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  - Quinta-feira, Dezembro 28, 2006

Uma comparação "objectosubjectiva" (I): PIOR RENDIMENTO, MELHORES PERSPECTIVAS


Um exercício que costumo realizar, todos os anos, a partir do meio da época, é a comparação entre os resultados da época em curso e os da anterior, tendo em conta os encontros disputados frente aos mesmos adversários.

A maioria dos analistas prefere comparar os pontos somados à passagem da jornada x da Liga na época y com os conseguidos na mesma ronda da época z. Sem dúvida que é mais fácil e mais imediato. Contudo, se pensarmos um pouco, veremos que esse dado, só por si, é relativamente pouco significativo. Concretizando: uma determinada pontuação no final da 1ª volta, após se ter defrontado, em "casa", o Porto, o Benfica e o Sporting, terá o mesmo significado se for obtida com um calendário teoricamente mais acessível? Por outro lado, há que ter também em conta o desempenho das outras equipas na competição: se houver duas ou três mais fracas, x pontos podem ser suficientes para assegurar a manutenção; caso contrário, podem não o ser.

Claro que o exercício a que me entregarei de seguida, embora baseado em dados objectivos, tem também um certo grau de subjectividade e falibilidade, como se pode ver a seguir. Por isso, o denomino de "objectosubjectivo". Com efeito, para além de o valor e/ou a forma de algumas equipas poder variar de ano para ano ou de os jogos serem disputados em circunstâncias diferentes, uma questão, desde logo, se coloca: qual o critério de correspondência entre os despromovidos da época anterior e os que, entretanto, tomaram o seu lugar? No caso particular desta temporada, há ainda um problema mais espinhoso: é que a Liga foi reduzida de 18 para 16 clubes, o que torna a comparação ainda mais aleatória. Logo, vale o que vale. Mas penso que permite, apesar de tudo, uma comparação interessante da evolução do desempenho das equipas de época para época.

Comecei, então, por ter de eliminar dois emblemas. O mais lógico seria escolher, para o efeito, o 17º e o 18º de 2005/2006, respectivamente, V. Guimarães e Penafiel. Porém, dada a despromoção administrativa do Gil Vicente, a minha opção recaiu, além dos penafidelenses (últimos classificados), na turma de Barcelos. Logo, os encontros onde foi interveniente uma destas duas equipas estão fora das contas.

Depois, havia que fazer a correspondência entre os promovidos Beira Mar e Aves e os dois despromovidos. Normalmente, o meu critério baseia-se na proximidade geográfica. Mas, dado o facto de terem saído duas turmas nortenhas e terem entrado uma do Norte e outra do Centro, decidi, de forma subjectiva, fazer corresponder os aveirenses ao Vitória minhoto: ambos possuem um estádio do Euro 2004 e com qualquer deles temos uma grande rivalidade (embora por razões diferentes). Logo, por exclusão de partes, os avenses são os substitutos do Rio Ave.

Vejamos, agora, qual teria sido a classificação de 2005/2006 se retirássemos todos os jogos em que participaram o Gil Vicente e o Penafiel. Entre parêntesis, a pontuação verdadeira.

  • F.C. Porto................. 67 (79)
  • Sporting.................... 62 (72)
  • Benfica..................... 58 (67)
  • Braga........................ 53 (58)
  • Marítimo.................... 42 (44)
  • Nacional.................... 40 (52)
  • Boavista.................... 40 (50)
  • U. Leiria.................... 39 (47)
  • V. Setúbal................. 37 (46)
  • Paços Ferrª.............. 37 (42)
  • Estª. Amadora......... 35 (45)
  • Naval......................... 33 (39)
  • ACADÉMICA.......... 33 (39)
  • Belenenses.............. 33 (39)
  • Rio Ave..................... 25 (34)
  • V. Guimarães........... 24 (34)

É esta classificação virtual que servirá de termo de comparação com a época anterior. Logo, para igualar a performance da temporada passada, a Académica terá de fazer 33 pontos. Estará em condições de atingir esse desiderato? Mas será essa meta necessária para garantir a permanência ou chegam apenas 26 pontos? É o que vamos ver a seguir, comparando os resultados de 2006/2007 com os de 2005/2006.

Comparemos, então, a classificação actual com a que existiria se os resultados dos jogos efectuados nas 14 jornadas já disputadas tivessem sido iguais aos da época anterior (ou, no caso de Beira Mar e Aves, idênticos aos de V. Guimarães e Rio Ave, respectivamente). Entre parêntesis a diferença pontual entre a presente temporada e a anterior.

  • F.C.Porto.................37 (+3)
  • Sporting...................32 (+1)
  • Benfica....................29 (+7)
  • Braga.......................24 (-2)
  • Marítimo...................22 (+3)
  • U. Leiria...................21 (+1)
  • Nacional...................20 (-2)
  • Naval........................20 (+5)
  • Belenenses.............20 (-1)
  • Paços Ferrª.............18 (-4)
  • Boavista...................16 (-5)
  • Estª Amadora..........15 (+3)
  • ACADÉMICA..........13 (- 6)
  • V. Setúbal................ 9 (+2)
  • D. Aves.................... 8 (-3 que o Rio Ave)
  • Beira Mar................ 8 (-3 que o V. Guimarães)

Como se pode verificar, a Briosa é a equipa que apresenta uma maior quebra de rendimento, segundo este critério. Na verdade, se tivéssemos repetido os desfechos do ano passado, teríamos agora 19 pontos. Porém, há que ter em conta que havia alguns resultados difíceis de defender, em especial a vitória em Alvalade (algo que dificilmente acontece em dois anos seguidos), bem como os triunfos (que não repetimos) em Leiria e em Setúbal.

Recordemos os jogos já disputados e os respectivos resultados (entre parêntesis, os da época anterior):

  • V. Setúbal - Académica .................1-1 (0-1)
  • Académica - Naval .........................1-2 (2-2)
  • Académica - Belenenses...............1-1 (0-1)
  • Boavista - Académica.................... 2-2 (2-1)
  • Académica - Nacional ....................1-3 (0-0)
  • Paços Ferrª - Académica ...............1-1 (2-1)
  • Académica - D. Aves ..................... 2-0 (2-2 com o Rio Ave)
  • U. Leiria - Académica .................... 2-0 (0-2)
  • Académica - Estª Amadora ........... 2-0 (1-0)
  • F.C. Porto - Académica ................. 2-1 (5-1)
  • Académica - Beira Mar .................. 3-1 (1-0 com o V. Guimarães)
  • Braga - Académica ......................... 4-2 (2-0)
  • Académica - Marítimo ..................... 1-2 (2-2)
  • Sporting - Académica ..................... 1-0 (0-1)

Assim, em "casa", com estes adversários ou seus equivalentes, temos os mesmos 10 pontos: substituímos os empates com a Naval e as duas equipas madeirenses por três derrotas mas recuperámos os três pontos ao empatar com o Belenenses (com quem tínhamos perdido) e ao vencer o Aves (em lugar da igualdade com o Rio Ave).

O problema está no menor rendimento nos jogos "fora", em que perdemos os 6 pontos que fazem a diferença. Com os adversários que referimos acima, as três vitórias transformaram-se em um empate e duas derrotas. Uma safra negativa que apenas foi compensada pelas igualdades conseguidas no Bessa e em Paços de Ferreira, dois campos onde tínhamos perdido o ano passado.

Interessa, agora, saber quais as perspectivas desta perda de rendimento para o resto do Campeonato. É isso que faremos na continuação deste "post".