AAC, 0 - Boavista, 2: "Bispos polacos dão xeque-mate à Briosa"
.
Relativamente ao jogo do Restelo, registou-se o regresso de Pavlovic (então castigado) à equipa inicial e o retorno de Vítor Vinha ao "banco" de suplentes.
Manuel Machado manteve o 4-3-3 dos últimos encontros. Assim, a defesa apresentou-se com Paulo Sérgio na direita, Litos e Káká no centro e Lino na esquerda; no meio-campo, Pavlovic era o elemento mais recuado, à frente do qual se encontravam Brum na direita e Alexandre na esquerda; na frente, Dame e Filipe Teixeira ocupavam as alas, ficando Gyano como unidade mais avançada.
Manuel Machado manteve o 4-3-3 dos últimos encontros. Assim, a defesa apresentou-se com Paulo Sérgio na direita, Litos e Káká no centro e Lino na esquerda; no meio-campo, Pavlovic era o elemento mais recuado, à frente do qual se encontravam Brum na direita e Alexandre na esquerda; na frente, Dame e Filipe Teixeira ocupavam as alas, ficando Gyano como unidade mais avançada.
.
A Briosa entrou mal no jogo e, logo aos dois minutos, só uma grande intervenção de Pedro Roma impediu que Hugo Monteiro, após boa combinação entre Grzelak e Linz, inaugurasse o marcador.
Os "axadrezados" dominavam os acontecimentos, enquanto que a nossa equipa se mostrava algo apática e sem ideias. Só à passagem do 20º minuto, a Académica criou perigo, na sequência de um "canto", com Gyano a rematar contra William, que defendeu por instinto.
Mas, três minutos depois, os visitantes inauguraram o marcador, em lance que deixou dúvidas quanto à sua legalidade. Paulo Sérgio perdeu a bola em disputa com Grzelak e ficou a reclamar falta (no Estádio, pareceu-nos que com razão). O polaco ficou com o esférico, contornou Káká e, na meia esquerda da grande-área, rematou cruzado, batendo Pedro Roma.
Apesar do golo, o cariz da partida pouco se alterou. Os academistas passaram a jogar um pouco mais no meio-campo adversário mas o certo é que não conseguiam criar perigo. Manuel Machado mexeu, então, na equipa, procurando conferir-lhe maior acutilância atacante: saiu Brum e entrou Cláudio "Pitbull". O brasileiro foi colocar-se na ponta esquerda, passando Filipe Teixeira para o "miolo" do terreno.
Contudo, a dois minutos do intervalo, o Boavista aumentou a vantagem, num golo quase "a papel químico" do anterior. Alexandre, em zona proibida, perdeu a bola para Essame, que deu rápido para Kazimierczak. Este, na meia esquerda, entrou na área e, tal como antes fizera o seu compatriota, rematou cruzado para o fundo das redes dos "pretos".
Ainda antes do descanso, Pavlovic lesionou-se com gravidade e já não regressou dos balneários, sendo substituído por Vítor Vinha.
.
Assim, para a 2ª parte, Alexandre ficou como "trinco", passando a ter à sua frente Dame e Filipe Teixeira. Cláudio "Pitbull" derivou para a ala direita, enquanto Lino avançava para a esquerda, mantendo-se Gyano na frente do ataque.
A equipa veio com outra disposição e, logo aos três minutos, "Pitbull" fugiu pelo corredor direito, entrou na área e rematou em jeito, mas a bola embateu na trave. A Briosa, a fazer uma pressão alta, continuou a carregar e, ao quarto de hora, num lance idêntico ao anterior, o mesmo jogador "picou" o esférico sobre William, mas Hélder Rosário salvou sobre a linha.
Logo a seguir, o técnico academista arriscou tudo: tirou Alexandre e colocou Nestor junto de Gyano, passando a jogar em 4-2-4.
Aos 66 minutos, grande remate de Dame e grande defesa do guardião boavisteiro. Na sequência do "canto", o golo voltou a estar iminente mas Nestor e Gyano remataram sucessivamente contra o corpo do guarda-redes camaronês, caído sobre o risco fatal.
A partir daqui, a Académica perdeu discernimento e o jogo ficou partido. O Boavista sacudiu a pressão e ensaiou alguns contra-ataques, embora sem criar grande perigo. A dez minutos do final, Filipe Teixeira, na meia direita, rematou ao poste da baliza de William, naquele que foi o último grande lance de perigo da partida.
Daí até ao termo, os "pretos" continuaram a lutar mas a descrença já se instalara e os visitantes perceberam que o triunfo não lhes escapava.
.
Em conclusão, uma exibição desigual da nossa equipa, que ofereceu 45 minutos e dois "golaks" ao adversário. Na etapa complementar, acordou, mas faltou eficácia ofensiva, discernimento e (porque não dizê-lo?) alguma sorte.
Arbitragem para esquecer de João Ferreira. Para além de ter deixado passar uma eventual falta na jogada que originou o primeiro tento, há também um lance na etapa inicial, em que um jogador "axadrezado" atrasa a bola para William, mas que o juíz setubalense não considerou intencional. Pior que tudo, foi demasiado complacente, quer com o jogo faltoso, quer com as perdas de tempo dos forasteiros.
.
Sob a arbitragem de João Ferreira, de Setúbal, as equipas alinharam:
Académica - Pedro Roma; Paulo Sérgio, Litos, Káká e Lino; Pavlovic (Vítor Vinha, 46); Roberto Brum (Cláudio "Pitbull", 38) e Alexandre (Nestor, 61); Dame, Gyano e Filipe Teixeira.
Boavista - William; Hélder Rosário, Ricardo Silva, Cissé e Marquinho; Tiago; Essame e Kazimierczak; Hugo Monteiro (Paulo Sousa, 77), Linz (Fary, 73) e Grzelak (José Manuel, 62).
Marcadores: Grzelak (23) e Kazimierczak (43).
Disciplina: Cartões amarelos a Roberto Brum (23) e Paulo Sérgio (68); Ricardo Silva (19) e Cissé (53).
.
Os "pretos", um a um:
.
Pedro Roma (4) - Mais uma vez, teve pouco trabalho, mas voltou a estar em bom nível. Rubricou intervenções de elevada qualidade, em especial a primeira, logo no segundo minuto.
Paulo Sérgio (2) - Uma tarde-noite pouco feliz. Nunca se entendeu com as mudanças de velocidade de Grzelak e está directamente ligado ao primeiro golo. Mesmo que tenha sofrido falta (e, na TV, pareceu-nos que foi tocado pelas costas) no lance do tento inicial, não pode desistir e ficar a reclamar com o árbitro. Também o segundo golo teve origem no seu flanco.
Litos (3) - A sua experiência permite-lhe disfarçar algumas insuficiências. Acabou por não comprometer mas não foi o "patrão" de que a defesa necessitava.
Káká (2) - Globalmente, não esteve muito pior que o seu colega do centro da defesa. Contudo, no lance do primeiro golo, foi lento a ir à dobra, acabando por ser "comido" por Grzelak.
Lino (3) - Na 1ª parte, como "lateral" esquerdo, abriu alguns espaços nas suas costas, que o adversário não aproveitou. Melhorou no 2º tempo, quando passou para a frente, mas nunca conseguiu criar desequilíbrios pelo seu corredor.
Pavlovic (2) - Uma exibição pouco conseguida do sérvio, que quase nunca foi eficaz nas dobras nem clarividente no capítulo do passe. Lesionou-se com gravidade perto do intervalo e arrisca uma paragem prolongada.
Roberto Brum (3) - Esta nota será, porventura, controversa, já que actuou apenas durante 38 minutos. Mas a verdade é que nos pareceu, então, o mais esclarecido do meio-campo. A sua substituição ter-se-á devido a questões tácticas e, muito provavelmente, ao facto de já ter visto um cartão amarelo, por protestos, após o golo inaugural.
Alexandre (2) - Um 1º tempo desastroso, em que raramente acertou um passe. A "cereja no bolo" foi o segundo golo, quando perdeu a bola em zona proibida. Melhorou ligeiramente após o descanso, mas acabou substituído quando Manuel Machado decidiu arriscar tudo por tudo.
Dame (4) - Descaído sobre a direita, não começou muito bem, embora, desde o início, tivesse dado a ideia de ser um dos mais inconformados. Quando passou a actuar mais na zona central, esteve melhor. Apesar da extrema atenção dos boavisteiros à sua meia-distância, teve um bom remate a meio da 2ª parte, que só não deu golo devido à excelente intervenção de William.
Gyano (1) - É certo que poucas vezes é servido em condições, mas a verdade é que não consegue fugir às marcações. Ao mesmo tempo, vai perdendo confiança e acaba por ser uma unidade a menos.
Filipe Teixeira (4) - Novidade será o jogo em que não for considerado o melhor da Briosa. Nota-se, claramente, que possui uma classe extra. Após o recomeço, foi ele que procurou levar a equipa para a frente e alguns lances de perigo tiveram origem nos seus pés. Aquele remate em jeito, com o pé esquerdo, aos 80 minutos, que levou a bola a embater no poste da baliza de William, merecia melhor sorte.
Cláudio "Pitbull" (3) - Entrou bem no jogo e deu outra movimentação ao ataque. Logo no início da etapa complementar, atirou uma bola ao ferro; pouco depois, esteve outra vez perto de reduzir a desvantagem, mas Hélder Rosário não o permitiu. Com o passar dos minutos, foi perdendo clarividência.
Vítor Vinha (3) - Entrou no 2º tempo. Com os boavisteiros mais preocupados em segurar a vantagem, não enfrentou grandes problemas. Apesar de pouco ter acrescentado ao conjunto, cumpriu, pelo que merece nota positiva.
Nestor (2) - Actuou na última meia hora. A sua melhor intervenção foi a primeira, quando rematou de forma acrobática, à meia volta, ligeiramente ao lado. Depois, falhou a emenda na sequência de um "canto", atirando contra o corpo de William. Apesar de tudo, esteve mais mexido que Gyano.




| << Voltar ao Inicio