O meu refúgio és tu, Briosa

É o inicio de mais uma semana, a maioria das vezes marcada por um minúsculo aparelho sempre posicionado sobre a mesinha de cabeceira, vulgo despertador, e que tantas e tantas vezes nos deixa uma terrível vontade de o esmagar contra a parede mais próxima, tal a raiva que nos é causada, sempre que este nos faz questão de lembrar que mais uma semana de estudo (neste caso) se ergue perante nós sem que nada possamos fazer para o impedir.
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Mais bocejo menos bocejo, mais ou menos hora dormida, há uma coisa que não escapa, uma retrospectiva momentânea ao dia anterior. E qual a melhor parte do Domingo habitual? Claro, aquela das 4 às 6, em que tudo pode acontecer lá fora, mas nós, todos juntos, no nosso templo sagrado, onde problemas e mal entendidos são como que ateus, recusando-se a entrarem ali, deixando de existir pelo menos durante aquelas duas horas. Com os nossos apóstolos trajados a rigor dentro de campo, lutando até às suas últimas forças pela religião em que tanto cremos, nós, fiéis incondicionais, vamos sofrendo de fora, assistindo apreensivamente, como se fosse aquela a última ceia de uma história com inicio há já muito tempo.
O resultado varia de domingo para domingo, e com maior ou menor dificuldade, lá teremos mesmo de nos levantar, mas o resultado do dia anterior terá por certo substancial importância
no estado de espírito com que se vai iniciar o dia. Quem é que não acordou bem disposto depois daquela vitória em Alvalade? “Aquela lagartagem… hoje estão tramados comigo!”, foi o pensamento que me ocorreu nesse dia. “Perdeste o cachecol que trazias aí há duas semanas? E tu? Também?!”. Do outro lado a resposta habitual do “não deves ter visto aquele penalty” ou “só assim é que ganham” e coisas do género, eram prato do dia servido por aqueles lados a cada pergunta entoada, mas nada me podia tirar a boa disposição daquele momento. Um olhar confiante apimentado com uma certa dose de gozo, e o virar de costas imediato era o suficiente para que mais resposta não fosse ouvida do outro lado. Claro, há sempre o outro lado, “Mas quem é que os atura hoje?” Pensou cada um de nós depois da derrota por 3-0 no Estádio da Luz. Não me importei, estava orgulhoso da exibição, e levei na mesma aquele cachecol preto, mas essa história ficará para outra altura.Mas a segunda passa rápido, e nem sempre os outros dias correm de feição. Problemas, discussões, caramba, há cada chato! Bem, pode ser que domingo tudo se componha, diz cada um de si para si, quando as coisas correm menos bem e tudo de mau nos parece cair em cima. Aquele último dia de trabalho já não se passa sem pensar no fim-de-semana, e com o fim-de-semana vem o quê? Pois claro…
Começa tudo outra vez…
E assim vive um adepto, debaixo de um tecto que lhe dá algumas tristezas mas que tantas vezes lhe serve de abrigo para situações mais delicadas, e talvez por isso, sofremos tanto, mas também lhe devemos muito… Hoje sou obrigado a dizer, Obrigado Académica!



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