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  - Domingo, Dezembro 10, 2006

AAC, 1 - Marítimo, 2: Uma questão de (in)eficácia

Apesar de ter protagonizado uma exibição agradável, a Académica foi hoje derrotada em "casa" pelo Marítimo, numa partida decidida pela eficácia ofensiva: enorme a dos madeirenses, muito reduzida a da Briosa.
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Relativamente ao encontro da semana passada, em Braga, o "onze" inicial registou apenas uma alteração: a saída de Litos (que se terá lesionado no último treino) e a entrada de Danilo.
A equipa iniciou o jogo em 4-3-3, com Paulo Sérgio e Roberto Brum à frente dos defesas e Dame mais adiantado. Nas alas, Miguel Pedro e Filipe Teixeira e, no centro do ataque, Nestor Alvarez.
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A Briosa começou em bom plano, trocando bem a bola e procurando acercar-se rapidamente da baliza adversária. Como corolário dessa atitude, surgiu, aos 12 minutos, a primeira grande oportunidade: Dame lançou Nestor Alvarez em profundidade, mas o colombiano, só com Marcos pela frente, atirou fraco e ao lado da baliza madeirense. Uma perdida escandalosa que viria a revelar-se paradigmática.
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O Marítimo, bem organizado defensivamente e sempre a espreitar o contra-ataque, reagiu logo no lance seguinte, onde Nuno Luís foi obrigado a ceder "canto" para evitar a entrada de Lipatin. Na sequência deste, Gregory, sem marcação, cabeceou ligeiramente por cima da barra.
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A partida decorria em ritmo de parada e resposta, mas era a Académica que criava as melhores oportunidades. Nestor Alvarez (mais uma vez) e Miguel Pedro poderiam ter marcado, mas os seus remates saíram junto ao poste direito da baliza "verde-rubra".
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Até que, aos 33 minutos, o Marítimo inaugurou o marcador. Nuno Luís, no meio-campo academista, perdeu a bola para Mbesuma. O zambiano arrancou pelo corredor esquerdo, venceu a oposição de Danilo e, com um remate cruzado, bateu Pedro Roma, que saíra para diminuir o ângulo.
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A Briosa não pareceu abalada e, até ao intervalo, dispôs de mais duas boas ocasiões para empatar: um remate acrobático de Miguel Pedro ao lado e uma recarga de Nestor, após a marcação de um "livre", que o guardião maritimista defendeu.
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Ao intervalo, Manuel Machado arriscou, retirando um defesa (Nuno Luís) e colocando mais um avançado (Gyano). Paulo Sérgio recuou para "lateral" direito e a equipa passou a actuar, a partir de então, em 4-4-2.
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A Académica instalou-se no meio-campo adversário, remetendo o Marítimo à sua defesa. O domínio dos "pretos" acentuou-se e, aos 66 minutos, Dame é derrubado por Wénio, num lance que deixou muitas dúvidas: a falta foi cometida dentro ou fora da "área"? O árbitro optou pela segunda alternativa e, na sequência do "livre", marcado pelo senegalês, gerou-se grande confusão junto às redes insulares, terminada com espectacular defesa de Marcos a remate de Nestor.
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Pressentia-se o empate mas foi a turma da Madeira a marcar de novo, naquele que foi o seu único ataque digno desse nome em toda a 2ª parte. Jogada individual de Mbesuma pela meia esquerda do seu ataque, hesitação de Danilo e o africano a finalizar à entrada da "área" com um remate forte e cruzado, a fazer a bola anichar-se no ângulo superior esquerdo das redes de Pedro Roma.
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O encontro parecia sentenciado, mas a Briosa ainda encontrou forças para reagir. Assim, quatro minutos depois, após uma "bomba" de Dame que Marcos não segurou, Gyano recargou com êxito, reduzindo a desvantagem.
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Até final, os academistas "sufocaram" os madeirenses, embora o discernimento começasse a faltar. Gelson, já nas compensações, atirou forte, mas o esférico passou a poucos centímetros do poste.
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A Académica acabou, assim, por perder um jogo em que tudo fez para obter outro resultado. Infelizmente, acabou por triunfar a equipa mais eficaz: o Marítimo, em quatro remates à baliza, obteve dois golos; a Briosa, em dezenas, apenas marcou um. E, por muito que nos doa, isso é que conta.
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Arbitragem habilidosa do portuense Rui Costa. Para além de alguma dualidade de critério (tanto do ponto de vista técnico como disciplinar) em prejuízo das nossas cores, foi demasiado complacente com o antijogo dos madeirenses, em especial na etapa complementar. O "amarelo" a Paulo Sérgio é bem mostrado, mas Neca deveria ter sido alvo de punição idêntica. No lance mais polémico, ficaram muitas dúvidas em relação ao local da falta, que só a TV poderá dissipar.
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Sob a arbitragem de Rui Costa, do Porto, as equipas alinharam:
Académica - Pedro Roma; Nuno Luís (Gyano, 46), Danilo, Káká e Lino; Paulo Sérgio, Roberto Brum (Dionattan, 72) e Dame; Miguel Pedro (Gelson, 62), Nestor Alvarez e Filipe Teixeira.
Marítimo - Marcos; Zé Gomes (Milton do Ó, 45), Gregory, Alex e Evaldo; Wénio, Olberdam e Neca (André Barreto,74); Lipatin (Moukouri, 63), Mbesuma e Filipe Oliveira.
Marcadores: Gyano (80), pela Briosa; Mbesuma (33 e 76), pelo Marítimo.
Disciplina: Cartões amarelos a Paulo Sérgio (43); Alex (50), Olberdam (60), Wénio (66) e Marcos (86).
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Os "pretos", um a um
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Pedro Roma (3) - Uma tarde ingrata. Teve muito pouco trabalho e acabou por sofrer dois golos sem qualquer culpa.
Nuno Luís (1) - Atravessa um mau momento. A sua falta de velocidade é gritante. Foi displicente no lance do primeiro golo. Bem substituído ao intervalo.
Danilo (2) - Está claramente ligado ao resultado. Em ambos os golos foi batido por Mbesuma.
Káká (3) - Esteve bem nelhor que o seu companheiro do centro da defesa. Não prima pelo tecnicismo mas, pelo menos, não inventa.
Lino (3) - Um lateral "à brasileira", extremamente ofensivo. Hoje, não foi tão produtivo como em Braga. Nota-se uma melhoria nas tarefas defensivas.
Paulo Sérgio (3) - Uma exibição razoável. Bem a destruir mas com algumas falhas no capítulo do passe. Na 2ª parte, recuou para "lateral" direito e não se saiu mal.
Roberto Brum (3) - Exibição regular. Lutou muito e cumpriu a sua missão, embora sem grande brilhantismo. Acabou rendido por Dionattan.
Dame (4) - O melhor da Briosa. Correu quilómetros, num vai-vem constante ao longo de toda a partida. Apesar de muito marcado, tentou sempre fazer uso do seu forte remate de meia-distância. Foi uma "bomba" sua que possibilitou a recarga vitoriosa de Gyano.
Miguel Pedro (3) - Enquanto jogou, teve bons apontamentos. Criou duas boas oportunidades de golo no 1º tempo. Depois, "apagou-se", acabando por sair esgotado.
Filipe Teixeira (3) - Uma exibição esforçada no apoio ao ataque mas nem sempre clarividente.
Nestor Alvarez (2) - É certo que batalhou imenso e que protagonizou várias ocasiões para marcar. Porém, esteve demasiado perdulário, o que me leva a atibuir-lhe nota negativa. Aquela perdida aos 12 minutos foi o paradigma da ineficácia da equipa.
Gyano (3) - É o típico "ponta-de-lança" oportuno. Esteve menos em jogo que Nestor mas, quando dispôs de uma oportunidade, não falhou.
Gelson (2) - Manuel Machado colocou-o na ponta direita, em troca directa com Miguel Pedro. O mesmo empenho e as mesmas limitações técnicas de sempre.
Dionattan (3) - A sua entrada deu outra consistência ao meio-campo e, consequentemente, outra vivacidade ao jogo atacante da equipa.

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