UMA MULHER NA BLOGOESFERA DA ACADÉMICA
NOTA INTRODUTÓRIA – O “Simplesmente Briosa”, dentro da linha “editorial” que o caracteriza, vai convidar com a regularidade possível, académicos que p ela sua linha de pensamento e lucidez com que escrevem, possam dar o seu contributo para a discussão desta nobre causa, que é a “BRIOSA”.
Nada melhor do que dar a primazia a uma escrita no feminino. Assim, é com muito gosto que publicamos um texto da Maria Rosmaninho, com a sua imagem de “marca”.
Qualidade e elegância no que escreve.
“Menina e moça me levaram de casa de meu pai para muito longe daqui...”, Assim como Bernardim Ribeiro começou a sua célebre novela, também poderia ter começado o relato da minha vida de paixão pela Briosa.

Corria o ano de 1974 e eu, jovem adolescente com a cabeça fervilhante de sonhos, parti de mala feita para a cidade que me iria acolher, nos anos mais marcantes da minha vida.
Coimbra era, então, um espaço de descoberta onde se vivia fervorosamente a Revolução ainda escaldante, num borbulhar de comícios, RGAs, manifestações várias, etc.
Facilmente integrada num grupo de estudantes mais antigos, comecei a descobrir e a saborear cada novo elemento que me era dado a conhecer: o Moçambique, o Piolho, o Pigale, a Clepsidra, a Diligência, a Leitaria Raul, entre tantos outros pontos de encontro e de partilha de ideias.
O meu gosto pelas danças regionais, quiçá coisa de provinciana, levou-me ao GEFAC e, por entre a aprendizagem do “bico bico chão”, o estalar dos dedos dos braços erguidos e troca de beijos nos corredores da AAC, comecei a privar mais de perto com a Briosa.
A imagem, que trazia da infância, era a de um clube onde os jogadores vestiam traje académico e onde jogava o Toni, ex-colega de colégio do meu irmão e bairradino como eu. Essa imagem foi-se tornando bem mais clara e madura à medida que ía conhecendo essa Instituição e a sua função importante na formação de desportistas dos mais diversos quadrantes e nacionalidades.
Nessa altura, o fervor desportivo estava um pouco desvanecido pelo fervor político, mas recordo a forma como vivi de forma acalorada (como se vivia tudo nessa época) a cisão que ocorreu na Associação de Estudantes e que punha em perigo a continuação da nossa Briosa. Felizmente que alguém lutou por ela, mesmo que, temporariamente, tivesse mudado para Clube Académico de Coimbra porque o importante era o espírito académico.
O adeus à Universidade chegou um dia e com ele novos sonhos e projectos para concretizar, mas na bagagem trouxe comigo essa paixão que me habituei a viver. Por entre as horas dedicadas à carreira, aos filhos e à casa, continuei a viver de forma mais calma e, também, saudosa essa paixão feita de negro.
Pouco a pouco, esse “bichinho álacre e sedento de focinho pontiagudo” v
oltou a tomar conta de mim e a fazer-me reviver esse amor não esquecido, mas apenas adormecido. A partilha de ideias com académicos dos “quatro costados” permitiu-me observar a Académica de um prisma um pouco diferente, mas igualmente apaixonante.
A Académica que vim reencontrar é uma nova Instituição perfeitamente adaptada ao momento presente e que soube cortar as “peias” que a mantinham ligada aos Velhos do Restelo que nada vêem para além do Mondego. É uma menina frágil porque vive sempre protegida nos nossos corações, mas que de cesto na mão e capuchinho sempre negro na cabeça (independentemente das tonalidades que o realcem), conseguirá enfrentar qualquer lobo mau que se lhe atravesse no caminho.
O que me dói é ver a nossa Briosa, como uma qualquer filha de pai incógnito, disputada em trocas de palavras grosseiras daqueles que, julgando-se seus progenitores, utilizam argumentos ocos e desajustados para, falsamente, defenderem a sua honra.
E assim, à manta de retalhos da vida que trouxe de casa de meu pai, fui acrescentando estes e outros retalhos de um tecido bem mais resistente e com uma trama melhor urdida, mas com o mesmo brilho dos retalhos de chita de outrora. São retalhos sólidos e coloridos de negro que vão continuar a urdir a trama de uma paixão que quero legar aos meus netos e que, aliada à de tantos outros, enriquecerá o galardão Brioso que encimará a nossa hoste invencível em busca de novos rumos.
Pela Briosa...
Maria Rosmaninho
Nada melhor do que dar a primazia a uma escrita no feminino. Assim, é com muito gosto que publicamos um texto da Maria Rosmaninho, com a sua imagem de “marca”.
Qualidade e elegância no que escreve.
“Menina e moça me levaram de casa de meu pai para muito longe daqui...”, Assim como Bernardim Ribeiro começou a sua célebre novela, também poderia ter começado o relato da minha vida de paixão pela Briosa.

Corria o ano de 1974 e eu, jovem adolescente com a cabeça fervilhante de sonhos, parti de mala feita para a cidade que me iria acolher, nos anos mais marcantes da minha vida.
Coimbra era, então, um espaço de descoberta onde se vivia fervorosamente a Revolução ainda escaldante, num borbulhar de comícios, RGAs, manifestações várias, etc.
Facilmente integrada num grupo de estudantes mais antigos, comecei a descobrir e a saborear cada novo elemento que me era dado a conhecer: o Moçambique, o Piolho, o Pigale, a Clepsidra, a Diligência, a Leitaria Raul, entre tantos outros pontos de encontro e de partilha de ideias.
O meu gosto pelas danças regionais, quiçá coisa de provinciana, levou-me ao GEFAC e, por entre a aprendizagem do “bico bico chão”, o estalar dos dedos dos braços erguidos e troca de beijos nos corredores da AAC, comecei a privar mais de perto com a Briosa.
A imagem, que trazia da infância, era a de um clube onde os jogadores vestiam traje académico e onde jogava o Toni, ex-colega de colégio do meu irmão e bairradino como eu. Essa imagem foi-se tornando bem mais clara e madura à medida que ía conhecendo essa Instituição e a sua função importante na formação de desportistas dos mais diversos quadrantes e nacionalidades.
Nessa altura, o fervor desportivo estava um pouco desvanecido pelo fervor político, mas recordo a forma como vivi de forma acalorada (como se vivia tudo nessa época) a cisão que ocorreu na Associação de Estudantes e que punha em perigo a continuação da nossa Briosa. Felizmente que alguém lutou por ela, mesmo que, temporariamente, tivesse mudado para Clube Académico de Coimbra porque o importante era o espírito académico.
O adeus à Universidade chegou um dia e com ele novos sonhos e projectos para concretizar, mas na bagagem trouxe comigo essa paixão que me habituei a viver. Por entre as horas dedicadas à carreira, aos filhos e à casa, continuei a viver de forma mais calma e, também, saudosa essa paixão feita de negro.
Pouco a pouco, esse “bichinho álacre e sedento de focinho pontiagudo” v
oltou a tomar conta de mim e a fazer-me reviver esse amor não esquecido, mas apenas adormecido. A partilha de ideias com académicos dos “quatro costados” permitiu-me observar a Académica de um prisma um pouco diferente, mas igualmente apaixonante.A Académica que vim reencontrar é uma nova Instituição perfeitamente adaptada ao momento presente e que soube cortar as “peias” que a mantinham ligada aos Velhos do Restelo que nada vêem para além do Mondego. É uma menina frágil porque vive sempre protegida nos nossos corações, mas que de cesto na mão e capuchinho sempre negro na cabeça (independentemente das tonalidades que o realcem), conseguirá enfrentar qualquer lobo mau que se lhe atravesse no caminho.
O que me dói é ver a nossa Briosa, como uma qualquer filha de pai incógnito, disputada em trocas de palavras grosseiras daqueles que, julgando-se seus progenitores, utilizam argumentos ocos e desajustados para, falsamente, defenderem a sua honra.
E assim, à manta de retalhos da vida que trouxe de casa de meu pai, fui acrescentando estes e outros retalhos de um tecido bem mais resistente e com uma trama melhor urdida, mas com o mesmo brilho dos retalhos de chita de outrora. São retalhos sólidos e coloridos de negro que vão continuar a urdir a trama de uma paixão que quero legar aos meus netos e que, aliada à de tantos outros, enriquecerá o galardão Brioso que encimará a nossa hoste invencível em busca de novos rumos.
Pela Briosa...
Maria Rosmaninho



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