Defesa da Briosa "viu Braga por um canudo"

A Académica foi hoje derrotada em Braga por quatro bolas a duas, numa partida em que a eficácia ofensiva dos bracarenses contrastou com a ineficácia defensiva da Briosa.
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Relativamente ao jogo com o Beira Mar, Manuel Machado efectuou duas alterações: as saídas de Pavlovic e de Gyano, rendidos por Paulo Sérgio e Nestor Alvarez, respectivamente. A equipa dispôs-se num sistema de 4-2-3-1, com Paulo Sérgio e Brum à frente dos defesas, Miguel Pedro à direita, Filipe Teixeira à esquerda (embora, por vezes, os dois trocassem de posição) e Dame mais adiantado, no apoio a Nestor Alvarez, único "ponta-de-lança".
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A Académica não podia ter começado melhor o jogo. Logo aos três minutos, uma tabela entre Filipe Teixeira e Lino, no flanco esquerdo do ataque, isola o brasileiro. Este, com um remate cruzado, bateu Paulo Santos.
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A vantagem não durou muito. O Braga reagiu e rapidamente deu a volta ao resultado. O descalabro da nossa defesa começou aos nove minutos: "canto" na direita, apontado por João Pinto, e Cesinha, entre Litos e Dame, saltou mais alto e cabeceou vitoriosamente.
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Aos dezasseis, um "livre" marcado directamente por João Pinto na meia esquerda leva a bola a embater na barra e a ressaltar para a frente da baliza. Paulo Jorge, mais rápido que Litos e Pedro Roma (ainda a refazer-se da estirada) recargou com êxito.
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A equipa não se desuniu e procurou alterar o rumo dos acontecimentos. O encontro decorria numa toada viva, com ambas as equipas à procura do golo, embora sem oportunidades muito flagrantes. A partir da meia hora, a Briosa, a trocar muito bem a bola, começou a acercar-se mais das redes "arsenalistas".
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A merecida igualdade chegou aos quarenta minutos, também após um lance de bola parada. "Canto" da esquerda, apontado por Filipe Teixeira, toque de cabeça de Litos para Dame, que cruzou rasteiro para a pequena área. Aí, fabuloso toque de calcanhar de Nestor Alvarez, com Litos, solto ao segundo poste, a desviar para a baliza.
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Ao intervalo, os adeptos da Briosa tinham razões para estar,simultaneamente, satisfeitos e preocupados: por um lado, a equipa jogava de forma agradável e tinha mais posse de bola que o adversário; por outro, dava mostras de pouca consistência defensiva.
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O início do 2º tempo trouxe um "balde de água fria" para as nossas hostes. Cinco minutos após o recomeço, depois de uma perda de bola a meio-campo, Carlos Fernandes subiu rapidamente pelo corredor esquerdo (onde estava Nuno Luís?). O "lateral" bracarense cruzou para a área, onde João Pinto, antecipando-se a Káká, enganou Pedro Roma com um toque subtil. A equipa sentiu o golo e não mais foi a mesma.
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Aos 58 minutos, Manuel Machado fez a primeira alteração: saiu Nestor Alvarez e entrou Gyano. Porém, antes que os seus efeitos se fizessem sentir, o Braga elevou a contagem: mais um "canto" na direita, mais uma vez João Pinto a bater e Frechaut, entre os "centrais", a cabecear de cima para baixo, com Pedro Roma a lançar-se algo tardiamente e a não conseguir evitar o golo.
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A partir daqui, a partida ficou praticamente sentenciada. No intuito de dar maior cunho ofensivo ao conjunto, o técnico academista lançou Dionatan para o lugar de Roberto Brum. Quase de seguida, trocou Miguel Pedro por Sarmento. A Académica não se rendeu, continuou a tentar encurtar a diferença e Gyano falhou duas boas ocasiões para o conseguir. Mas também é justo dizer que, face ao adiantamento da nossa equipa, os "arsenalistas" poderiam, igualmente, ter aumentado a vantagem, algo que, a ter acontecido, constituiria uma penalização demasiado pesada para as nossas cores.
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Em conclusão, uma exibição muito desigual da Briosa: boa do meio-campo para a frente (onde chegou a ter períodos de algum brilhantismo) e um desastre nas acções defensivas. Uma equipa que sofre três golos de bola parada não pode aspirar a altos voos. E o Braga até não teve, do ponto de vista quantitativo, uma elevada produção atacante. Aliás, a posse de bola ficou em 50% para ambas as equipas. Porém, os bracarenses foram terrivelmente eficazes. E, no futebol moderno, essa é a chave das grandes vitórias.
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Num terreno pesado e propenso a choques, Artur Soares Dias fez uma boa arbitragem. Apesar de tudo, o cartão amarelo a Káká pareceu fruto de um preciosismo. Mas também poupou Dame, já nas compensações, após uma entrada violenta (e escusada) sobre Frechaut.
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Sob a arbitragem de Artur Soares Dias, do Porto, as equipas alinharam:
Braga - Paulo Santos; Luís Filipe, Paulo Jorge (Irineu, 82), Nem e Carlos Fernandes; Frechaut, Vandinho e João Pinto; Bruno Gama (Castanheira, 53), Zé Carlos e Cesinha (Wender, 46).
Académica - Pedro Roma; Nuno Luís, Litos, Káká e Lino; Paulo Sérgio e Roberto Brum (Dionatan, 65); Miguel Pedro (Sarmento, 71), Dame e Filipe Teixeira; Nestor Alvarez (Gyano, 58).
Marcadores: Cesinha (9), Paulo Jorge (16), João Pinto (50) e Frechaut (60), pelo Braga; Lino (3) e Litos (40), pela Briosa.
Disciplina: Cartões amarelos a Káká (11) e Litos (62); Paulo Jorge (45) e Castanheira (78).
Os "pretos", um a um
Pedro Roma (2) – Sofrer quatro golos nunca é bom para um guarda-redes. No primeiro, não houve nada que pudesse fazer; no segundo, ainda fez uma boa defesa. Na segunda parte, viu a bola entrar por mais duas vezes, ficando mal visto, especialmente no último tento.
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Nuno Luís (2) – Sem pernas para acompanhar o ataque rápido do Braga, teve mais uma noite infeliz. É um defesa lateral que não ultrapassa o meio-campo e tenta não complicar. Decerto, melhores dias virão.
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Káká (2) – É difícil dizer mal de um jogador que se gosta. Viu um cartão amarelo aos 11 minutos, o que comprometeu grande parte do seu jogo defensivo. Sempre atento a fechar o lado esquerdo, esteve constantemente obrigado a não fazer falta sob risco de ser expulso. Hoje, não teve o melhor rendimento naquilo que já mostrou ser a sua especialidade – a eficácia.
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Litos (2) – Marcar ou não marcar, eis a questão. Falhou na marcação a Cesinha no canto do primeiro golo e, embora fosse difícil, foi lento a reagir no 2-1. No entanto, esteve no golo do empate em grande – primeiro no cabeceamento e depois a aparecer ao segundo poste para encostar.
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Lino (4) – Dos melhores da Briosa. Entrou com o pé direito e foi com ele que marcou o primeiro golo logo aos três minutos. Não se pode dizer que joga a defesa esquerdo mas hoje veio atrás quando foi preciso.
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Roberto Brum (3) - A Académica conseguiu segurar o meio campo e, por várias vezes, sair rápido para o ataque. O nº 6 voltou a fazer a exibição regular que nos habituou ao longo de 12 jornadas. Na segunda parte, caiu após o terceiro golo e acabou por ser substituído por Manuel Machado.
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Paulo Sérgio (4) – Foi a surpresa que se justificava para este jogo em Braga. À Académica, exigia-se um meio campo batalhador e com poder de choque. Paulo Sérgio possui essas características e teve hoje a oportunidade de mostrar o seu futebol durante 90 minutos. Esteve sempre bem e a luta por um lugar no onze promete.
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Filipe Teixeira (4) – Uma grande primeira parte do nº 10, que foi à esquerda, direita e ao meio. Está a aparecer a magia que espalhou na época passada e a bola agradece. Na segunda parte, esteve pior, tendo dificuldades em levar o jogo para os avançados.
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Miguel Pedro (3) - Apareceu, por vezes, a extremo esquerdo, numa tentativa de aproveitar o pé direito ao flectir para o centro do terreno. Uma boa primeira parte, em que o nº 19, a todo o gás, tentou sempre incomodar a defesa bracarense. Na segunda parte, raramente se viu e acabou por ser substituído.
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Dame (3) – Depois de um grande jogo, encontrou-se sempre bem marcado pela defesa do Braga. Com pouco espaço esteve no cruzamento do golo de Litos e ainda mandou as “bombas” que já o caracterizam. Para o jogo com o Marítimo, Dame mais!
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Nestor Alvarez (2) – Há falta de uma referência no ataque da Briosa. Ora joga Dame ou Gyano e, agora, foi a vez de Alvarez. Esteve sempre muito desapoiado e raramente teve a bola nos pés. Tem uma oportunidade para fazer o 2-1, mas Paulo Santos defendeu. No segundo golo, esteve excelente no toque que acabou por ser emendado com êxito por Litos.
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Dionattan (3) – Era preciso alguém que fosse objectivo e levasse o jogo para a frente. Era preciso um “box-to-box”. Era preciso um Dionattan em grande nível. Já vimos muito melhor do jogador mas, dado o facto de regressar após lesão, esteve bem e conseguiu fazer o que se lhe pedia.
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Gyano (2) – Pouco ou nada acrescentou ao jogo. Entrou para o lugar de Nestor e, tal como o colombiano, esteve sempre desapoiado.
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Sarmento (2) – Pouco tempo em campo não deu para mudar o rumo do jogo. De qualquer modo, avivou o lado direito do ataque da Briosa.
*Crónica do jogo de Jorge Martins e análise aos jogadores por Francisco Martinho



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