Serenidade e bom senso, em nome da BRIOSA

Poucas horas após ter sido oficialmente acusado pelo Ministério Público de vários crimes de corrupção passiva e tráfico de influências, o Presidente José Eduardo Simões manifestou a sua intenção de permanecer no cargo.
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Embora tenha defendido a suspensão do mandato, de forma a salvaguardar a credibilidade da instituição, respeito a sua decisão. Aliás, embora o "post" em que expressei a minha opinião não fosse muito explícito, deixei claro, em comentário posterior, que a sua decisão deveria ser tomada com inteira liberdade, de acordo com a sua consciência e em concertação com os restantes membros da Direcção e dos outros órgãos sociais do clube. Aqueles que tenham uma opinião contrária e pretendam forçar a saída do Presidente, podem, nos termos estatutários, solicitar a convocação de uma Assembleia Geral extraordinária com essa finalidade.
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Infelizmente, nesta hora difícil, a Briosa continua irremediavelmente dividida, num quadro que se assemelha, cada vez mais, a uma "guerra civil" no seio da colectividade. Na realidade, apoiantes e opositores, apenas preocupados em manter ou conquistar posições, esgrimem os mais espantosos argumentos com um desses objectivos.
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Assim, no campo dos que apoiam o líder academista, procura-se passar a ideia de que, mesmo que JES seja culpado, o fez apenas para financiar a Académica e não em proveito próprio. O que, segundo eles, desvalorizaria a gravidade dos actos que, eventualmente, tenha praticado.
É nesta linha que se insere a entrevista do Presidente da AG ao jornal "A Bola". Julgo que Almeida Santos, um político acima de qualquer suspeita, foi bastante infeliz ao emitir essa opinião. Percebe-se a intenção de tranquilizar os sócios, mostrando que o clube não foi lesado e que, nesse aspecto, o dirigente máximo da instituição merece toda a confiança. Mas não se pode aceitar que a AAC/OAF tenha sido financiada, de modo ilícito, com dinheiros públicos.
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Por outro lado, nas hostes da oposição, é já um dado adquirido que José Eduardo Simões é culpado dos actos de que é acusado, parecendo que as fases seguintes do processo e um eventual julgamento serão uma mera formalidade até à inevitável condenação. O seu regozijo pelo que está a acontecer é notório, mesmo que temperado por algumas "lágrimas de crocodilo", expressas na expressão "desejo, sinceramente, que o Presidente esteja inocente" (vindo de onde vem, alguém acredita nesse desejo?).
Como exemplo desta posição, alguns textos dados à estampa na blogosfera oposicionista, onde se afirma, expressamente, que se deve valorizar mais a acusação do MP do que o princípio da presunção da inocência. Como se aquela magistratura não representasse apenas uma das partes processuais e aquele não fosse a pedra angular do Estado de Direito democrático!
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No meio de toda esta tempestade, é necessário que ambas as partes procurem evitar comportamentos que ponham (ainda mais) em causa o bom nome da instituição. Como modesto escriba e associado sem quaisquer ambições ao desempenho de cargos directivos no clube, dirijo, daqui, em nome da Briosa, um apelo à serenidade e ao bom senso.
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Do lado dos órgãos sociais, que haja maior trasparência e uma maior informação aos sócios; da parte da oposição, que as suas críticas sejam mais construtivas e feitas mais no seio da instituição e menos na comunicação social.
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O que peço é que pensem menos nos vossos interesses pessoais ou de grupo e mais nos da colectividade. É que, às vezes, parece que nos esquecemos que somos todos da Académica. Sei que é um apelo ingénuo, mas não ficaria bem com a minha consciência se não o fizesse. A nossa Briosa merece-o!



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