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  - Sábado, Agosto 05, 2006

Pressupostos da Evolução


O processo de crescimento, desenvolvimento ou de mudança é a definição de evolução. Com a revolução Francesa e o advento do iluminismo a palavra e o conceito mutaram-se para se aproximarem da noção de melhoria. E há, de facto, algo de novo nesta Académica -apesar do adversário desta tarde não ser da igualha dos que anteriormente nos haviam confrontado. As entradas de Filipe Teixeira (ainda longe da forma ideal) e de Hélder Barbosa transfiguraram a transição de bola negra, a rapidez na chegada a terrenos mais distantes e, sobretudo, o serviço aos ponta-de-lanças de serviço, Alvarez e posteriormente Gelson.

A Briosa começou num surpreendente 3-5-2, não tanto pelo esquema, mas pela escolha e desdobramento dos interpretes com Pedro Roma na baliza, Medeiros, Litos e Danilo no três defensivo, com Sonkaya (direita), Alexandre, Filipe Teixeira, N’Doye e Lino (esquerda) e com Hélder Barbosa no apoio mais solto à surpresa Nestor Alvarez. Se este era o esquema que definia o conceito de equipa, tradicionalmente considerado é essencial que se percebam algumas «nuances» do sistema cuja composição é de alguma complexidade. Quando a equipa tem de defender é imediata a preocupação de Medeiros colar à esquerda, Sonkaya recuar e formar um quatro defensivo, para na retaguarda programar as acções de ataque continuado adversário. Assim a articulação dos quatro defesas e a movimentação do defesa direito emprestado pelo campeão nacional (e a sua projecção no jogo) é fundamental para a articulação do jogo dos capas negras e daquilo que a equipa pode ou não render.

De notar que em todo o jogo, apenas por uma vez a equipa académica foi apanhada em posição de contrapé. Apenas por uma vez o Feirense conseguiu ligar o motor do contra-ataque, que foi prontamente asfixiado pela dinâmica defensiva da Briosa. Apesar de algum domínio consentido, nunca o domínio do jogo esteve em causa, para as hostes negras.


Segunda parte de entrosamento atacante


Curiosidade primeira na segunda parte, foi ver que Filipe Teixeira e Alvarez continuaram em campo e terminaram mesmo o jogo, fazendo noventa minutos completos. Embora mostrando alguma debilidade no final da partida, natural pela necessidade de integração nos princípios básicos da equipa e pela menoridade da condição física dos dois atletas. Alvarez marcou um golo de soberba exibição, depois de uma recuperação de bola sobre o defesa contrário e de fora da área com um remata ao ângulo superior direito rematou uma bola completamente indefensável…Uns quantos minutos depois de ter enviado uma bola à barra, na execução de um livre directo. Pormenores de grande qualidade que movimentaram toda a equipa, num jogador em claro crescendo de forma. Quase no final da partida o Feirense empatou o jogo em lance precedido de falta - sobre Paulo Sérgio – que bateu inapelavelmente Douglas, que havia já feito duas magníficas intervenções.


Reforços à lupa:


Pedro Roma – Sempre soberano, comandando a defesa e o jogo aéreo. Nunca os lances do Feirense constituíram real perigo para o defesa primeiro das redes académicas.

Danilo – Melhor que nos últimos jogos (fez o jogo completo) limpou sempre sem inventar recorrendo a bolas fortes chutadas para o alto. Acabou com o jogo de Gaúcho e Nuno Silva.

Litos – Foi o comandante da defesa na primeira parte, investindo com certeza sobre todos os lances, subindo a preceito para o ataque. Falhou, apesar de tudo, nos passes longos.

Medeiros – O melhor jogo da mais recente contratação Briosa. Adaptou-se bem ao esquema que o obrigava a descair para a esquerda da defesa em situações mais exigentes (defensivamente) e a cobrir o meio quando se os capas negras se explanavam para o ataque.

Alexandre – Outro belo jogo, tanto no capítulo da destruição como na construção de jogo. É o cabeça de área que promove o primeiro passe de transição. Um jogador que acaba por não complicar, mas que prefere sempre sair a jogar.

N’Doye – Grandes pormenores, bom posicionamento, jogando num esquema que lhe permite uma maior liberdade de criação, mas também estatuto e altura ao meio de terreno. Criador e destruidor, entregando a bola para que esta fosse jogada, rubricou uma exibição de nota positiva.

Filipe Teixeira – Apesar do receio com que disputa as bolas e do visível afastamento do jogo de contacto, o médio acabou por ser uma das mais importantes peças da engrenagem ofensiva da Briosa. Nota-se já, contudo, que a equipa tem outras soluções no meio de terreno e que não passará exclusivamente por ele o jogo de ataque dos capas negras da próxima época, dando espaço ao português para poder aparecer no espaço.

Lino – Sobre a meia-esquerda, sem algum gás (jogou os dois últimos encontros quase de forma completa), mas com excelente toque de bola e apetência para aparecer para assistir, cruzando em altura, ou tenso, para o desvio final. Defendeu de forma muito mais consciente que no jogo de Penafiel há sensivelmente uma semana.

Hélder Barbosa – Ora mais no centro, descaindo para a esquerda ou direita no apoio ao ponta de lança (primeira parte), ora colado à lateral esquerda (segunda parte) demonstrou sempre toda a sua qualidade. Raça, vontade de ganhar, técnica e habilidade são uma mistura explosiva, que detonará muitas defesas no próximo campeonato.

Nestor Alvarez – Aparece para dar toques de magia ao jogo. Tem um pé direito fantástico e um remate que é fulminante. Marcou um golo de belíssimo efeito e poderia ter feito mais um, de livre. Lembramo-nos Mais uma oportunidade desperdiçada, quando chegou atrasado a um cruzamento de Hélder Barbosa. Um jogador a rever, mas que demonstra sinais de…evolução.

Roberto Brum – Entrou para o lugar de Alexandre e desempenhou exemplarmente a missão que lhe foi confiada, tentando levar a equipa para a frente, com garra, determinação e empenho.

Gelson – Pela primeira vez, o Prof. Manuel Machado utilizou dois avançados centro em cunha. Já se sabe, Gelson é esforçado, combativo, ganha todas as primeiras bolas de cabeça, mas falta-lhe uma finalização consistente.

Vítor Vinha – Entrou para a posição de terceiro defesa, no lugar de Medeiros. Muito complicativo, esteve embrulhado no lance do golo adversário. Pouco jogo do jovem académico.

Nuno Piloto – Pressionante ao seu estilo, mas um pouco perdido na meia direita, raramente pode dar o apoio que tanto gosta, ao meio campo. Assim perde-se grande parte da sua eficácia.

Fernando – Apesar da lesão que o apoquenta já desde alguns dias, entrou bem na partida, desta vez colado à meia esquerda, tendo tempo ainda para «fazer miséria» da defesa contrária. Por duas vezes poderia ter assistido para golo.

Douglas – Muito colado à linha de baliza, claramente por falta de confiança, fez ainda duas intervenções de grande nível, na mesma jogada. Pela pouca desenvoltura, tem de ter ainda, nota negativa.

Káká – Um dos melhores dos que entraram com o decorrer do jogo, Rápido, astuto e duro, este é um defesa com uma margem de evolução fantástica, que muitas alegrias poderá dar às hostes académicas. O tempo encarregar-se-á de fazer dele um exímio jogador.

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