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  - Sábado, Março 10, 2007

AAC-Paços de Ferreira: A inesquecível vitória sofrida de 2004

*foto do jornal "As Beiras" relativo ao jogo
Finais de Abril de 2004. Estávamos a pouco mais de um mês do início do Campeonato da Europa, que, pela primeira vez, se realizaria no nosso país. Para permitir uma adequada preparação da selecção nacional, a Liga terminaria no início de Maio.

Num magnífico dia de Primavera, a Académica recebia o Paços de Ferreira, em jogo decisivo para as duas equipas.

Com efeito, depois de uma péssima 1ª volta, que terminámos no último lugar, Vítor Oliveira fora substituído por João Carlos Pereira e a equipa encetara uma notável recuperação. Um triunfo nessa partida quase significava a garantia da permanência, uma vez que, na última jornada, recebíamos o frágil Estrela da Amadora, "lanterna vermelha" destacado.

Por seu turno, o encontro representava a última oportunidade para os pacenses, penúltimos classificados, poderem acalentar esperanças de fugir à despromoção. Assim, aos visitantes só a vitória interessava.
O ECC, inaugurado uns meses antes, registava uma interessante moldura humana: cerca de 15 mil pessoas, na sua esmagadora maioria afectas à Briosa.

Assisti ao jogo no meu lugar habitual, no segundo anel da bancada poente (ou "dos tótós", segundo a Mancha), ao lado da Maria João (minha actual colega do blogue) e do seu pai, meu habitual companheiro dos jogos da Académica.
Os "pretos" começaram ao ataque, empurrando o adversário para trás. Como corolário desse domínio, colocámo-nos em vantagem perto da meia-hora, por intermédio de Paulo Adriano, e tivémos várias oportunidades para sentenciar, desde logo, a partida. Não o conseguimos e haveríamos de pagá-lo caro na 2ª parte.

Na etapa complementar, o cariz do jogo manteve-se no essencial, mas o Paços surgiu mais atrevido e começou a aparecer mais junto da nossa baliza. Ao mesmo tempo, o nervosismo começava a tomar conta da nossa equipa.

Próximo dos 20 minutos, estivemos perto de fazer o 2-0 mas Joeano (penso que foi ele, mas não tenho a certeza), isolado frente ao guarda-redes adversário, atirou a rasar o poste, quando já toda a gente se preparava para festejar o golo.

Foi então que o aforismo lapalissiano "quem não marca, arrisca-se a sofrer" se revelou bem verdadeiro. Cinco minutos depois, Renato Queirós, com um remate colocado à entrada da área, empatou o jogo. A equipa tremeu e, pouco depois, uma perda de bola à saída da nossa grande-área permitiu a Fernando Gaúcho colocar os forasteiros na frente do marcador, "gelando" o estádio.

Em desespero, João Carlos Pereira coloca em campo Marcelo, um ponta-de-lança veterano (então com 35 anos) que apenas tinha marcado dois golos durante toda a época e que, por isso, era mal amado pelos adeptos. Há assobios. Na bancada, comenta-se: "Quando tem de entrar este cromo para virar o resultado, está tudo dito. Estamos feitos!".

Ao meu lado, a Maria João (na altura, com 13 anos) está desoladíssima e desespera. No entanto, algo me diz que a sentença não está lida. E digo para ela: "Ainda acredito". E acrescento: "Se conseguirmos empatar, ganhamos".

Mas o tempo vai passando e nada muda. Começo a descrer. Um silêncio sepulcral abate-se sobre o ECC. Os adeptos da Briosa vivem um verdadeiro pesadelo.
Até que, no 89º minuto, a bola é lançada para a área visitante e parece perdida. No entanto, o guardião pacense hesita na saída e Tonel (que já estava a jogar a ponta-de-lança) surge sem marcação e desvia o esférico para a baliza.

A esperança volta ao estádio, mas sabemos que o tempo é pouco. Mas estão preenchidas as condições para a reviravolta: o empate não serve aos Paços e a Académica volta a acreditar que o triunfo ainda é possível.
O árbitro dá quatro minutos de compesação. A equipa cai em cima do adversário. No segundo minuto, defesa do guarda-redes para "canto". Este é marcado do lado direito do nosso ataque. A bola sai tensa, sobrevoa a área e, ao segundo poste, Marcelo cabeceia vitoriosamente. O ECC quase vem a baixo. É o delírio. Recordo de saltar abraçado ao pai da Maria João. Este, ainda lívido, pergunta-me: "Quem foi?" "Marcelo", respondo. "Nunca mais digo mal dele", retorque.

Pouco depois, a partida termina com o estádio em verdadeira euforia. Apesar dos 35 anos que tenho de sócio da Briosa, esta foi uma das vitórias que nunca esquecerei.

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