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  - Quinta-feira, Janeiro 11, 2007

Académica-Benfica: recordações adolescentes da última vitória

A poucos dias da recepção ao Benfica, é de recordar o nosso último triunfo sobre os "lampiões", fez há pouco 33 anos.
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Após uma década prodigiosa, em que lutou quase sempre pelos primeiros lugares, um choque abateu-se sobre a Briosa e os seus adeptos: a descida de divisão, pela segunda vez na sua história, na época de 1971/72.
A passagem pela 2ª Divisão durou apenas um ano e constituiu um verdadeiro passeio: não só o regresso ao Campeonato principal ficou assegurado a seis jornadas do fim como ainda nos sagrámos campões nacionais do escalão secundário, batendo o Olhanense por 1-0, em partida disputada no Bonfim.
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A despromocão de há 35 anos representou o início de um calvário que ainda hoje perdura. Na altura, porém, pareceu-nos um simples acidente. Por isso, eram muitas as nossas esperanças no regresso da Académica ao escalão maior do futebol nacional, na temporada de 1973/74.
Contudo, um pouco à imagem do que tem sucedido na presente época, nem os resultados nem as exibições eram de molde a dar tranquilidade aos adeptos. Numa prova com 16 clubes, estávamos classificados pouco acima dos lugares da despromoção (os dois últimos) e da "liguilla" (os 13º e 14º, que jogariam a permanência num torneio com os segundos das duas zonas em que se dividia a 2ª Divisão).
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Coube-nos, então, receber o Benfica à 12ª jornada, em Dezembro de 1973. Apesar de o optimismo da nossa parte não ser muito, o "Municipal" encontrava-se praticamente lotado, com os campos bem delimitados: as duas bancadas centrais de preto, os topos (laterais, superior e peão) de vermelho.
Então com 15 anos, era sócio da central B (a bancada descoberta), para onde me dirigi. Os meus irmãos (três e cinco anos mais novos) ficaram no "Sector Juventude" (um sector situado ao lado daquela, reservado aos jovens até aos 12 anos). Felizmente, estava um belo dia de sol.
Habitualmente, gosto de assistir aos jogos num plano mais elevado. Porém, nesse dia, a bancada já estava completamente lotada nas filas de cima. Numa fila inferior, encontrava-se a Dª. Lisete, mãe do Luís Santarino (então pupilo do meu pai), que abriu um espaço para eu me sentar a seu lado.
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O primeiro minuto do encontro ficou marcado por aquela que terá sido a maior perdida da carreira de Eusébio: centro rasteiro da direita que a nossa defesa (guardião Melo incluído) não consegue interceptar, a apanhar o moçambicano completamente à vontade do outro lado. Com a baliza aberta, bastava encostar para fazer o golo, mas o "pantera negra", ao querer rematar em força, faz o esférico subir e sair por cima da barra. Um grande susto seguido de um enorme suspiro de alívio para nós, a par com o desespero dos benfiquistas que já se preparavam para festejar o golo.
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Apesar de tudo, os primeiros 20 minutos foram de verdadeiro "sufoco" para as nossas cores. A equipa, muito inibida, não conseguia subir no terreno e a nossa sorte era eles não estarem felizes na concretização. Na bancada, alguém grita: "Vamos embora, malta. Não tenham medo deles!".
O certo é que a Académica começou a aparecer mais no jogo e, por volta da meia hora, a primeira grande sensação: contra-ataque da Briosa, a defesa do Benfica foi lenta a tentar colocar os nossos jogadores em fora-de-jogo e Gervásio, isolado frente a José Henrique (conhecido por "Zé Gato"), faz o 1-0. À surpresa sucedeu a explosão de alegria nas nossas hostes. Contudo, continuávamos apreensivos e a maior parte de nós temia que, mais tarde ou mais cedo, eles virassem o resultado. Todavia, quando chegámos ao intervalo em vantagem, começámos a pensar que talvez a derrota não fosse inevitável e, inclusive, que a vitória poderia ser mais que uma miragem.
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Na 2ª parte, a nossa equipa surgiu mais confiante, fruto do "dedo" de Fernando Vaz, então um dos mais conceituados técnicos nacionais.
Assim, embora o Benfica mantivesse maior domínio territorial, a verdade é que se mostrava cada vez mais intranquilo. Ao invés, a Briosa, mais confiante, ia sacudindo a pressão e acercava-se com mais perigo das redes "encarnadas". Até que, cerca dos 25 minutos, cruzamento largo da nossa meia-direita e Vítor Campos, do lado oposto, a rematar na passada para o fundo da baliza. Delírio entre a nossa massa associativa. A Dª Lisete festeja efusivamente e abraça-me. Agora sim, tínhamos inteira confiança na vitória.
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Na verdade, a partida fica sentenciada. A descrença instala-se entre os benfiquistas, enquanto que os "pretos" sentem que o triunfo já não lhes foge. No final, grandes aplausos aos nossos jogadores, que vão agradecer demoradamente aos sócios presentes em ambas as bancadas.
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Este resultado viria a revelar-se decisivo para o desfecho da prova: a nossa vitória (e os dois pontos que então conferia) foi fundamental para a nossa permanência entre os "grandes" (apenas assegurada na última jornada após um diplomático empate a zero em Olhão, naquele que viria a ser o último jogo da antiga secção de futebol da AAC nos "Nacionais"); para as "águias", a derrota implicou a perda do título para os "leões".
Mas, no fim desse Campeonato, isso pouco interessava: cerca de três semanas antes, ocorrera o "25 de Abril". A liberdade recém-conquistada relegara o futebol para segundo plano. Em breve, a Académica teria de "mudar de sexo" para sobreviver!

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