O momento da Briosa: a Assembleia e a ofensiva da oposição
Faz hoje uma semana que se realizou a Assembleia Geral da AAC/OAF. Tanto os antecedentes como o seu decurso e os acontecimentos subsequentes vêm mostrando um clube acentuadamente dividido, onde, à maneira da Venezuela de Chavez, o confronto entre dirigentes e opositores é constante e o diálogo praticamente inexistente. Vou, agora, tentar reflectir sobre o que se passou e vem passando, procurando mostrar as responsabilidades que, na minha perspectiva, cabem a cada uma das partes.
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1 - A Direcção procurou marcar a Assembleia para um momento que lhe fosse mais favorável, ou seja, em que os resultados desportivos fossem mais positivos e não despertassem a ira dos associados (para sorte sua, a vitória e a exibição frente ao Beira Mar caíram como "sopa no mel"). Mas, com isso, ultrapassou os prazos estatutários. E as explicações do Presidente para esse facto ("doença de Almeida Santos" e "saída de Ricardo Castanheira para a Liga") soaram a desculpas esfarrapadas. Por outro lado, também as Contas e os Relatórios do Conselho Fiscal e do ROC só muito tardiamente foram disponibilizados aos sócios.
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2 - De posse do relatório do ROC, a oposição não tardou em "soprar" para a Comunicação Social uma versão alarmista do referido documento. Nas notícias então veiculadas, dizia-se que "a Académica está à beira da extinção", quando aí apenas se referia que "a existência de um capital próprio negativo pode pôr em causa a continuidade da instituição". É o mesmo que afirmar que alguém está moribundo quando o veridito médico fala em existência de risco de vida se o doente não tratar a doença. Este episódio marcou o início da ofensiva oposicionista e foi arrasador para a imagem da instituição.
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3 - A organização da Assembleia ficou marcada pela não existência, à entrada, de qualquer controlo, permitindo, teoricamente, a entrada a qualquer um, fosse ou não sócio da Briosa e tivesse ou não as quotas em dia. Valha a verdade que o problema não é, como alguns querem fazer crer, de agora. E, muito sinceramente, penso que a esmagora maioria dos presentes (se não a totalidade) eram associados do clube, mas é provável que houvesse quem não tivesse as quotas todas pagas. Embora não me pareça que esse facto tenha influenciado as decisões da Assembleia, foi cometida uma ilegalidade, o que torna possível uma eventual impugnação.
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4 - Alguns elementos da oposição assumiram, no decorrer do conclave, uma postura lamentável. As "bocas" da plateia, os constantes apartes e interrupções, as gargalhadas durante as intervenções do Presidente e de outros membros dos órgãos sociais deram uma má imagem das hostes oposicionistas. Ex-dirigentes com responsabilidades na instituição não podem comportar-se como membros de uma qualquer claque em dia de jogo. Salvaram-se as intervenções de Luís Santarino (desassombrado, directo e frontal, como é seu timbre) e de Lucílio Carvalheiro (embora a sua linguagem mais circular e a insistência em pormenores técnico-jurídicos torne menos eficaz a sua mensagem). Campos Coroa defendeu-se com dignidade das acusações de José Eduardo Simões, mas nada acrescentou que tenha contribuído para limpar a imagem da sua gestão. Também a explicação de que estava em casa a tratar do neto e que só tinha aparecido para defender a sua honra cheirou demasiado a encenação.
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5 - O Presidente defendeu a sua causa praticamente sozinho, uma vez que Gonçalo Capitão, recém-alcandorado à liderança do Conselho Fiscal pareceu sempre um pouco "fora de jogo". Com a frieza habitual, manteve a serenidade face às provocações oposicionistas. Apenas durante o tumulto que provocou a suspensão da reunião se perturbou um pouco, o que explica aquela de dizer que "a Carmo sabe quem é sócio e tem as quotas em dia". Com a ajuda do ROC, tranquilizou os associados acerca do sentido das suas afirmações no Relatório. Porém, sobre as questões levantadas pela oposição, foi suficiente ambíguo para permitir todas as interpretações, algo que procurei ilustrar com a metáfora do copo a encher ou a esvaziar, conforme a perspectiva. "Driblou" bem a questão dos campos do Bolão, "chutando" a responsabilidade para a empresa francesa responsável pela instalação da relva. No fundo, conseguiu o seu principal objectivo:a aprovação do Relatório e Contas e do orçamento. Obteve uma larga maioria mas, em nossa opinião, não pode "embandeirar em arco" nem subestimar a oposição. Julgo que os sócios lhe deram mais o benefício da dúvida que um voto de confiança inequívoco. Na eventualidade de a situação financeira não melhorar significativamente no próximo exercício, a sua reeleição poderá ficar comprometida, especialmente se os resultados desportivos não ajudarem.
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6 - Foi visível na Assembleia que o sector opositor tinha como base os órgãos sociais de Campos Coroa. Será que esta polarização entre apoiantes da actual e da anterior Direcção reflecte a realidade da instituição? Não haverá espaço para uma "terceira via"? No plenário de há uma semana, apenas António Ferrão apontou nesse sentido. Foi, aliás, o único a tocar, de forma clara, na questão da excessiva rotação de jogadores nos últimos três anos. Mas daí a liderar um projecto ainda vai alguma distância. Por alguns comentários que ouvi na plateia, poderá haver espaço para a construção de uma alternativa, tanto à Direcção como à oposição. Resta saber se alguém estará disposto a corporizá-la.
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7 - Após o conclave, a oposição pró-Coroa intensificou a sua ofensiva, tendo como principal cenário a Comunicação Social, no que parece, claramente, uma campanha orquestrada. Sucederam-se as entrevistas do ex-presidente e de alguns apaniguados, as declarações do líder do Núcleo de Veteranos, José Belo (apontado pelo primeiro como possível candidato), as notícias diárias com origem nesse sector (a postura de "A Bola" assume foros de escândalo!...). No fundo, de uma guerrilha activa mas de baixa intensidade, limitada às tertúlias e à blogosfera, os oposicionistas passaram para uma ofensiva em terreno aberto, procurando aproveitar a oportunidade que a revelação do elevado passivo lhes conferiu. É, porém, uma estratégia que, se pode render dividendos a curto prazo, não parece sustentável durante muito tempo. Provavelmente, durará até se extinguirem os ecos da Assembleia Geral e regressará quando as eleições se aproximarem.



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