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  - Quinta-feira, Junho 01, 2006

AG e o "caso" Zé Castro ...

Respondendo ao pedido de alguns leitores, vou deixar a minha opinião (que não passa disso) sobre o que se tem passado em torno da Assembleia Geral da última Sexta-Feira e sobre os desenvolvimentos recentes do caso Zé Castro.

Começando pela AG, gostei da intervenção do Presidente a propósito do balanço desportivo da época que finda e das responsabilidades no semi-falhanço que devem ser repartidas. Falou da estratégia que persegue desde que entrou na Académica, com a valorização de activos e o acabar da "mão estendida" aos 3 clubes do costume. Empréstimos só com opção de compra, comprar um nucleo de jogadores que sendo caros têm mercado (Marcel, Brum) e apostar em jovens jogadores das camadas de formação ou vindos do outro lado do Atlântico para compor a equipa de futebol profissional. Digam o que disserem, para mim continua a ser o caminho a seguir. É um caminho onde se acerta e se falha mas com o qual temos mais hipóteses de nos mantermos na I Liga. O jogador-estudante e o romantismo dos anos 60 têm necessariamente de ficar na bancada, senão nunca ganharemos mais uma Taça de Portugal ou um Campeonato Nacional e eu, meus amigos, mais do que pensar que isso é utopia, tenho-o como ambição!

Referindo-me directamente às propaladas surpresas que lá iria encontrar, confesso que o facto de uma reputada instituição bancária negar o empréstimo para a conclusão da Academia me deixou apreensivo. Tanto mais que as próprias contas apresentadas nesta AG parecem indiciar uma inversão nos números do passivo com um resultado líquido aceitável e com um equilíbrio orçamental suportado numa série de fontes de receita ordinária que ultrapassam os 4 milhões de euros ...

Mais preocupado fico quando o Presidente da Instituição diz a todos os associados que falará com mais 3 instituições bancárias, mas depois aceita de bom grado um empréstimo feito por sócios. Será que não tem confiança na resposta desses bancos? Este tipo de operações, embora enobreçam os académicos que lá colocarão o seu dinheiro (o que só merece de todos nós uma palavra de apreço e grande admiração) deixa, no meu entender, passar uma imagem pouco profissional para todos os sócios e mesmo para quem está fora da Instituição.

Eu tenho para mim que, se calhar, nos estamos a precipitar, e que devíamos primeiro (a ser verdade que ainda não foi feito) chegar a uma conclusão sobre o valor no mercado publicitário do nosso complexo de treinos. Desde logo o próprio nome do complexo (que aparece regularmente em 3 jornais diários desportivos de grande tiragem sempre que a equipa principal lá treina) e do potencial da colocação de placards de publicidade estática junto a uma das vias mais movimentadas da cidade e contígua ao complexo.

O caso Zé Castro

Quando há 3/4 anos alertei para a grande qualidade deste jogador e para a sua mais que provável saída da Académica num médio prazo(e a custo 0), não estava a fazer mais do que um exercício de futurologia baseado na forma como recorrentemente damos tiros nos pés. Se é verdade que com esta Direcção tem-se procurado a todo o custo acabar com o "Nacional Porreirismo" dentro das 4 linhas e com o fenómeno do jogador emprestado, não consigo compreender que um jogador como o Zé saia a custo 0, seja por culpa dele ou por um mau acto de gestão ou seja por que motivo for. Se tivesse havido um acompanhamento decente do percurso e da carreira deste jogador por parte dos técnicos da equipa principal, dos olheiros e da própria Direcção, ele teria feito a sua estreia na primeira equipa um ano antes do que o fez, o contrato teria sido renovado com um salário compatível com a sua valia e teria uma duração que protegesse os interesses da Académica.

Não tendo sido esse o caminho tomado, a esta Direcção não restava mais do que procurar, no ultimo defeso, realizar alguma mais valia com o atleta que permitisse a entrada de algum dinheiro e a contratação de um jogador de valor comparável com o do Zé. Ceder a "choraminguices" de treinador e mostrar uma intransigência total, não me pareceu a melhor forma de proteger os interesses da Académica até porque a venda pelos valores propalados deixaria totalmente paga a equipa B (despesa tantas vezes chorada em anteriores AG) e ainda sobrariam uns trocos.

Quer isto dizer que só a Direcção esteve mal? Longe disso. Estiveram todos mal! Esteve mal a Direcção pelo atrás exposto, esteve mal o Zé que confundiu e confunde a Instituição com uma Direcção (não é caso virgem diga-se) e acabaram por estar mal também os empresários do Zé que não podiam ter aceite faxes com propostas de clubes (se o atleta tinha contrato os faxes tinham de ser dirigidos para o clube e não para empresários).

Por mim saíram todos mal na fotografia. Espero que desta vez alguém tenha tirado ilações do que se passou para que de futuro não se deixe à sorte a formação e rentabilização de jovens jogadores na Académica.

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