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  - Quinta-feira, Janeiro 04, 2007

2007: Ano Novo, problemas velhos

Perspectivas sombrias
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O ano que passou não deixou grandes recordações aos adeptos da Académica, tanto dentro do campo como fora dele.
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Assim, no plano desportivo, a época de 2005/2006 (marcada pela descida de quatro equipas, devido à redução do número de clubes na Liga) foi de enorme sofrimento. E só um penalti salvador, apontado por Joeano a dez minutos do final do último jogo do campeonato (um dramático AAC-Marítimo), garantiu a nossa manutenção na principal competição do futebol português.
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No final da temporada, operou-se uma verdadeira "revolução" no plantel, que levou à saída de vários jogadores e à entrada de 16 novas aquisições. Infelizmente, a maioria não correspondeu às expectativas anunciadas e, apesar da contratação de Manuel Machado (um técnico com provas dadas), o desempenho da equipa não tem sido de molde a deixar tranquilos os sócios e simpatizantes da Briosa.
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No plano institucional, foi constante a guerra entre a Direcção e os sectores oposicionistas (em especial, os apoiantes da gestão de Campos Coroa). A situação exacerbou-se em vésperas da Assembleia Geral para aprovação do Relatório e Contas, quando se ficou a saber que o passivo do clube ascendia a 12 milhões de euros.
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A "cereja no bolo" surgiu já no final de 2006, quando o Presidente José Eduardo Simões foi formalmente acusado pelo Ministério Público de oito crimes de corrupção passiva. Recorde-se que, em Junho, fora constituído arguido por, alegadamente, se ter aproveitado do seu cargo de director do urbanismo da CMC para obter donativos para a AAC/OAF em troca de favores a empresários da construção civil.
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Serão as perspectivas para 2007 mais animadoras? Pelo que tenho visto após o meu regresso da passagem de ano, não me parece haver razões para grandes optimismos. Oxalá me engane.
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Não acham que já basta?
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A acusação contra JES foi confirmada no dia 12 de Dezembro. Nesse mesmo dia, manifestei a minha opinião nos seguintes termos: "...não tendo sido condenado judicialmente (e podendo nunca o vir a ser), não faz sentido exigir a sua demissão. Mas também me parece que José Eduardo Simões se encontra, actualmente, ferido na sua credibilidade. Ora, sendo o dirigente máximo da Académica/OAF, a sua imagem arrastará consigo a da colectividade, com tudo o que isso acarreta (por exemplo, junto das instituições bancárias). Logo, a suspensão do mandato até à decisão definitiva do processo parece-me a melhor solução".
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Na mesma noite, a Direcção e os restantes órgãos sociais manifestaram a sua solidariedade ao Presidente. Perante esta tomada de posição, escrevi, três dias depois que, "embora tenha defendido a suspensão do mandato, de forma a salvaguardar a credibilidade da instituição, respeito a sua decisão". Mais adiante, referi o meu entendimento de que ela "deveria ser tomada com inteira liberdade, de acordo com a sua consciência e em concertação com os restantes membros da Direcção e dos outros órgãos sociais do clube. Aqueles que tenham uma opinião contrária e pretendam forçar a saída do Presidente, podem, nos termos estatutários, solicitar a convocação de uma Assembleia Geral extraordinária com essa finalidade".
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Constatei, então, que "a Briosa continua irremediavelmente dividida, num quadro que se assemelha, cada vez mais, a uma "guerra civil" no seio da colectividade. Na realidade, apoiantes e opositores, apenas preocupados em manter ou conquistar posições, esgrimem os mais espantosos argumentos com um desses objectivos". Aconselhei, depois, ambas as partes a "evitar comportamentos que ponham (ainda mais) em causa o bom nome da instituição". Dirigi, por fim, "um apelo à serenidade e ao bom senso", pedindo a todos que pensassem "menos nos seus interesses pessoais ou de grupo e mais nos da colectividade".
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Claro que não tive grandes ilusões quanto ao destino da minha prosa. Aliás, terminei o "post" afirmando "sei que é um apelo ingénuo mas não ficaria bem com a minha consciência se não o fizesse".
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Ora, os acontecimentos dos últimos dias confirmam e mantém a actualidade das minhas palavras. Após um período de alguma acalmia, numa espécie de trégua de Natal, eis que, no dia 26 de Dezembro, sem que nada de substancialmente novo tenha acontecido, a agência Lusa volta a veicular a notícia da acusação a José Eduardo Simões. Num dia onde a agenda informativa é, naturalmente, reduzida, a referida notícia teve ampla difusão em toda a comunicação social.
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A partir daí, surgiram, quase diariamente, num jornal desportivo, declarações de diferentes personalidades academistas e/ou políticas, todas elas defendendo a demissão do Presidente. Ou seja, em lugar de procurar resolver os problemas no seio da instituição, alguns meios e personalidades oposicionistas procuram forçar a saída do líder da AAC/OAF através da pressão mediática.
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Tenho para mim que essa seria a pior das soluções. A Académica é de todos e não apenas de alguns que se julgam membros de uma casta privilegiada. Com o devido respeito, a sua opinião vale o que vale. Como afirmei no texto acima transcrito, uma eventual saída de JES antes do termo do mandato só poderá depender de uma de três condições: a sua consciência, a quebra de solidariedade da maior parte dos seus pares ou a vontade da maioria dos associados, democraticamente expressa em Assembleia Geral.
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O certo, porém, é que, no seio da colectividade, o ar começa a ficar irrespirável. Por esse motivo, e na linha do que aqui foi escrito pelo Gonçalo Cabral, a solução para o impasse passa pela convocação de uma AG extraordinária. Ou pedida pela Direcção, caso em que os órgãos sociais colocarão à aprovação um voto de confiança, ou solicitada por um mínimo de 25 opositores, com o intuito de deliberar a sua destituição.
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Qualquer que seja o resultado, a situação ficará clarificada: se o Presidente voltar a triunfar no conclave, verá a sua legitimidade reforçada e a oposição ficará sem argumentos para exigir o seu afastamento; se perder, haverá eleições antecipadas e abrir-se-á um novo ciclo.
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Claro que essa solução suscita receios nos dois campos. De certa forma, ambos têm medo de perder. Mas o certo é que a situação actual é demasiado pantanosa e causadora de gravíssimos prejuízos para a instituição. Meus senhores, já basta de ver o nome da Académica "nas bocas do Mundo" pelas piores razões. Se defendem princípios e valores académicos, toca a ir a jogo. Mais uma vez, em nome da Briosa, quem dá o primeiro passo?
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Reforços e dispensas: "muito fumo, pouco fogo"
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Voltando, agora, ao futebol propriamente dito, muito se tem falado, neste "defeso" de Inverno, de alterações no plantel da equipa. Face ao fraco rendimento de algumas aquisições, defendi, após o jogo de Alvalade, que necessitamos, urgentemente, de um bom "lateral" direito, um "central" rápido e consistente e um ponta-de-lança goleador. Ao mesmo tempo, referi que talvez fosse também importante assegurar um ala esquerdo para colmatar a perda do Hélder Barbosa.
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Desde então, vários nomes foram sendo referidos como possíveis reforços. Um dos mais falados foi o "ponta-de-lança" portista Adriano, que poderia vir a título de empréstimo. Seria um excelente reforço, mas as ilusões cedo se esfumaram: o jogador foi dado como certo no Braga e, agora, tudo indica que poderá ir até à Grécia, reforçando o Panathinaikos. Ainda do F. C. Porto, Vieirinha (por mim sugerido para a vaga de Hélder Barbosa) renovou com os "dragões" até 2010 e não deverá ser emprestado, apesar do interesse manifestado tanto pela Briosa como pelo Beira Mar. Mais sorte tiveram os aveirenses com Ezequias, cujo concurso garantiram, gorando-se o seu regresso a Coimbra.
Por sua vez, o "ponta-de-lança" Anderson Costa (brasileiro naturalizado croata e "internacional" pelo seu novo país) foi também hipótese mas o seu preço parece ser demasiado elevado para os cofres da Briosa.
Nos últimos dias, tem sido ventilado o nome do "internacional" português Alex, um "lateral" direito que actua nos alemães do Wolfsburg e já trabalhou com Manuel Machado no Moreirense e no V. Guimarães. Mas, nas últimas horas, a transferência complicou-se e o mais provável é o jogador manter-se na Alemanha.
Assim, até agora, a única certeza é o regresso de Lira, que terminou o empréstimo ao Botafogo e possui contrato até 2009. Por seu turno, Zada (emprestado ao Santa Cruz e vinculado à AAC até 2008), que não fazia, à partida, parte dos planos do técnico academista, ainda poderá ficar em Coimbra.
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Quanto a saídas, dois nomes têm estado na berlinda: Roberto Brum e Filipe Teixeira.
O brasileiro foi o primeiro a ser referido, falando-se de várias possibilidades de regressar ao seu país de origem. Mas o certo é que, para já, não passaram de rumores.
Relativamente ao segundo, as hipóteses de saída são maiores. Foi referido o interesse do Braga e dos dois principais clubes galegos (Dep. Coruña e Celta de Vigo), mas F.C. Porto (inicialmente) e Benfica (nos últimos tempos) surgiram como probabilidades mais consistentes. Para já, os "encarnados" (que viram Nuno Assis suspenso até ao fim da época) poderão ser o destino do jogador. Mas os 750 mil euros da cláusula de rescisão podem complicar o negócio.
Outro atleta com mercado é Dame, cujas boas exibições terão suscitado o interesse dos "dragões". Mas tudo indica que uma eventual transferência apenas ocorrerá no final da temporada.
Quem está de saída é Pavlovic. O seu contrato terminava no final de 2006, ficando a Académica com opção para a sua renovação através do pagamento de 200 mil euros ao clube sérvio detentor do seu passe. Dado o fraco rendimento do jogador, entendeu a Direcção que o investimento não se justificava. Por outro lado, surgiram algumas especulações em torno de Nestor Alvarez, que, embora devidamente autorizado, ainda não regressou aos treinos. Também Sonkaya, que deixou de ser opção para o técnico, poderá regressar ao Dragão para ser emprestado a outro clube.
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Pelo exposto, há poucas certezas e muitas dúvidas. Mas o certo é que as hipóteses de conseguir reforços que constituam verdadeiras "mais-valias" se vão esfumando. E, ao que sabemos, a Direcção parece já ter decidido não ir buscar nenhum "ponta-de-lança", antes considerando prioritário o reforço do sector defensivo, onde as lacunas mais se têm feito sentir.
Tudo dependerá de eventuais saídas de jogadores com mercado (Brum, Teixeira ou Dame). Mas penso que estas só deverão acontecer se algum clube estiver disposto a pagar as respectivas cláusulas de rescisão. E, nesse caso, há que ir buscar outros de valor (no mínimo) equivalente. Caso contrário, arriscamo-nos a mais uma época de sofrimento. Até quando?

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