Crónica Paulista
Nota Editorial: Na sequência das contribuições que temos recebido dos nossos leitores. Fica aqui o sentir de um Português no Brasil pela pena do João Laranjeiro.São Paulo, uma das maiores cidades do mundo, a maior do Brasil; quase 20 milhões de habitantes, e cidade irmâ de Coimbra. Uma cidade com uma vida única, com uma oferta cultural, gastronómica e financeira apenas comparáveis a Nova York. Uma cidade multiracial com grandes comunidades como a Portuguesa, Italiana, Espanhola, Japonesa, Síria, Libanesa, Polonesa (falando em Brasileiro), Alemã, e tantas outras; todas tentando sempre preservar as suas origens, suas tradições, seus costumes. Esse “cocktail” de origens faz com que todos os brasileiros tenham sempre um elo a um desses países. É raro encontrar alguém cuja origem é 100% brasileira: “meu pai é português e minha mãe italiana” é um dos maiores exemplos que me acostumei a ouvir.
Foi nesta cidade que cheguei em Janeiro de 2002 para ficar por um ano. Hoje já “contabilizo” 3 anos e 8 meses, muito tempo longe da família, dos amigos, e claro da minha Briosa. Custa muito fim de semana atrás de fim de semana ficar acompanhando os jogos pela net (obrigado RUC), pelos blogs, pela mailing list, pelos sms. Custa mais do que estar no estádio em Portugal, posso-vos garantir isso.
Falando de futebol, a cidade têm 4 times (vou sempre dar um toque brasileiro em algumas expressões), o São Paulo (clube da elite social), o Corinthians (clube do povo), o Palmeiras (dos italianos) e claro a Portuguesa, a velha Lusa.
Quando me perguntam aqui para que time eu torço respondo sempre o mesmo, Académica de Coimbra. A resposta que normalmente ouço é: “ahhh, ok”. Explico sempre a história, que é um dos clubes mais antigos e mais famosos de Portugal, com uma tradição única, tentando angariar adeptos. (quem entra em minha casa depara sempre com 2 cachecois da Briosa rodeando a bandeira portuguesa. O meu carro têm o nosso símbolo no vidro)
Tive a sorte de conhecer o Marcos, primo do Paulo Adriano que sempre me convidou para ir ao Canindé assistir a um jogo da Portuguesa dos Desportos. O Marcos tem dois clubes no coração, a Portuguesa e a nossa Briosa, estando sempre a par do que se passa nos dois.
Em Agosto de 2005 acedi a ir ver pela primeira vez ver um jogo aqui no Brasil. (Gosto de futebol mas ir a um estádio para ver um jogo que não seja da minha Briosa nunca me atraiu).
Mas lá fui com o Marcos ver a Portuguesa jogar contra o Grêmio de Porto Alegre (onde despertava Anderson, hj no Porto). O Marcos recebeu-me com a camisola da Briosa vestida, oferecida pelo seu primo.
Chegado ao estádio tive uma grande surpresa; via famílias inteiras vestidas com as mais variadas camisolas (em brasileiro camisetas), de Portugal, dos supostos 3 grandes, do Boavista, Guimarães, Espinho, Leiria, Infesta, Académico Viseu, Campomaiorense, de tantos outros que não me recordo agora. Mas era Portugal que estava ali, todos queriam mostrar as suas origens, a sua paixão clubistica. O meu cachecol estava agora ao pescoço de um amigo lagarto que nos acompanhou junto com um amigo Benfiquista (mais dois convertidos à nossa Briosa).
Dentro do estádio predominava a culinária portuguesa, os bolinhos de bacalhau, os tremoços, até Super Bock para quem quisesse.
As famílias faziam a festa, o jogo era um motivo para se encontrarem. O ambiente ao redor do estádio era fabuloso, tendo-me sentido pela primeira vez aqui no Brasil como se estivesse em Portugal, apesar dos 8000 kms que nos separam.
Mas as saudades de ver a minha Briosa ao vivo são grandes, grandes demais. As lembranças de vários jogos que vivi ficarão para outro texto.
Um abraço do tamanho do Oceano.
BRIOOOSSAAAAAAAAAAAAAAAA !!!
Por curiosidade a Portuguesa perdeu o jogo com uma grande exibição do puto hoje no Porto, que como se diz em bom português partiu a loiça toda...
Ass: João Laranjeiro



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