Obras no telhado
Pede o Prof. Manuel Machado um momento de reflexão. E, se calhar pede muito bem. Um momento de reflexão sobre a equipa que construímos, sobre o clube que queremos no futuro, no fundo procurar descobrir as pedras que vão impedindo esta engrenagem de funcionar há vários anos a esta parte. Vou procurar dar o meu contributo na esperança que outros também o façam. É nas alturas difíceis que nós, Académicos, nos devemos distanciar dum "botabaixismo" mais próprio de clubes de bairro, mesmo que essas vozes venham a cair em saco roto ou sirvam apenas como slogans de campanha, para enganar os sócios.
Formação
Sendo eu, na génese, um tradicionalista (não renego nenhum dos valores que me foram passados pelo meu pai) compreendo que a Associação Académica de Coimbra / Organismo Autónomo de Futebol pode não sobreviver a uma descida de divisão. Daí ser, para mim, mais importante neste momento conseguir bons profissionais que a mantenham lá e começarmos a lançar as bases para, no futuro, termos o desafogo financeiro necessário para apostar verdadeiramente na formação de atletas (e nesses devemos apostar na formação do atleta e do Homem). Neste momento não me interessa de onde eles vêm ou que língua falam. Têm é de ser bons. O problema é que a realidade está bem longe deste desiderato…
Prospecção
Sem termos um gabinete de prospecção em pleno funcionamento que nos garanta a estabilidade na 1ª Liga (e neste momento é tão fácil meus amigos. Nunca foi mais fácil do que agora!) arriscamo-nos a que a Academia seja apenas um edifício fantasma de uma Organismo Autónomo inexistente. É pacífico que a equipa formada esta época era para todos uma autêntica incógnita. Se Litos e Medeiros eram já conhecidos (e estavam encostados nos respectivos clubes) da armada estrangeira sabia-se quase 0 (já para não falar dos campeonatos absolutamente obscuros e de competitividade duvidosa de onde alguns deles provêm)
Nesta área não há muito para fazer na Académica, HÁ TUDO !!
Prestação
Subindo até ao telhado desta casa, podemos ver que ele foi totalmente remodelado desde a época passada. Se é verdade que tivémos uma prestação pouco conseguida na última época, não é menos verdade que não soubemos, não quisémos ou não pudémos reconhecer o potencial do que foi deixado pelo Prof. Nelo Vingada, facto que foi inclusivamente referido pelo próprio na imprensa escrita. Contratou-se um treinador a que todos reconhecem mérito e competência, mas depois não se lhe deu as condições mínimas para efectuar um trabalho à altura do que se exigia.
É o próprio treinador (a meu ver "comprando" uma guerra dentro do balneário que pode levar à sua saída prematura) a criticar duramente a qualidade dos jogadores que foram colocados à sua disposição (o que me causa alguma estranheza) e a referir a limpeza de balneário como justificação para uma pré-época medíocre e uma entrada no campeonato verdadeiramente angustiante.
Mas não vejo o Prof. Manuel Machado como o herói desta fita. Se é verdade que ele se colocou numa posição de "tudo o que vier daqui fui eu que conquistei", não é menos verdade que o tempo pedido por ele se esgotou (final de Setembro) e é ele próprio a reconhecer que o seu trabalho está muito longe de poder dar frutos. Será falta de qualidade das aquisições? Talvez ... Mas não poderá ser também falta de treino? Não poderá ser excesso de treino? Não poderá ser um problema de desadequação de alguns jogadores aos esquemas tácticos explanados em campo? Estas devem ser questões que passam pela mente do Prof. nesta altura e para as quais tem 3 semanas para obter resposta. Se não ganhar ao Paços ou ao Aves, temo que a sua passagem por Coimbra tenha o tal fim prematuro (que não desejo ...).
Conclusão
É altura de pensarmos o edifício "Académica" como um todo. E cumprirmos uma rota rumo à Briosa que queremos deixar aos nossos descendentes! Temos matéria humana de sobra para isso ...
Arregacemos as mangas !! VIVA A BRIOSA !!



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