Com quantas letras se escreve INJUSTIÇA?
Esta é uma crónica que podia carpir as mágoas de uma entrada angustiada e angustiante no campeonato. Sem conseguir ganhar nenhum destes jogos, encontra-se a Académica mergulhada nas profundezas da tabela classificativa, mostrando poucos progressos pontuais em relação às épocas transactas. Mas a realidade, depois do que ontem se passou no Bessa, acredito que possa sofrer uma reviravolta de 180 graus (em oposição às reviravoltas de 360 a que temos assitido em épocas passadas) e colocar finalmente a Briosa num patamar de tranquilidade classificativa.Quando, durante esta semana, o Prof. Manuel Machado alertava para a possibilidade de um empate satisfazer as nossas pretensões, passou-me pela cabeça que entraria de novo retraído no Bessa, e foi isso mesmo que aconteceu. Abdicou 4-2-3-1 habitual, colocou o ponta de lança de serviço no banco, formou um losângulo a meio campo com Filipe Teixeira como vértice mais avançado com liberdade para envolvimentos com os alas e rematar de longe sempre que possível , Milos Pavlovic o mais recuado e deixou Miguel Pedro e Dame bem abertos na frente com ordens para procurar diagonais a partir dos flancos. Até nem se pode dizer que este esquema tenha resultado mal. Se é verdade que não construíamos, não é menos verdade que o Boavista ficou preso nesta teia durante 20 minutos.
No entanto, e quando nada o fazia prever, chegou o Boavista ao golo num lance que começa a tornar-se recorrente. Medeiros perde a bola a meio-campo, o interior esquerdo não acompanha Lucas (teve de ser Lino a resposicionar-se rapidamente para tapar o flanco) que centra uma bola para a zona do segunto poste onde Pedro Roma e Medeiros ficam a ver Roland Linz cabecear como mandam as regras. Meio-campo, centrais e guarda-redes ficam mal nesta fotografia, mas é justo que se refira que foi a única vez que o Boavista chegou com perigo à nossa área na primeira parte (e, porque não dizê-lo, em todo o jogo. Se exceptuarmos o lance do segundo golo).
Reagiu então Manuel Machado. Se o resultado não interessa, há que ir à procura de um que interesse. E esta é a característica que mais aprecio no nosso treinador, não adormece no banco, muda quando tem de mudar, e os resultados foram quase imediatos. Pegámos no jogo e marcámos num tiro fabuloso de Lino. A Briosa chegava ao intervalo empatada com mérito repartido entre o relvado e o banco.
E se a reacção terá sido para muitos uma surpresa, terão ficado boqueabertos com entrada na segunda parte. Uma Académica personalizada e dominadora que demorou dez minutos a completar a cambalhota (Gyánó faz golo de uma bola morta no centro da área) no resultado e que ficou a dever a si própria e a uma defesa por instinto de William a vitória neste jogo. Com a entrada de Vinha, ganhou ainda maior consistência defensiva, mas à passagem do minuto setenta sofre um golo que "não existe" ...
O golo do empate começa num envolvimento lateral em que Vinha defende bem, tapando a diagonal ao homem do Boavista, e em que Brum faz mal a dobra e cede um canto desnecessário. No canto, Sonkaya perdeu a marcação a Hélder Rosário e e Vinha deixa a bola passar entre ele e o poste. Em boa verdade nenhum dos dois mereceu tal traição da "Senhora Dona Sorte". É futebol ...
Até ao final, destaque para a pressão alta que a Briosa continuou a fazer, dando ideia que procurava a vitória. Não se acantonou na área nem deu ao Boavista a oportunidade de nos sufocar nos minutos finais. Estamos mais adultos, mais fortes fisicamente (Filipe Teixeira está a aparecer) e a jogar assim, a vitória é questão de uma semana!
Os pretos 1 a 1
Pedro Roma (3) - Pouco trabalho e algumas culpas no 1º golo. Cruzamentos por alto ao 2º poste têm de ser dele. A agravar este facto, já é o segundo golo que sofre assim este ano (Naval). O resto do tempo esteve seguro e não tem culpas no 2º golo.
Sonkaya (3) - O Boavista nunca criou perigo pelo seu flanco. Ainda subiu algumas vezes, embora nem seja tanto essa a sua função. Acabou por estragar uma exibição razoável com a falha de marcação no 2º golo.
Litos (4) - Foi dele a assistência para Gyánó marcar. Esteve seguro e criou muito perigo em bolas paradas com entradas ao segundo poste.
Medeiros (3) - Continua a inventar onde não deve e a perder marcações quando não pode. Ainda anda à procura de estabilidade emocional e de assentar o seu jogo. Fica para a semana ...
Lino (4) - Continua a não ser um prodígio a defender, mas mesmo assim esteve bem melhor que em partidas anteriores. Um perigo nas bolas paradas, fez um golão e marcou o canto que deu o 2º. Será que ele é mesmo lateral esquerdo?
Milos Pavlovic (4) - Um touro. Parece o diabo da Tansmânia do meio campo da Briosa. Limpou o que havia para limpar. Só não lhe peçam para sair a jogar ...
Alexandre (2) - Saiu cedo por ser o elo mais fraco no meio campo.
Roberto Brum (3) - Uns furos abaixo do habitual. Não dobrou Lino no lance do 1º golo, cedeu um canto desnecessário que deu o segundo.
Filipe Teixeira (5) - O homem do jogo. Está fisicamente melhor, pautou todo o nosso jogo atacante. Abriu espaços nas costas da defesa e acabou o jogo a fazer pressão alta sobre os Boavisteiros. EXCELENTE!!
Miguel Pedro (4) - Não terá a qualidade de Hélder Barbosa, mas esforça-se por abrir espaços e levar o jogo para perto da área adversária. Ontem deu o litro saindo lesionado. Recebe esta nota pelo enorme esforço.
Dame (3) - Tem características físicas que o podem tornar um bom jogador. Ontem não se mostrou muito mas também não comprometeu. Aguardemos outros jogos para se aquilatar do seu valor.
Gyánó (4) - Vou colocar a cabeça no cepo e considerá-lo um excelente ponta de lança. O golo pode dar-lhe a confiança que lhe faltou contra o Belenenses e torná-lo uma arma letal nos pés de Filipe Teixeira e Hélder Barbosa. Que tirem a licença de porte de arma esta semana ...
Vitor Vinha (3) - Defendeu bem. Deu consistência defensiva ao flanco esquerdo mas borrou a pintura no lance do segundo golo.
Nuno Piloto (2) - Pouco tempo em campo. No entanto também ajudou a manter o Boavista longe da nossa área.



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