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  - Sexta-feira, Dezembro 01, 2006

Copo a encher ou a esvaziar?



A Assembleia Geral ontem realizada para aprovação do Relatório e Contas de 2005/2006 e do Orçamento para 2006/2007 ficou marcada por um duro confronto verbal entre a Direcção e alguns dos rostos mais importantes da oposição.
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Confrontados com a difícil situação financeira da Briosa, as visões de ambos os campos são diametralmente opostas: para a primeira, o copo está a começar a encher; para a segunda, está a esvaziar-se cada vez mais.
Na sua primeira intervenção, o presidente José Eduardo Simões refutou as notícias saídas na comunicação social na véspera da AG, em especial as alegadas dívidas ao Fisco e à Segurança Social, que apelidou de falsidades.
Historiou, depois, a evolução financeira da instituição, afirmando que, "de 1995 a 2002, o passivo real aumentou de um para 12 milhões de Euros" (os 6,4 mihões contabilizados após a demissão de Campos Coroa acrescidos de 4,3 milhões de dívidas a terceiros e ainda as resultantes da falta de pagamento de IRC em 1995 e 1996).
Antecipando-se à apresentação técnica do documento (feita posteriormente pelo dirigente Luís Guilherme), considerou que, actualmente, "se o passivo técnico é, efectivamente, de 12 milhões de Euros, o real é de cerca de 8 milhões". Isto porque os proveitos do negócio de Marcel, das vendas de Joeano e Ezequias e do empréstimo de N'Doye apenas serão contabilizados no exercício de 2006/2007. O mesmo sucedeu com o pagamento das transmissões televisivas por parte da SportTV, efectuado em Julho, e que servirá para pagar dívidas fiscais.
Segundo o presidente, "se retirarmos as amortizações, fica-se pelos 4/4,5 milhões de Euros, consoante o resultado do recurso ao STAF sobre o pagamento do IRC de 95 e 96". Concluiu, então, que "a Académica é perfeitamente viável mas ainda não atingiu porto seguro".
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Apresentadas as contas por Luís Guilherme, seguiram-se as intervenções dos associados.
Lucílio Carvalheiro, antigo presidente do Conselho Fiscal, foi bastante crítico, apelidando o relatório apresentado de "mistificação". Falou da "incapacidade da Direcção em trasferir o passivo de curto prazo para o médio e longo prazo" e levantou dúvidas relativamente a várias rubricas dos documentos apresentados, em especial no que se refere à contabilização do passe de Marcel e à quase inexistência de donativos à instituição, ao contrário do que o presidente teria afirmado para justificar os dinheiros encontrados na sua viatura.
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Mas a intervenção mais contundente do sector oposicionista coube a Luís Santarino. Depois de acusar JES de falta de solidariedade, por ter atacado a gestão de Campos Coroa, denunciou "o desaparecimento de 3,5 milhões de Euros", que, segundo o orador, correspondem "ao empréstimo do Presidente à AAC". Questionou, igualmente, os termos do negócio de Marcel, com base em movimentos bancários, para concluir que "dos 3,5 milhões de Euros que ia render passou para apenas 2 milhões". Por fim, apontou o dedo à "falta de transparência do acordo entre a AAC e a TBZ", acusando a Direcção de sonegar os relatórios mensais da TBZ ao Revisor Oficial de Contas (ROC). E rematou perguntando "quais os jogadores que são efectivamente da Académica?" Na sua opinião, "nenhum".
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Seguiu-se o ROC, José Luís Leal, que rebateu algumas considerações de Luís Santarino. Assim, os relatórios em falta não são os da TBZ, mas sim os que deviam ser elaborados pela comissão de acompanhamento do contrato. Por outro lado, considera que a afirmação que finaliza o seu relatório de que "os prejuízos acumulados podem colocar em causa a continuidade da instituição" não é nova relativamente à situação financeira do clube.
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Outro momento marcante foi a intervenção do ex-presidente Campos Coroa, que rebateu as acusações de José Eduardo Simões. Afirmou que as suas contas da foram apresentadas pela Comissão Administrativa que lhe sucedeu "após o golpe dado que me afastou da Direcção". Justificou os cheques que passou sem cobertura com "garantias da instituição bancária, negadas dois dias depois". Negou ter deixado 12 milhões de Euros de passivo e afirmou ter pago as dívidas do jornal. Por fim, declarou ter sido "o presidente que uniu a AAC e a Academia".
Estas afirmações motivaram a resposta do actual líder directivo, que, para além de reafirmar o essencial da sua intervenção anterior, revelou ter tido de "assumir os cheques que estavam sem cobertura". Declarou, ainda, que "os passes dos jogadores são todos da Académica."
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Seguiu-se António Ferrão, que, se por um lado elogiou o actual elenco directivo ("a AAC está mais profissional, mais organizada, mais blindada à devassa"), teceu igualmente críticas à sua gestão desportiva e financeira, em especial à passagem de 60 jogadores por Coimbra nos últimos três anos.
Depois de várias réplicas de alguns dos intervenientes citados, bem como do presidente do Conselho Fiscal, Gonçalo Capitão, os documentos foram postos à votação.
Nesse momento, Mário José Castro (que já havia levantado a questão no início da AG) questionou o facto de não se saber se todos os presentes eram sócios com as quotas em dia. Os ânimos exaltaram-se, tendo-se gerado um tumulto que levou à suspensão da Assembleia até à resolução do impasse. Finalmente, Luís Santarino apresentou uma proposta para que a votação se realizasse assim mesmo, de braço no ar, que foi aprovada por maioria.
Na votação das Contas, registaram-se 21 votos contra e uma larga maioria (não contabilizada) de votos favoráveis. No Relatório , a maioria ainda foi maior, tendo ocorrido apenas 12 abstenções .
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Passou-se, então, à votação do orçamento para 2006/2007, no qual a Direcção prevê quase 7 milhões de Euros de receita e uma despesa semelhante à do ano corrente, o que se traduzirá num superávite de 1,75 milhões de Euros. Aqui, quase não houve discussão e a proposta foi aprovada por grande maioria, só com 13 abstenções.
De seguida, o Presidente (questionado por António Ferrão) referiu que não pode garantir uma data certa para a inauguração dos novos campos do Bolão. Mas declarou ter a promessa da empresa francesa de que os camiões com a relva deverão chegar na 2ª semana de Dezembro. Nesse caso, os relvados poderão ficar prontos no final de Janeiro, se a meteorologia ajudar. Caso chova muito, a sua colocação terá de ficar para mais tarde.
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Antes de terminar, Luís Santarino voltou à carga, perguntando a José Eduardo Simões o que faria se o Tribunal "chumbasse" o acordo com a TBZ. A resposta foi dada pelo jurista Guedes Costa, que apenas disse já ter a AAC contestado a acção do Ministério Público e confiar na decisão da justiça. "O resto é futurologia", rematou.

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