Recordando... Um ano depois
O PRESIDENTE DA ACADÉMICA, JOSÉ EDUARDO SIMÕES, ACEITOU O DESAFIO DE DOIS JOVENS ESTUDANTES, O FRANCISCO E O GONÇALO, SÓCIOS DA ACADÉMICA E, NUMA ENTREVISTA DE FUNDO FALOU DO PASSADO, DO PRESENTE E DO FUTURO DA ASSOCIAÇÃO ACADÉMICA DE COIMBRA/ ORGANISMO AUTÓNOMO DE FUTEBOL.AS IDEIAS, OS PROJECTOS E AS AMBIÇÕES DO HOMEM QUE LIDERA OS DESTINOS DA BRIOSA....
Nas últimas épocas, na última particularmente, tem sido latente o objectivo de garantir um lugar tranquilo na tabela classificativa. No entanto, “o triste fado conimbricense” tem ditado que a manutenção se assegure, apenas, na última jornada.
O que é que tem falhado nos últimos anos?
José Eduardo Simões - Em primeiro lugar, uma correcção: na última época garantimos a manutenção a três jornadas do fim do campeonato e com muito mérito!
Para percebermos o que tem não diria falhado, mas talvez corrido menos bem, nas últimas épocas, temos que atender ao facto de a Académica ter estado demasiados anos na Liga de Honra e, por isso mesmo, perderam-se os hábitos de vitória, a capacidade de ganhar jogos com maior grau de dificuldade e, sobretudo, a capacidade de perceber que a Académica pode ser cada vez mais forte e deve ter outra ambição. Isso não se consegue de um ano para outro.
Sabíamos que este – o terceiro ano consecutivo na SuperLiga - ia ser um ano difícil. Sendo um ano de transição, foi aquele em que conseguimos acabar com o “sofrimento” mais cedo, e lançámos as bases para o futuro com outra confiança nas nossas capacidades.
Pensamos que o facto da Académica estar há três épocas consecutivas na SuperLiga é a base, o sustentáculo fundamental, para ultrapassar essa carência de jogar a alto nível e de conquistar a ambição necessária para alcançar outros voos.
Os objectivos para a nova época já foram traçados, a qualificação para as provas europeias. Um dos objectivos base era a manutenção de alguns jogadores considerados fulcrais, nomes como: Hugo Leal, José António, Dário e Vasco Faisca, que foram importantíssimos na manutenção, não permaneceram.
Mesmo assim, terá o plantel a qualidade necessária para atingir as metas traçadas?
JES - Em primeiro lugar devemos cumprimentar todos os atletas que estiveram connosco a época passada. Esses quatro que citaram foram atletas que tiveram um bom desempenho e trabalharam bem.
Alguns, ninguém se lembrava deles quando vieram, e nós, como Instituição que somos, com os nossos treinadores e funcionários, com a ajuda de todos os colegas no grupo de trabalho, proporcionámos a oportunidade que eles mostrarem as suas qualidades ou voltarem a revelar. A todos eles quero desejar as maiores felicidades, onde quer que eles estejam, na continuação das suas carreiras, bem como aos restantes que saíram.
Todavia, o que é mais importante aqui é salientar a manutenção da estrutura base da equipa e essa está cá na Académica.
O grupo mantém-se, o espírito está intacto, a ambição também – vontade de vencer.
Existe muita força interior, existe uma união que, arrisco-me a dizer, é ainda mais forte do que o ano passado.
Actualmente, falar em quem saiu não faz sentido. O que é significativo é falar de quem está e de quem veio para ajudar (o Hugo Alcântara, o Ezequias, o Filipe Teixeira, o Zada, o Gelson e o Fernando), sendo certo que se verifica, quer nos treinos e jogos, quer nas indicações que nos chegam diariamente sobre os atletas por parte do nosso grupo, que hoje a equipa está mais equilibrada e que, talvez seja mais forte, já nesta fase, do que era no ano passado em fase mais adiantada de preparação.
Fala-se uma crescente corrente brasileira no plantel da Académica, o fugir a uma mística, ao conjunto de valores que fizeram da Académica ao longo da sua história, um clube simpático, carismático mas, sobretudo, um clube diferente.
Não teme que essa corrente possa quebrar muitos princípios da Instituição?
Não deveria existir uma maior aposta nos escalões inferiores?
Lembro, por exemplo, que duas grandes revelações da SuperLiga deste ano, não foram brasileiros, nem de outros países, mas sim portugueses oriundos do Desportivo de Chaves.
JES – Se me falam nas “revelações” da última época, as “revelações” consagradas na Gala da LPFP foram o João Moutinho, o João Alves (que estava no Chaves e foi para Braga) e o Manuel Fernandes.
Neste domínio das revelações, aproveito a oportunidade para expressar que acho muito injusto que uma das grandes revelações do ano passado, não tenha sido distinguido também. Refiro-me objectivamente ao Zé Castro, o nosso atleta, que foi muito mais consistente, nomeadamente do que o atleta do Braga (independentemente do seu valor).
Tenho que salientar que foi com algum sentimento de injustiça que não o vi ser referenciado entre as três revelações nacionais.
A questão da “corrente brasileira” é uma falsa questão!
A Académica é uma equipa, uma Instituição que tem uma mística própria e mais do que adaptar-se a quem vem, é que vem que se adapta à Académica. Foi sempre assim e assim continuará a ser.
Quando tivemos muitos atletas angolanos, moçambicanos, cabo-verdianos, até de Macau, todos se adaptaram à Académica e a Coimbra porque, no fundo, a Académica é de Coimbra e a integração é fácil quando existe atitude, capacidade de sacrifício e profissionalismo, como aquela que existe nos nossos atletas; sejam eles portugueses, espanhóis ou brasileiros.
Podemos afirmar que todos eles, e cada um deles, representam muito bem a Académica. São atletas com qualidades humanas, que se integram bem na nossa mística e, devo dizer, que são capazes de transmitir um querer, uma vontade exemplares.
Todos, sejam eles brasileiros, seja o nosso guarda-redes espanhol Dani, que é um excelente profissional e um excelente companheiro; sejam portugueses.
Os nossos atletas são todos de nível elevado, quanto a qualidades humanas e desempenho social, o que é para nós o mais importante. Estou certo que, independentemente da nacionalidade sabem o que é ser da Académica!
Quem vem para Coimbra, se tiver qualidade e capacidade, integra-se no nosso espírito e nossa mística. E torna-se uma mais-valia. Com carisma e “classe”, é o que pretendemos sempre.
Para além disto, é importante reconhecer que os jogadores que vêm de fora conseguem ajudar a levar o nome da Académica e de Coimbra cada vez mais longe: ao Brasil, a Espanha, a Angola, a Moçambique; sem esquecer que vamos fazer uma missão em Timor, onde vamos mostrar que a Académica não é apenas um clube onde se pratica futebol, mas que tem uma perspectiva social sempre presente.
Relativamente a atletas emprestados, que no final da época saem sem nenhuma contrapartida para o clube, vai continuar a contar com eles?
JES - O meu princípio foi sempre o de não ter atletas emprestados.
Esta época foi possível construir, pela primeira vez em muitos anos, uma equipa em que todos os jogadores são, efectivamente, da Académica.
A nossa preocupação foi, é e será sempre a de criar uma espinha dorsal com atletas nossos, de qualidade, que possam integrar atletas da formação.
Porque, essa mistura da qualidade, da experiência, com uma formação de jovens que precisam dessa experiência para evoluir e para atingir outros patamares é, para nós, o ideal em termos de continuidade deste clube e do seu desenvolvimento para o futuro.
Se identificarmos, hoje, alguns atletas mais novos que eram da formação: o Eduardo, o Zé Castro, o Nuno Piloto, o Vinha, o Sarmento, o Ito (que ainda é júnior), o Rui Miguel, (para além do Barroca, do Gonçalo e do Portulez) são atletas saídos da formação nos últimos anos, que conjuntamente com outros que estão colocados em outros clubes de forma a poderem evoluir, vão poder criar um grupo de muita qualidade, muito coeso e forte. Com a mística da Académica.
Que plataforma de entendimento se pode atingir entre o Organismo Autónomo de Futebol e a casa-mãe da AAC, no sentido de ter todo o espólio futebolístico num único museu?
JES – Estamos a desenvolver todos os esforços nesse sentido, até porque, o espólio não existe apenas na casa-mãe, existe espólio no Museu Académico da Reitoria da Universidade de Coimbra, existe algum aqui no OAF, existe espólio espalhado por diferentes pessoas (atletas, ex-dirigentes, etc.) e em muitos locais.
Gostaríamos muito de contribuir para que existisse em Coimbra o “Museu do Desporto”, que envolvesse toda a Académica, nas suas diferentes modalidades. Já falámos com a Reitoria, com a Direcção Geral também queremos falar deste assunto.
Sendo certo que é um trabalho de Hércules este de erguer um museu que, volto a sublinhar, gostaríamos que fosse um verdadeiro “Museu do desporto”, pensamos que seria uma grande mais-valia para a cidade de Coimbra.
Mas, o que neste momento é fundamental é conseguir fazer o levantamento de todo o espólio que anda espalhado.
O nosso objectivo, esse, está traçado! Assim haja vontade de todas as entidades.
A Académica tem uma parceria com a Tbz. Alguns associados reclamam mais informação sobre os pormenores deste negócio.
Qual é a estratégia para aumentar o número de adeptos no Estádio Cidade de Coimbra?
JES – É uma estratégia assente naquilo que, verdadeiramente, atrai mais sócios e simpatizantes.
Essa estratégia passa pela a realização de jogos em horários adequados para se ver futebol, ter um estádio com boas condições e ter uma boa equipa: que seja competitiva, capaz de disputar jogo a jogo com vontade de ganhar. É isso que nós temos e vamos conseguir.
Portanto, a estratégia para aumentar o número de adeptos passa, por um lado pela da qualidade do futebol e por outro, por uma operação de captação novos associados, de captação de franjas de pessoas que andam um pouco afastadas, como por exemplo os estudantes, e os antigos estudantes não só universitários mas, também, os do ensino básico e secundário, espalhados por Portugal inteiro e, neste último caso, residentes na região de influência de Coimbra.
Precisamente sobre os estudantes, que nos tempo áureos académicos se podiam vislumbrar no calhabé de capa e batina. Como é que pensa que os vai conseguir atrair, de novo, para o Estádio?
JES – Fui professor na Universidade durante muitos anos e vejo a diferença que existe entre o estudante universitário desse tempo (há dez anos atrás) e o de hoje.
Actualmente, o estudante universitário está muito mais alheado das questões desportivas, do que aqui há dez, quinze ou vinte anos. Há diferenças substanciais.
Trazê-los de volta ao desporto não é tarefa fácil.
No entanto, volto a reiterar que, com uma boa equipa, a jogar um futebol competitivo, com uma maior capacidade de sedução através de contactos com os nossos atletas universitários, vamos dar a volta ao assunto.
Nós temos atletas/estudantes, como é disso exemplo o Nuno Piloto, que está a terminar o curso de Bioquímica, entre outros que frequentam a Universidade ou para lá caminham.
Quanto ao espectáculo da capa e batina, gostaria de o voltar a ver mas isso é algo que depende muito das pessoas, tal como já havia referido. Hoje em dia vêem-se muito menos capas e batinas na Universidade, já não é hábito envergar o traje regularmente. Penso mesmo que a maioria dos estudantes só o veste mesmo na Semana Académica da Queima das Fitas.
É do conhecimento público que as camadas jovens treinam em campos pelados, muitas vezes sem as condições necessárias para um clube primo divisionário. Mas, o que é certo é que recentemente a Académica tem revelado talentos como Lucas, Zé Castro, Nuno Piloto e mais recentemente Sarmento ou Vitor Vinha.
Não acha necessário apostar fortemente na formação de jovens valores, a nível financeiro e de condições, de forma a tirar maior proveito com eventuais vendas de jogadores formados na Briosa?
JES – Sobre este assunto gostava de dizer que a Académica esteve muitos anos adormecida no que diz respeito a formação.
Uma formação que podemos dizer era deficiente, não tinha regras claras, capacidade formativa, não tinha objectivos e nem sequer atingia resultados minimamente aceitáveis, nem para o nome nem para a tradição que a Académica tinha nas camadas jovens (há 20, 30, 40 ou 50 anos atrás).
O que estamos a fazer, desde há dois/três anos, é uma inversão completa de atitude.
Agora, todo o trabalho vai no sentido de criar uma pirâmide: desde as escolas até aos juniores, uma pirâmide muito alargada na captação e promoção do ensino nas escolinhas.
Partindo de uma base de 500 atletas nas escolinhas, vamos progressivamente escolher cada vez melhores atletas e estudantes.
Por outro lado vamos observar e captar, em clubes da Área Metropolitana de Coimbra e em todas as zonas em que possamos ter pessoas ligadas ao gabinete de prospecção (“olheiros” como hoje se diz), atletas que sejam talentos desportivos.
Estamos a conseguir, com esse triângulo de base muito forte, muito alargado e com boa formação, criar os alicerces para que boas equipas de iniciados, de infantis, de juvenis e de juniores apareçam.
Gostava ainda de salientar que os melhores resultados dos últimos anos, aconteceram esta época de 2004/2005 quer nos iniciados, quer nos infantis, quer nos juvenis e nos juniores.
Isto significa que o trabalho que está a ser desenvolvido já está a dar bons frutos. Porém, esses frutos só se irão ver a médio, longo prazo.
Há ainda muito caminho para percorrer. Os atletas estão a ser bem formados e todos os anos mais atletas vão dar apoio à equipa principal.
Tudo isto significa, portanto, que fizemos uma aposta muita clara na formação.
Essa aposta passa, também, por infra-estruturas.
É óbvio que não nos agrada que alguns jovens treinem em campos pelados.
Infelizmente o concelho de Coimbra não tem capacidade para dar resposta à procura de campos relvados, por isso, só os juniores é que treinam em campos relvados. É pouco e temos de ultrapassar essa carência.
Desde há três anos que não podemos utilizar o campo de Santa Cruz, nem sabemos quando é que ele poderá estar disponível, este que seria um excelente recinto desportivo para os escalões jovens.
Por tudo isto, estamos a investir fortemente na componente de infra-estruturas e, ainda este ano, vamos ter capacidade para colocar jovens da formação para treinar na nossa “Academia Briosa XXI”.
Quanto à questão dos benefícios financeiros que podemos tirar dos nossos atletas da formação, é óbvio que quando existe uma boa formação se tira proveito. Embora tal não seja uma regra, senão vejamos os casos dos últimos anos. Podia aqui lembrar atletas que estiveram na formação da Académica e que deixaram expirar o contrato para irem para outros clubes, sem qualquer benefício financeiro para a Académica.
No entanto, o mais importante para nós é conseguirmos formar atletas e estudantes, o que não acontece nos outros clubes.
Não posso deixar de salientar que a equipa de juniores da Académica teve este ano seis estudantes universitários e todos os restantes frequentam o ensino secundário.
Estes atletas/estudantes competiram com equipas nas quais praticamente ninguém estudava, salvo uma ou outra excepção.
Esta é a grande diferença da nossa visão e do nosso projecto de formação: formar talentos, desportivos e humanos.
Quando estará finalizada a Academia Briosa XXI?
Quais a suas actuais condições e o que é que falta ser feito?
JES – Neste momento, estamos a completar a estrutura de base dos dois relvados sintéticos destinados à formação, o que significa que durante o mês de Setembro poderemos ter os relvados sintéticos a funcionar a tempo do início dos trabalhos desportivos.
Para além disso, estamos a fazer obras de adaptação nos balneários de forma a torná-los mais funcionais, incluindo alguns equipamentos médicos de apoio e espaço de hidroterapia. Hoje em dia todas as equipas profissionais têm de ter estes recursos para melhorar os seus desempenhos em termos clínicos e de fisioterapia.
O que neste momento está parado é o novo edifício. Está nos chamados “toscos” mas, até Setembro vai arrancar mais uma fase e, portanto, poderemos dizer que talvez uma boa expectativa é a Academia Briosa XXI, daqui a um ano, em 2006, poder estar concluída.
Anunciou, recentemente, a criação de uma Fundação da Académica.
Quais as contrapartidas que esta terá para o clube?
JES – Em primeiro lugar, a criação da Fundação é um processo que está agora a nascer.
A Fundação significa, em nosso entender, algo que não se substituindo, é um pouco mais do que o clube. Será o instrumento capaz de assumir o espírito daquilo que é a Académica e daquilo que é Coimbra. Um âmbito internacional, um espírito de cultura, de solidariedade, de companheirismo, um espírito com uma mística muito própria de ajudar quem precisa e quem tem valor; de ser capaz de ver um bocadinho mais longe e para além do futebol.
Essa Fundação pretende, por isso, ser algo que a Académica não pode ser mas que, de alguma forma, já foi em tempos passados. Mas, estamos apenas a dar os primeiros passos.
A Fundação terá também como objectivo dar alguma protecção ao regime de gestão que a Académica tem actualmente, que é o regime denominado “regime especial de gestão”, onde a Direcção é responsável financeiramente por tudo o que se passa.
Vou dar um exemplo, para que entendam melhor: este pavilhão, o pavilhão Jorge Anjinho, está penhorado às Finanças por causa de hipotéticas dívidas, relativas a IRC, anteriores a 1996, que estão impugnadas pela Académica.
Se um dia, o Tribunal se pronunciasse a favor da administração fiscal e a Académica tivesse que pagar essas dívidas, ou as pagaríamos nós, elementos da Direcção (o que não é justo nem correcto) ou teríamos que permitir que este pavilhão fosse alienado para o pagamento dessas mesmas dívidas.
Pensamos que não é correcta nem uma opção, nem a outra.
Não é correcto que se deixe alienar o património, a nossa função é aumentá-lo para que a Académica seja cada vez mais forte. Por outro lado, também não é justo que a responsabilidade recaia sobre as pessoas que aqui estão a dar o melhor de si e do seu tempo e às vezes das suas economias para que a Académica possa ser um clube que paga a horas e possa ser hoje uma Instituição com credibilidade.
Portanto, mais do que falar em contrapartidas que a Fundação possa trazer, primeiro é necessário pensar como é que essa Fundação deve ser criada, quais os seus objectivos, estes já citados e outros que possam ser meritórios, porque esta não é uma Fundação que se pretende substituir ao clube.
É uma Fundação para além do clube, para atingir aquilo que a Académica, enquanto Organismo Autónomo de Futebol, está limitada mas em que não pode deixar de pensar, em termos sociais, educativos, culturais, internacionais, de nome e imagem, de qualidade, de diferença em relação aos outros clubes de futebol.
Para finalizar, qual o seu objectivo para a Académica, a médio ou longo prazo?
JES – São vários e distintos.
O objectivo desportivo:
Consolidar a Académica como equipa da SuperLiga.
Não queremos estar lá quatro ou cinco anos apenas, queremos um clube estável na primeira divisão da liga de futebol profissional, como é o caso do Braga, do Guimarães, do Marítimo ou do Belenenses, esses sim são clubes estáveis de SuperLiga.
Para atingir este objectivo, temos que ter uma equipa de qualidade que seja capaz de competir com todas as outras.
Por outro lado, essa equipa não pode esquecer que é da Académica, que é de Coimbra, e isto significa que vamos continuar a apostar fortemente na formação, que vamos dar condições aos nossos jovens que tenham capacidades desportivas diferentes das que são habituais, para que tanto possam estudar, como evoluir e competir desportivamente ao mais alto nível.
Objectivo relativamente ao património:
O nosso objectivo em termos patrimoniais é aumentar o nosso património.
Estamos em vias de o concretizar porque, já somos accionistas maioritários da PROCAC, entidade que é detentora do edifício nos Arcos do Jardim (sede do CAC). Estamos, assim, a um pequeno passo de nos tornarmos detentores reais desse património.
Depois, ainda em termos patrimoniais, pretendemos levar a cabo uma intervenção profunda aqui no pavilhão, mantendo um espaço desportivo de qualidade para o futsal, para as escolinhas e para outras actividades para os nossos associados e, por outro lado, criar valências de apoio à terceira idade, aos jovens e não só, através de serviços de medicina desportiva e medicina de recuperação e serviços de assistência (em particular para sócios idosos).
Se conseguirmos isto neste pavilhão, mantendo a sua nave principal para o desporto, melhorando a sua qualidade em termos acústicos e de comportamento térmico e concretizarmos uma boa cobertura (porque a que existe não é uma cobertura sequer saudável para instalações desportivas), então conseguiremos realizar aqui um projecto muito interessante.
Tornar este pavilhão num “Centro Académico Jorge Anjinho” que seja motivo de orgulho de todos os associados.
Objectivos no campo social:
Integrar a Académica e torná-la num porta-estandarte da região de Coimbra cada vez mais forte, que não desmereça em nada os seus pergaminhos, em termos estudantis e em termos culturais e sociais, daquilo que já foi capaz de fazer.
Que sejamos capazes de continuar a formar atletas/estudantes, como foi o caso do Miguel Rocha, do Pedro Roma e, mais recentemente, do Nuno Piloto; que estes exemplos sejam exemplos a seguir, que exista sempre uma grande vontade e disponibilidade de alguns atletas em querer avançar e formarem-se. O Estatuto do atleta de alta competição deve ser ajustado à nova realidade do futebol profissional dos tempos de hoje.
O objectivo financeiro:
Conseguir que a Académica seja um clube saudável financeiramente, um clube cumpridor, que dê menos dores de cabeça às pessoas que no futuro vierem dirigir o clube.
Não desejo a ninguém um trigésimo daquilo que encontrei e daquilo por que temos sido condicionados nos últimos anos.
O meu objectivo último é, deixar a Académica noutra situação. Permitindo a quem vier, encontrar um clube mais saudável, onde dê orgulho trabalhar, onde dê orgulho ser dirigente e que seja um bocadinho mais fácil do que tem sido, e está a ser, para nós!
Entrevista:
Francisco Martinho (sócio n.º 12 363).*
Gonçalo Cabral (sócio n.º 13 344).*
*Alunos da Escola Secundária de Seia, têm ambos 16 anos.
A eles o nosso muito obrigado!




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