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  - Segunda-feira, Janeiro 15, 2007

Quando ela não quer, não entra
Académica 0 - 2 Benfica


Em vésperas de um jogo como este há sempre um sentimento estranho que nos invade, um desejo de sermos tudo de todas as maneiras e uma ânsia de mostrar que a Briosa afinal é mesmo aquilo que contamos durante largas semanas em que o mundo não assiste. A equipa fantástica que A Académica (e não O Académica como tantas vezes é dito e que nos deixa tão enraivecidos) tem, a magia que é espalhada pelo Cidade de Coimbra e o sentir as sensações oferecidas pelo futebol. Escreveu Fernando Pessoa através de Ricardo Reis "Para ser grande, sê inteiro" e a Académica hoje foi grande, provou que não joga com equipas de outro campeonato e fez tremer o Benfica. O dia podia ter sido memorável mas estou certo que, com esta atitude, memoráveis dias virão.
Esquematizou Manuel Machado uma equipa adaptada ao adversário desta noite. Com Pedro Roma na baliza, Danilo, Litos e Káká formaram uma defesa a três ficando como foi regra nos dois últimos jogos Danilo como libero e Litos e Káká a marcar homem-a-homem os avançados benfiquistas. De modo a garantir uma consistência defensiva, Lino pela esquerda e Roberto Brum pela direita fechavam os espaços que surgiam pelas alas. Com Alexandre e Paulo Sérgio no centro, tentou o técnico da Briosa garantir um meio campo batalhador e essencialmente destrutivo deixando para Filipe Teixeira, Dame e Gyano a missão de fazer desequilibrar o ataque.
Assim pensou Manuel Machado e uma machadada levou logo aos 2 minutos. Depois de um passe errado de Paulo Sérgio, viu-se obrigado Alexandre a cometer falta à entrada da área da Académica. De um lance estudado nasce o golo de Ricardo Rocha que, embora em posição de fora de jogo, não tira culpas a toda a defesa que ficou a ver jogar. Luisão cabeceia à vontade e depois de uma grande defesa de Pedro Roma ficou o central do Benfica com caminho para o golo. "Põe quanto és/ No mínimo que fazes" pedia-se à Académica, e assim aconteceu. Exibição de luxo ou simples vontade de ganhar, certamente não andarão longe estes dois pontos de vista. Com a entrada de Miguel Pedro por troca com Danilo, a equipa ganhou ainda mais força e caudal ofensivo. As oportunidades foram surgindo mas quando a bola não quer, não entra. Chegou-se assim ao fim da primeira parte com uma extrema sensação de injustiça, muito embora tenham sido dois golos anulados ao Benfica e uma bola tenha embatido na trave.
Para a segunda parte era difícil pedir mais, a Académica remou e tentou mas o Benfica, sentindo que o resultado podia mudar, abrandou o ritmo de jogo e passou a jogar com mais tranquilidade. Assistimos a uma segunda parte menos espetacular mas com a mesma vontade de vencer por parte dos de preto. Filipe Teixeira, numa noite em que nem Gabriel Alves teria adjectivos para o descrever, encantou os 19481 espectadores à procura do empate. Nestor Alvarez, que havia marcado ao Porto, entrou no jogo para tentar repetir a proeza mas sem sucesso. Ainda Sarmento tentou dar mais velocidade e evitar os contra-ataques mas o dia não era propício a golos. Foi pois numa troca de bola rápida que Leo sentenciou a partida fazendo o 2-0. Perder por um, perder por mil.
A Académica perdeu porque não foi eficaz. Fez uma exibição brilhante mas faltou brilho na hora do golo. " A jogar assim é campeã" disse o Sr. Carlos do café, por certo melhores resultados virão.
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Os "pretos", um a um:
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Pedro Roma (4) - Não teve muito trabalho, mas esteve sempre bem quando foi chamado a intervir. No 1º golo, ainda defendeu a cabeçada de Luisão; no segundo, nada podia fazer.
Litos (2) - Muito inseguro. Em alguns lances, ainda fez valer a sua experiência, mas foi quase sempre visível a sua lentidão, em especial quando a equipa actuou com três "centrais".
Danilo (1) - Tem responsabilidades no 1º tento do Benfica. Foi sacrificado por Manuel Machado, que o substituiu por Miguel Pedro quando abdicou do sistema de três defesas-centrais, a meio do 1º tempo.
Káká (4) - Uma boa actuação do "central" brasileiro. A sua rapidez compensou algumas pequenas falhas. De longe, o mais seguro no centro da defesa.
Lino (5) - Rubricou uma excelente exibição, em especial durante a etapa inicial, quando conseguiu criar numerosos desequilíbrios pelo flanco esquerdo. Na 2ª parte, após a entrada de Manu, teve de olhar mais para as suas costas e mostrou-se menos dinâmico. Mas nunca descurou as oportunidades que teve de subir no terreno.
Paulo Sérgio (3) - Cumpriu nas tarefas defensivas mas falhou imenso nos capítulos da recepção da bola e do passe.
Roberto Brum (3) - Coube-lhe vigiar Simão e não se deu bem com a tarefa, tendo entrado muito nervoso. Curiosamente, melhorou quando passou a actuar a "lateral" direito, a meio do 1º tempo, após a alteração táctica de Manuel Machado. Na parte final, regressou ao meio-campo mas já lhe faltava "pulmão".
Alexandre (4) - Uma boa actuação, sóbria mas eficaz, tanto a recuperar a bola como no apoio ao ataque.
Dame (3) - Uma exibição algo distante do habitual. Começou no flanco direito, passando depois para o meio. Revelou bons pormenores técnicos, mas mostrou-se algo complicativo. Agarrou-se demasiado à bola e revelou pouca espontaneidade no remate.
Filipe Teixeira (5) - O melhor da Briosa. Uma magnífica actuação do médio ofensivo. Esteve sempre em jogo, tanto na esquerda como na direita e ainda no meio. Inventou várias jogadas de grande recorte técnico. Dos seus pés nasceram os lances mais perigosos da equipa.
Gyano (2) - Esforçado mas pouco eficaz. Nunca conseguiu libertar-se da marcação que lhe foi movida. Cabeceou ao poste, na recarga a remate de Lino, com Quim batido.
Miguel Pedro (4) - Entrou muito bem no jogo, quando substituiu Danilo a meio da 1ª parte. Deu maior vivacidade ao lado direito do ataque, criando dificuldades à defensiva "encarnada". Na etapa complementar, não foi tão clarividente mas manteve-se em bom plano.
Nestor Alvarez (1) - Uma aposta falhada. Foi totalmente inofensivo.
Sarmento (1) - Está sem ritmo e demonstrou-o quando foi ocupar o lugar de "lateral" direito no último quarto de hora. Teve várias falhas comprometedoras e o 2º golo do Benfica surgiu pelo seu corredor.
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*Análise ao jogo de Francisco Martinho; apreciação aos jogadores de Jorge Martins.

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