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  - Domingo, Setembro 10, 2006

Maltesers ?


São muito parecidos com os M&M´s, têm um aspecto arredondado, achocolatado e luzidio, mas a consistência que aparentam acaba por se desvanecer quando os trincamos, transformando-se num farelo de bolacha que nos deixa surpresos e desiludidos.

Apresenta-se assim a Académica em campo neste início de campeonato. Entre os malabarismos de Hélder Barbosa, a voluntariedade de Gélson e o nervo de Brum e Alexandre, poderíamos pensar que estariam lançadas as bases para uma exibição sólida, mas não foi nada disso que aconteceu no relvado do Estádio Cidade de Coimbra.

Manuel Machado montou a equipa assente num 4-2-3-1 com Filipe Teixeira a substituir Milos Pavlovic no tridente de meio campo de Setúbal, cedo se percebendo o porquê de o criativo médio não fazer ainda parte das primeiras escolhas de Machado. Numa forma física deplorável, Filipe Teixeira não consegue levar a equipa para a frente, sendo Roberto Brum o encarregado de suprir esta falha e carregar o piano a partir da rectaguarda, saíndo visivelmente esgotado já na segunda parte.

Mas os problemas da Académica não se ficaram por aqui. Com uma defesa com 2 adaptações nas laterias e sem a dupla de centrais titular, conseguiu a Naval, baseando-se na velocidade dos seus homens da frente, fazer autêntica miséria no sector recuado estudantil, mesmo reduzida a 10 jogadores.

Falando do filme fo jogo em si, apareceu a Naval num 4-3-3 muito bem oleado criando diversas situações de perigo, a mais flagrante das quais a surgir dum péssimo corte de Nuno Piloto em balão para a zona dos médios defensivos onde Brum procurou adornar em vez de colocar longe, aproveitando o jogador Navalista para enviar um portentoso tiro que só parou na barra da baliza da Académica. Em contra-ataque mas com grande timidez, ia tentando a Briosa levar água ao seu moinho, mas sem nunca incomodar verdadeiramente o ultimo reduto figueirense, até que numa falta à entrada da área cometida sobre Roberto Brum, Lino tirou um coelho da cartola com um remate rasteiro que colocava uma justiça meramente pragmática no resultado.

Pensou-se que o golo poderia embalar a Briosa para outros vôos. Puro engano, até ao intervalo só deu Naval que aproveitava o desposicionamento dos laterais para chegar com perigo uma e outra vez à área da Académica.
Para a segunda parte apareceu a Académica com a mesma falta de comando de jogo, optando por sair pela certa mas nunca conseguindo incomodar a Naval, à excepção do lance que parecia ir decidir o jogo a favor da Briosa mas acabou por ser o tónico que faltava aos da Figueira para virar o resultado e ficar a dever a eles próprios uma goleada com contornos de escândalo. Helder Barbosa coloca a bola nas costas da defesa Navalista e Gelson é agarrado por trás por Fernando que recebeu ordem imediata de expulsão.

Começou então o nosso pesadelo, pelos pés de Raul Estevez. Nada fez de positivo em todo o jogo, e ainda se deu ao luxo de perder uma bola numa zona absolutamente proíbida. Aliando isto com o posicionamento defensivo absolutamente ridículo de Medeiros e Danilo (um jogou para o fora de jogo, o outro deu profundidade è defesa) colocaram Lito na cara de Pedro Roma. Ainda se pensou que fosse um erro passageiro, mas a asneira foi elevada ao cúmulo por Medeiros, num alívio em balão que acabou nos pés dos Navalistas ainda no meio campo defensivo da Briosa. Lito foi de novo lançado na esquerda (de Nuno Piloto nem sinal) colocando a bola no centro da área onde faltou cerca de meio metro ao salto de Lino e Medeiros para deter o cabeceamento de mais um homem de verde.

Até ao final pouco houve de futebol por parte dos de negro, que viram a Naval falhar mais três oportunidades clamorosas numa altura em que os laterais abdicaram definitivamente de defender (se é que alguma vez o fizeram) e conseguia a Naval com 10 homens aparecer com vantagem numérica no seu último terço de terreno.

Em suma, um fim de tarde para Manuel Machado lembrar e relembrar aos seus pupilos, que perderam não só por mérito incontestável do adversário, mas também por deficiências que não são admissíveis numa equipa que disputa um campeonato profissional de futebol.

Os de preto 1 a 1

Pedro Roma (3) - No primeiro golo nada podia fazer. No segundo devia ter saído ao cruzamento de Lito. Por vezes pareceu demasiado adiantado.

Nuno Piloto (1) - Nem a atacar nem a defender. Culpas no segundo golo. Cortes em balão para zonas proibídas. Mau.

Lino (2) - Só tem melhor nota que Piloto pelo golo que marcou. Não sabe sequer quando tem de defender o espaço interior ou o ala (as indicações tinham de vir do banco). Anda nitidamente a aprender mas pode sair-nos muito caro o curso de aprendizagem. Vou responder à questão que fiz no jogo com o Setubal e dizer que assim não temos lateral ...

Medeiros (1) - Culpas nos 2 golos, constantes falhas de posicionamento, deficiente entendimento com Danilo. Não pode ter melhor nota ...

Danilo (2) - Já todos sabemos o (pouco) que ele vale. Esforçou-se mas acabou por se afundar com o resto da defensiva. Depois de uma pré-época medíocre, uma entrada no campeonato ao mesmo nível.

Roberto Brum (4) - Carregou o piano até à exaustão. Faz o trabalho dele e o dos outros. Facilitou uma vez apenas, numa bola que acabou na nossa barra (embora Piloto tenha feito um corte deficiente). Não sabe jogar mal ...

Alexandre (3) - Mais amarrado ao meio campo defensivo. É certinho, consistente mas mais discreto que Brum.

Filipe Teixeira (2) - O ano passado rendia durante 60 minutos. Neste momento não dura nem 10 minutos. Lento na condução de jogo, sem capacidade física para desequilibrar. Quando ele aparecer a história será certamente outra ...

Raul Estevez (1) - Tirou um livre na 1ª parte. Falhou um golo na cara do guarda-redes. Borrou completamente a pintura no 1º golo da Naval. Lento, trapalhão e inconsequente.

Helder Barbosa (4) - Toda a magia (pouca) passou pelos pés dele. Candidato a melhor esquerdino do futebol português. Se é assim aos 18 anos ...

Gelson (3) - Chegou-lhe pouquíssimo jogo. Arrancou um cartão vermelho. De resto a vontade de jogador do costume. Gosto mais de o ver num esquema de 2 avançados ... uma opinião, vale o que vale ...

Nestor (1) - Só se deu por ele num remate disparatado a 30 metros da baliza.

Paulo Sérgio (2) - Entrou para tentar dar mais consistência defensiva ao meio campo e render o esgotado Brum. Não era fácil fazer melhor pois entrou com o jogo totalmente partido.

Miguel Pedro (2) - Mesmo assim conseguiu fazer funcionar o flanco direito mas insuficiente para a criação de perigo na área.

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