“Papá, vamos ao Luso ver os pretos!?!?”
Começa o aquecimento. Nem a poeira afasta os olhos daqueles 11 que parecem estranhar um ambiente tão seco e rude. Como que querendo despejar a frustração, e antes de recolher ao balneário, grande Eldon atira um bico que valeria três pontos para o País de Gales, mas que a ele valeu apenas uma viagem de ida e volta ao eucaliptal, rogando pragas entre-dentes, por entre a galhofa da malta: “Acho que hoje jogamos sem ponta de lança ... o gaijo nunca mais encontra a bola …”
Esteve a vitória nos pés de um tal de Rubens Feijão, longilíneo médio ofensivo que então despontava nos pelados da segundona. Vitória que acabou por fugir nos últimos segundos quando o Luso resolveu colocar um empate a dois tentos no placard. Mas a tarde não foi de tristeza, não foi de apupo nem assobio (para o árbitro talvez, mas creio que chamar-lhe “aracnídeo” até tem um certo nível … ele deve ter pensado que se tratava de um elogio …) mas antes de fervor académico. Não se rasgaram cartões de sócio, não se excomungou a equipa nem a equipa excomungou os sócios. Foi apenas uma tarde de … afecto.
Hoje o cimento é disfarçado por poltronas de plástico, o ar já não sabe a pó, e os próprios académicos parecem difrentes, emproados em vez de sarcásticos, mal-humorados e sem o tal afecto por algo que é seu e que apregoado ao vento não faz sentido para quem nos ouve. Mas é essa falta de carinho que sinto no ar. Falta de carinho de todos, da equipa para com quem a apoia, de quem a apoia para com a equipa, e mais grave ainda, de quem comanda para com TODOS!



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