a Assembleia uniu-se votado massivamente a favor, apenas com um voto contra.
Momentos
Apenas alguns esclarecimentos finais, frases arrancadas à desgarrada porque o tempo não mais permite e o texto já vai longo.
Primeiramente uma dúvida esclarecida. Ao contráiro do que foi densamente propalado a sede do ProCAC já é efectivamente património da Académica. As obras ainda não começaram porque «se espera ainda as licenças» que se esperam isentas de pagamentos pelo estatuto de utilidade pública da AAC – OAF.
Igualmente sobre o «caso Zé Castro» foi referido: «Sai a custo «0» e apenas me lembro de um jogador, Jorge Humberto, que abdicou de 1/3 da sua transferência para o Inter de Milão para o doar à Académica».
Finalmente e contra «ficção científica escrita por quem não sabe dos assuntos» o Presidente estará disponível para receber pessoalmente os sócios na primeira Quarta-feira de cada mês entre as 18h – 20h e posteriormente entre as 21h-22h, no Pavilhão Jorge Anjinho, para esclarecimento de dúvidas dos associados que queiram mais informação do que aquela que normalmente dispõe. Uma proposta, note-se, igualmente trazida a lume no Conselho Académico.



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